Estudo Bíblico A Teoria da Evolução e a Bíblia


         Por causa do surgimento, do desenvolvimento e da popularidade da teoria da evolução, alguns cristãos se apressaram em criar o chamado “crioevolucionismo” ou “criacionismo teísta”. Tal ensinamento coloca os onze primeiro capítulos de Gênesis como uma alegoria (incluindo a criação em seis dias, o dilúvio e a torre de Babel), sendo a evolução uma verdade que se encaixa em tal alegoria. Será?
         O Dicionário Escolar de Língua Portuguesa, 1986, Ministério da Educação, define alegoria como
 

“exposição de um pensamento sob a forma figurada; ficção que representa um objeto para dar idéia de outro; continuação de metáforas que significam uma coisa nas palavras e outra no sentido.”

        Então pergunto: onde Gênesis expõe a evolução de forma figurada? Onde dá idéia de evolução? Onde significa evolução “no sentido”?
         Terra antes do Sol, plantas antes do Sol! Água sendo o primeiro elemento da Terra. Isso tudo está em Gênesis. Percebe como a alegoria esta alegorizando “bem”? Melhor impossível!
         O livro de Gênesis ainda nos dá algumas dicas de que seus onze primeiros capítulos não são alegoria. Eles estão repletos de genealogias. Por que essa preocupação em ligar as gerações de Adão a Noé se tudo não passava de uma alegoria? Mais: o capítulo onze termina com a genealogia de Sem, que liga Noé a Abraão. Como saber que a alegoria acabou? Que Abraão de fato existiu? Mais ainda: a genealogia de Jesus em Lucas o liga até Adão, desconsiderado qualquer possibilidade de alegoria.
         Aliás, o testemunho do Novo Testamento é muito forte quanto ao fato de os onze primeiros capítulos de Gênesis serem verdade absoluta. II Pedro 3: 5,6 fala a respeito dos homens nos fins dos tempos:
 
“Eles voluntariamente ignoram isto: que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste. Pelas quais coisas pereceu o mundo de então, coberto com águas do dilúvio”   II Pedro 3: 5,6 (ARC).
         O verso 8b do mesmo capítulo tem sido usado pelos crioevolucionistas como “indicador” da alegoria que seria Gênesis. “Um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.” Assim, os seis dias da criação poderiam muito bem ser seis eras da evolução cósmica, ou algo do tipo. Contudo, perceba que esse trecho mostra dois lados da moeda: os seis dias de criação sendo seis mil anos, ou mais, e os dois mil anos da era cristã, por exemplo, sendo dois dias, ou menos, para Deus. Eu posso “encolher” ou “alongar” o tempo. Em qualquer parte da Bíblia! Por que dar este destaque para os seis dias da criação? Para alegorizar? Por que existe a TEORIA da evolução? Além disso, o verso enfatiza duas coisas: Deus está na eternidade, fora do tempo. E o tempo é relativo, fato conhecido pela ciência atual. Há um texto muito interessante que associa a distância de “milhões de anos-luz” das estrelas para a Terra com a dilatação do tempo, mostrando a verdadeira profundidade de II Pedro 3:8.
         Voltando a Gênesis, alguns dizem que o dilúvio foi um evento local, e não global. Não há muita lógica nisso. Se fosse local, não haveria necessidade de Noé colocar na arca aves: elas migrariam. Um argumento usado contra a visão global do dilúvio é: será que caberiam todos os animais na Arca? Sim. De um milhão e trezentas mil espécies conhecidas, novecentas mil são insetos e trezentas mil são aquáticas, restando cem mil espécies para ocupar a arca. Porém, o que a Bíblia se refere à espécie é diferente ao que hoje a taxonomia chama de espécie. A espécie na Bíblia seria o “tipo básico”, ou seja, seria necessário levar um tipo básico de cachorros, e não um pastor alemão, um dálmata, um cocker spaniel, etc. Apenas um tipo básico.
         A incompatibilidade da evolução com a criação bíblica ainda vai longe. Os evolucionistas, analisando o DNA humano, chegaram à conclusão de que o homem, tal qual o conhecemos hoje, veio da mulher, e não o contrário. O artigo da revista Science ainda enfatizou o “mito” bíblico: Adão foi quem saiu da “costela” de Eva, e não o contrário. Veja que nem nisso a “alegoria” que dizem ser Gênesis alegoriza bem. E o apóstolo Paulo derruba qualquer chance de Gênesis ser uma alegoria:
 
“Porque o varão não provém da mulher, mas a mulher do varão” (I Coríntios 11: 8).
        “Mas o apóstolo Paulo não conhecia a teoria da evolução”. É, coitado... ele conhecia o Espírito Santo! Aleluia!
         Sabe, parece que há alguns cristãos preocupados com a “reputação de Deus”, ou com sua própria reputação, e por isso rebaixam Gênesis ao nível de alegoria, para não passarem por ridículos. E essa atitude é ridícula. Submeter a Bíblia à autoridade de algo que é apenas uma TEORIA é imprudente. E fica cada vez mais imprudente uma vez que um número crescente de cientistas tem lançado suas dúvidas sobre a evolução. Não falo de cientistas que se converteram a Jesus e tiveram suas mentes “contaminadas”. Cientistas ateus! A própria Teoria Inflacionária (mais conhecida como Teoria do Big Bang) tem encontrado pedras em seu caminho. Então o que isso significa? Caídas as teorias vigentes, todos devem correr para os seis dias bíblicos? Não. Mas nós como cristãos não podemos nos deixar levar pelos ventos inconstantes desse mundo. Devemos nos modelar pela Bíblia, e não modelar a Bíblia pelos nossos pensamentos. Devemos, portanto, fincar nossos pés no Evangelho e nossos pensamentos naquela que é a única fonte de Verdade imutável para nós: a Palavra de Deus.

Autor: Lamounier Soares