Estudo Família - Uma boa raiz entre homem, mulher e filhos


A família, criação de Deus, é a comunidade primária da raça humana. Ela antecede qualquer instituição, povo ou nação. Foi a célula primogênita da sociedade. Milênios se passaram e, junto com eles, muita coisa mudou no mundo. As mais diferentes culturas de todos os lugares do planeta sofreram grandes transformações ao longo de sua história. O mapa político e social dos continentes já mudou várias vezes. No entanto, os seres humanos continuam integrando-se em famílias.

Um projeto tão bem elaborado e consistente quanto este não poderia ter surgido ao acaso ? e, mesmo que tivesse acontecido assim, dificilmente seria uma unanimidade. Por isso, não é difícil concluir que sua origem é divina. Deus é o Criador da família e, como tal, o único com autoridade e direito de decidir o que ela é, para que existe e como deve funcionar.

A família só pode viver e se desenvolver normalmente se contar com a presença e a bênção de Deus. "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam; se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela"  (Salmos 127.1).

Apesar da boa raiz que a sustenta, a família sofre ataques constantes e mortais. O inimigo de nossas almas sabe que, destruindo os relacionamentos entre marido e mulher, pais e filhos, estará condenando à sociedade à morte. Por isso, a crise que vive a nossa geração focaliza-se principalmente nos lares. Assim como o primeiro pecado foi cometido dentro da família e atentou contra ela (Gênesis 3.6), também em nossos dias a maioria dos pecados se cometem no seio familiar.

Nos lares, vivem-se tensões, contendas, discussões, injúrias, gritos, ofensas, ressentimentos, amarguras e até separações e divórcios. A família é o foco dos ataques de Satanás, que trama sem parar contra ela ? infelizmente, em diversas oportunidades, ele ainda conta com a colaboração de pais ou filhos para facilitar esta tarefa. As evidências desta ofensiva diaból ica estão diante de nós: deterioração dos valores tradicionais, crescimento dos conflitos e um número crescente de separações em proporções alarmantes. E nós, o que estamos fazendo?

Será que a Igreja tem algo a oferecer à nossa sociedade, alguma coisa que possa salvá-la? Há mesmo solução em Jesus Cristo para esta crise, como costumamos alardear, ou nosso discurso é ineficaz diante da morte de tantos lares? O Evangelho tem mesmo o poder de promover a ressurreição de tantas famílias das quais a vida fugiu? Se você me permite responder minha própria pergunta, afirmo enfaticamente que sim. Por acreditar que a deterioração da família deve-se ao fato de que a ordem de Deus para ela tem sido ignorada, abandonada e alterada por critérios humanos, também estou convencido de que contamos com recursos para a reconstrução dos lares:

Orientação precisa da Palavra de Deus

Somos muito privilegiados! Através de sua Palavra, Deus nos instrui sobre todos os aspectos da vida fa miliar. Seus ensinamentos são claros, simples, precisos e perfeitos (Salmos 19.7-9). E são para todas as famílias da terra, em todos os tempos.

O poder transformador do Espírito Santo Mediante o Espírito Santo, temos em nós a força de Deus para sermos mudados, melhorados e aperfeiçoados até chegarmos a ser famílias saudáveis e santas, para a glória de Deus. O fruto do Espírito Santo (Gálatas 5.22-23), manifesto em nós, faz aflorar todas as virtudes necessárias para uma maravilhosa convivência familiar.

A valiosa ajuda da comunidade cristã

Na igreja, sempre encontraremos pastores e irmãos mais instruídos, a quem possamos recorrer em busca de sabedoria, conselho e orientação. Ademais, haverá ali famílias bem formadas que serão, para nós, exemplo e modelo valiosos, de quem podemos aprender e em quem podemos nos espelhar?

Como Criador da família, Deus é o único com autoridade e direito de decidir o que ela é, para que existe e como deve funcionar?

Queremos lares projetados por Deus. Queremos aprender a ser famílias que vivem a realidade do Reino de Deus aqui na terra, debaixo do senhorio de Cristo. ?(...) tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus? (Filipenses 1.6).

Creio, de todo o coração, que Deus nos aperfeiçoará até chegarmos a ser um povo com as características que o agradam: famílias sólidas, estáveis; solteiros que mantêm sua pureza; casais que convivem em harmonia e fidelidade; pessoas que vivem com a dignidade inerente a todo ser humano; pessoas diligentes, responsáveis, trabalhadoras, generosas e prontas para o serviço cristão, vivendo num ambiente de amor, ordem e paz.

Apesar de conhecermos bem as ciladas do diabo ? tanto pelo que a Palavra de Deus nos ensina quanto por nossas experiências diárias?, não podemos incorrer no escapismo de culpar o inimigo por tudo que conspira contra o lar. É preciso lembrar que boa parte dos problemas enfrentados pela família ocorre em função das inabilidades humanas e da falta de disciplina em relação aos projetos do Senhor para as vidas de seus filhos.

Penso que determinados obstáculos começam dentro da própria estrutura do lar. Ao identificá-los, assumi-los e, humildemente, colocá-los diante do Pai celestial, a família pode dar o primeiro passo para ver realizado o milagre da Ressurreição dentro da própria casa. Gostaria de refletir sobre alguns deles com você.

Carência de propósito

Muita gente simplesmente não determina propósito algum para sua vida. Casa, trabalha, se esforça, adquire casas, tem filhos, mas não sabe bem para quê.

Se perguntarmos à maioria dos noivos por que motivo pretendem casar, eles não saberiam dar uma resposta clara. São capazes de planejar os mínimos detalhes do casamento "o vestido, a festa, a viagem, os móveis, a lista de convidados etc. ", mas provavelmente jamais se fazem esta pergunta fundamental: "Por que vou casar?". Esta falta de propósito leva muitos pais a crer que cumpriram seu dever em relação aos filhos se forem bons provedores de comida, roupa, moradia, saúde, educação, recreação etc. Não se dão conta de que, ainda que tudo isso seja necessário, não constitui precisamente o fundamental.

Objetivos equivocados

A carência de um propósito claro para a família faz com que nos desviemos para os objetivos equivocados e façamos dos meios um fim, e do secundário, o principal:

Ganhos materiais: o progresso material tem se transformado no objetivo principal de muitas famílias. A grande meta é o suposto ?conforto?. Perde-se a vida desejando e trabalhando para alcançar o desejado; depois, segue-se trabalhando para manter o alcançado. O pensamento está sempre atrás de alguma nova aquisição. Neste caso, as pessoas sacrificam e adiam a família por causa do lucro. ?E (Jesus) disse ao povo: Acautelai-vos e guardai-vos de toda espécie de cobiça; porque a vida do homem não consiste na abundância das coisas que possui? (Lucas 12.15).

Gratificação pessoal e egoísta

Há aqueles que se casam pensando somente em si mesmos. Seu objetivo não é dar, mas receber; não servir, mas ser servidos. E isto acontece no âmbito da vida material, na vida sexual e no tocante às responsabilidades familiares. A única garantia, porém, é a do fracasso do lar.

Endeusamento da própria família:

Alguns fazem da família um fim em si. Seu projeto pessoal de felicidade e conveniência converte-se na meta mais alta da vida familiar. Mesmo sem se dar conta, consideram Deus apenas um excelente meio para alcançar o bem-estar. Tais famílias vivem tão-somente preocupadas com sua própria fama e seu nome. Dedicam-se por inteiro à própria comodidade e ao prazer pessoal.

Obtenção de benefícios

Este é o objetivo da maioria dos casamentos que se constituem, ainda que inconscientemente. É claro que há benefícios legítimos que Deus mesmo tem outorgado ao casamento, como a alegria de viver em companhia, o afeto, a felicidade, o deleite que proporciona o ato sexual, a alegria de pertencer a um núcleo familiar, a cobertura espiritual, a proteção, os filhos etc.

A questão, porém, diz respeito a saber se é razoável fazer destes benefícios o propósito para a família. Mais adiante, durante o desdobramento deste texto, veremos que a resposta não é tão simples quanto parece. Diante de nossas limitações, não é difícil concluir que a família só pode experimentar a verdadeira vida plena se adotar os padrões de Deus como conduta e a glória do Senhor como objetivo. ?Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém? (Romanos 11.36).

E há motivos de sobra para depositarmos no Pai nossa inteira confiança. Pense bem: Deus é o Criador da família. Ele criou todas as coisas, fez o homem e a mulher e os uniu em casamento. E instituiu o casamento para todas as gerações. Como Autor da vida, é Ele quem dá os filhos aos casais. Deus também é Dono da família. Tudo que foi criado pertence a Deus. Portanto, a família lhe pertence. ?Do Senhor é a terra e a sua plenitude; o mundo e aqueles que nele habitam? (Salmos 24.1).

Sendo o Criador, o Dono e o Sustentador da família, é natural que o Pai celestial tenha um propósito para ela, assim como ele reserva um plano para todas as criaturas e para o universo, como um todo. Isto significa que também para os lares o Senhor traçou uma meta. ?(...) nele (...) também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade? (Efésios 1.11).

Nem sempre a idéia de submeter a família ao plano de Deus agrada. Há quem prefira determinar os próprios rumos, desprezando a vontade e a autoridade que o Senhor exerce em amor. No entanto, quando nos conscientizamos de que a família existe para a glória daquele que a criou, a conseqüência natural é a felicidade e o bem-estar ? que constituem os acréscimos, não o propósito central. O fim supremo da família é a glória de Deus. ?Mas buscai primeiro o seu Reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas? (Mateus 6.33).

Entender este propósito de Deus para a família é fator fundamental para a compreensão da importância de mantê-la viva ? afinal, a grande mensagem da Ressurreição é a vida. Há perguntas cuja resposta é crucial para a saúde do lar. Para que Deus instituiu o casamento? Por que deu uma esposa a Adão? Para que fez homem e mulher uma só carne?

Deus tem um propósito eterno: desde antes da fundação do mundo, determinou ter uma família com muitos filhos se melhantes a seu Filho Jesus. "Porque aqueles que antes conheceu, também os predestinou para que fossem feitos conforme à imagem de seu Filho, para que Ele seja o Primogênito entre muitos irmãos" (Romanos 8.29). Boa parte dos problemas enfrentados pela família ocorre em função da falta de disciplina em relação aos projetos do Senhor para as vidas de seus filhos "Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade"  (Efésios 1.4-5).

A família existe em função do propósito eterno de Deus, para cooperar com sua realização. Deus quer ser pai de uma grande família. Malaquias afirma o propósito de Deus ao fazer do homem e da mulher "uma só carne", quando diz: "E não fez Ele somente um, ainda que lhe sobejava espírito" E por que somente um?

Não é que buscava descendência piedosa?

"Portanto guardai-vos em vosso espírito, e que ninguém seja infiel para com a mulher da sua mocidade? (Malaquias 2.15).

Não foi Adão quem quis ter uma família, mas Deus deu aos homens a capacidade de se multiplicar e ter filhos. E aprouve a Deus gerar, a partir desta descendência, muitos homens e muitas mulheres que se tornaram filhos por meio de Jesus Cristo. ?Disse mais o Senhor Deus: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora que lhe seja idônea? (Gênesis 2.18). Deus não deu ao homem uma simples companheira, mas uma ajudadora idônea, para que neles e através deles pudesse realizar seu plano.

Tenha sempre isto em mente: a família foi programada para Deus para cooperar com o propósito eterno do Senhor. E assim como a sepultura não foi capaz de impedir a realização deste propósito, também a família pode viver ainda hoje o milagre da Ressurreição.

Autor: Carlos Alberto Bezerra