Uma Filosofia de Educação Autenticamente Cristã


“Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3.16,17)

INTRODUÇÃO
Josef Stalin compreendia muito bem a importância da educação para um estado ditatorial. Ele a via não como um bem comum, mas como uma arma a ser assestada contra os direitos fundamentais da pessoa humana. Disse ele: “A educação é uma arma cujo efeito depende de quem a maneja e para quem é apontada”.

Enquanto ditadores sanguinários como Stalin e Mao-Tsetung utilizaram-se da educação para infelicitar seus povos, paladinos da justiça, como o jurista baiano Rui Barbosa, defendiam a educação como a grande promotora da felicidade dos povos. Embora partidário do ensino laico, Rui defendia não somente a educação moral e cívica, como também o ensino religioso nas escolas brasileiras, a fim de que nossas crianças recebessem uma formação completa e viessem a conscientizar-se de seus deveres tanto diante da sociedade como perante Deus. Aconselha o grande tribuno:

“Inspirai às crianças as idéias de Deus como bom pai, Deus autor de todas as coisas; da imortalidade da alma; da consciência; da verdade; da obediência; da assiduidade; do asseio; da ordem. Este ensino há-de ser todo o ponto chão, familiar, desouriçado de frases técnicas, estreme de qualquer formalismo; convindo, sobretudo exemplificai-o em casos e incidentes da vida ordinária. Dessa instrução a chave será “o pai nosso que estais no céu; porque, partindo daí, assumirá para os meninos uma significação real o dever de amor, reverencia e obediência a Deus”.

Se a educação pode ser usada para escravizar toda uma nação como a Coreia do Norte e Cuba, por exemplo, haverá de ser utilizada também pela Igreja de Cristo para libertar os homens tanto espiritual quanto moralmente.

Mas para que isso ocorra é fundamental que os cristãos tenhamos uma filosofia de educação bem definida e alicerçada nas Sagradas Escrituras, nossa única regra de fé e prática.
 

I. A FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

Não é difícil definir a Filosofia da Educação Cristã. Afinal, sobre esta refletimos todos os dias, mesmo quando não freqüentamos a Escola Dominical ou deixamos de assomar o púlpito. Faz-se ela presente em cada uma de nossas devoções, na leitura da Bíblia e no serviço cristão. Vejamos, em primeiro lugar, o que é a Filosofia.

1. O que é a Filosofia. Etimologicamente, a palavra Filosofia, oriunda do grego, significa amor pela sabedoria. Logo, o filósofo, como bem o acentuou Pitágoras, não é propriamente um sábio, mas um amigo do saber.

A Filosofia, pois, é a ciência que tem por objetivo levar o ser humano à reflexão. E isso ocorre todas as vezes que, perplexos diante dos fatos da vida, pomo-nos a desbanalizar o banal, como enfatiza o filósofo brasileiro Paulo Ghiraldelli Jr. E, agora, já conscientes de nossa missão no Universo que Deus nos criou, começamos a problematizar e a meditar sobre os poderosos atos do Criador.

O teólogo e filósofo norte-americano R. C. Sproul assim discorre acerca da necessidade da Filosofia: “A Filosofia nasceu da antiga busca da realidade última, a realidade que transcende o que é próximo e comum e define e explica os elementos da experiência diária”.

2. O que é a Filosofia da Educação Cristã. Tendo em vista o significado e o propósito da Filosofia, é-nos possível definir a Filosofia da Educação Cristã como o resultado de uma reflexão sistemática e metódica sobre o ensino e o aprendizado do ser humano que, tendo como base as Sagradas Escrituras, orienta a ação da Igreja quanto à educação de seus membros e da sociedade na qual está inserida, a fim de que o homem de Deus seja perfeito em todos os seus caminhos.

3. Filosofia ou Teologia da Educação Cristã? Secularmente, a orientação ideológica de um sistema educacional é conhecida como Filosofia da Educação. No âmbito evangélico, porém, costumamos usar uma outra nomenclatura: Teologia da Educação. Para efeitos didáticos e a fim de sermos entendidos pela comunidade pedagógica, usaremos uma designação que, embora já conhecida, ainda não foi totalmente assimilada no ambiente pedagógico evangélico.
 

II. A NECESSIDADE DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

Ao discorrer sobre o panorama da educação do mundo ocidental, John D. Redden não é nada otimista: “O pensamento e ação educacionais modernos caracterizam-se pela confusão e indecisão”.

1. Necessitamos de uma filosofia da educação cristã bem definida, porque a Grande Comissão que nos confiou o Senhor Jesus contempla, necessariamente, a educação dos povos:

“Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do século” (Mt 28.19,20).

2. Necessitamos de uma filosofia da educação cristã bem definida porque a Igreja não é somente uma comunidade adoradora e proclamadora. Em sua proclamação e adoração, avulta-se ela, de igual modo, como a educadora por excelência do ser humano.

O teólogo suíço Karl Barth afirma: “A Igreja deve examinar seu testemunho para assegurar-se de que ele é fiel. Desde modo, a fé a vida da igreja estão sendo sempre provadas à luz da continua exegese das Escrituras. A Igreja a Palavra de Deus, e, porque escuta, está obrigada a ser uma igreja que ensina”.

A Igreja de Cristo tem de ser vista como uma Igreja Docente.

3. Necessitamos de uma filosofia da educação cristã bem definida, porque um educador cristão não pode prescindir de um embasamento filosófico, cujo fundamento acha-se nas Sagradas Escrituras.

4. Necessitamos de uma filosofia da educação cristã bem definida, porque, como Igreja Docente, temos de atuar tanto como a luz do mundo e o sol da terra, para impedirmos a degenerescência de nossa sociedade.
 

III. OS FUNDAMENTOS DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

A Filosofia da Educação Cristã tem como fundamentos:

1. Bíblia Sagrada. A Bíblia Sagrada, como a inspirada e inerrante Palavra de Deus, é o livro de texto por excelência do ser humano. Sociedades e civilizações têm sido educadas e orientadas na doutrina dos profetas hebreus e apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Eis o que diz Paulo acerca do caráter educativo da Bíblia: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.16,17).
 
A Bíblia não se limita a instruir o homem; ela transforma-o radicalmente, como salienta o evangelista e teólogo norte-americano William Henry Houghton (1887 – 1947): “Muitos livros foram publicados para nossa informação; a Bíblia, contudo, foi-nos concedida para a nossa transformação”.

Não podemos esquecer-nos jamais da importância da Bíblia para a Civilização Ocidental. Se hoje desfrutamos de liberdades individuais e sociais, devemo-lo à Bíblia Sagrada. Ao repensar a História, escreveu o jornalista e político americano Horace Greely (1811 — 1872): “É impossível, mental e socialmente, escravizar um povo que lê a Bíblia”.

2. Tradição magisterial da Igreja. A Igreja de Cristo já nasceu educando e transformando o ser humano. Como resultado do sermão de Pedro no Pentecostes, mais de três mil almas converteram-se ao Senhor Jesus. Nenhum curso foi tão bem-sucedido quanto àquele único e singular pronunciamento. Uma única aula presencial foi suficiente para não somente formar, como também transformar quase três mil almas (At 2.41). Que mestre jamais conseguiu semelhante façanha? O Espírito Santo, através da Igreja de Cristo, continua a educar social e espiritualmente o homem.

Que a Igreja de Cristo, pois, seja vista como a escola que prima pela excelência de seu ensino. Ela foi instituída por Deus para educar o ser humano na verdade, a fim de que este tenha um encontro experimental com o Criador. O pastor norte-americano Henry W. Beecher (1813-1887) entendeu perfeitamente o caráter magisterial da Igreja: “A igreja não é uma galeria para a exibição de cristãos eminentes, mas uma escola para a educação dos incultos, uma creche para cuidar dos débeis e um hospital para a recuperação e cura dos enfermos espirituais”.

3. Necessidade educacional do ser humano. Ao popularizar o culto à natureza, o filósofo suíço Jean-Jaques Rousseau (1772-1778) acabou por criar o famoso bom selvagem. O que existe na verdade é o mau civilizado. Sim, o homem que, apesar de educado e ilustrado nos mais requintados centros de excelência, ainda conserva, em seu interior, o germe do pecado que o transforma não somente num selvagem, mas num monstro que, se não controlado, destrói, mata e pratica os mais bárbaros crimes contra a humanidade. Somente o Evangelho de Cristo pode transformar o bom selvagem e o mau civilizado numa nova criatura.

De conformidade com as Sagradas Escrituras, todos pecaram e encontram-se destituídos da graça de Deus (Rm 3.23). Ora, se o homem é concebido em pecado e por natureza deleita-se no pecado, isso significa que todos carecemos ser educados no Evangelho de Cristo. Nenhuma outra plataforma educacional, a não ser a mensagem da cruz, será capaz de transformar o homem num membro realmente útil à sociedade e ao Reino de Deus.
 

IV. OS OBJETIVOS DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

A educação secular limita-se a fazer do homem uma peça útil à engrenagem social. Não é a sua missão, assim pensa a maioria dos pedagogos, preparar-nos a uma vida de retidão diante de Deus e da sociedade. Aliás, hoje nem mais faz parte do currículo dos ensinos básico e médio a velha e já caduca Educação Moral Social e Cívica. E o resultado não poderia ser pior: acabamos por criar uma geração indiferente à ética e aos mais elementares dos valores morais.

Como resultado desse aleijão que recebe pomposas nomenclaturas pedagógicas, não são poucos os criminosos que estão a ostentar os mais elevados títulos acadêmicos, conforme assevera o presidente americano John Calvin Coolidge (1872 — 1933): “O mundo está cheio de delinqüentes educados”. Não nos esqueçamos de que alguns dos mais íntimos colaboradores de Hitler eram celebrados acadêmicos.

A Educação Cristã, todavia, tendo como base o Evangelho de Cristo, transforma radicalmente o ser humano, tornando-o útil a Deus, à sociedade e a si mesmo. Vejamos, pois, quais os principais objetivos da Filosofia da Educação Cristã.

1. Propiciar ao homem um encontro experimental com Deus. O Evangelho de Cristo é o maior projeto educacional já oferecido à humanidade, pois não se limita a informar o homem. Formando e transformando-o, faz dele um cidadão modelo tanto da terra como dos céus.  Somente o Evangelho contempla-o como um todo; os demais sistemas educacionais vêem-no apenas como um animal político – um ser meramente utilitário, um fruto de uma escravizante evolução. Herbert Gezork, pastor e teólogo norte-americano, reconhece a realidade da educação completa proporcionada pelo Evangelho de Cristo: “Há somente um evangelho. Ele se destina ao homem integral, sua família, sua comunidade, seus vizinhos, sua nação, seu mundo”.

O Novo Testamento apresenta o homem como a obra prima de Deus. E como tal deve ser educado em sua Palavra, a fim de que alcance a perfeição. É o que nos requer o Todo-Poderoso: “Anda na minha presença e sê perfeito” (Gn 17.1). Tendo em vista essa demanda, aparentemente impossível de ser atendida por um mortal, a mensagem da cruz proporciona ao ser humano a oportunidade de um encontro experimental com Deus por intermédio de Nosso Senhor Jesus Cristo. Somente a partir desse encontro e dessa experiência é que nos pomos a caminhar rumo à perfeição. Se a Bíblia não exigisse de nós, seres imperfeitos, a perfeição, não seria ela a inspirada e inerrante Palavra de Deus. O pastor reformista de origem escocesa Andrew Murray explica porque Deus reivindica de suas criaturas morais uma vida perfeita: “A perfeição não é uma exigência arbitrária; devido à natureza das coisas, Deus não pode pedir menos”.

Em virtude dessa exigência divina, cabe à Educação Cristã aparelhar-se teológica e pedagogicamente, para oferecer ao ser humano uma formação completa. Somente a Igreja de Cristo pode fazê-lo. Afinal, foi-nos confiado o livro de texto por excelência da humanidade. Ao discorrer sobre a educação integral do homem, o evangelista escocês Henry Drummon é categórico: “O evangelho deve apoderar-se da totalidade do homem – corpo, alma e espírito – e dar a cada parte de sua natureza seu exercício e recompensa”. Sim, somente o Evangelho de Cristo é capaz de educar integralmente o homem.

2. Levar o homem à prática das boas obras. Já experimentando uma comunhão pessoal com Deus, o Evangelho de Cristo conduz o homem à perfeição através da observância das Sagradas Escrituras: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2 Tm 3.16,17).

3. Tornar o homem útil à sociedade. Se o cristão educa-se por apresentar-se perfeito diante de Deus, certamente mostrar-se-á irrepreensível perante uma sociedade hipócrita, mentirosa, corrupta e discricionária. A pedagogia cristã é o sal de uma terra insípida e a luz de mundo sepultado em trevas.

Não resta dúvida, por conseguinte, de que a Igreja de Cristo é a grande pedagoga da humanidade. Ela tem falhas? Como igreja local e visível, sim. Invisível e universalmente, não. Mas até em suas imperfeições, contemplamos a perfeição de Cristo. Pois, consciente daquelas, busca humildemente esta. O evangelista norte-americano Stanley Jones fala da ação redentora e pedagógica da Igreja: “A Igreja Cristã, com todas as suas faltas, é a melhor instituição de serviço no mundo. Tem muitos críticos, mas não tem rivais na obra da redenção humana”.
 

V. OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

Não podemos aceitar passivamente o currículo que nos impõe a escola leiga. A grade curricular que nossas crianças são obrigadas a absorver, com prejuízo da própria fé, busca incutir-lhes uma cosmovisão completamente antagônica aos princípios cristãos. Aliás, não se trata de uma mera grade curricular, mas de uma cadeia, onde são aprisionados, teológica e filosoficamente, nossos filhos e netos. Ali, são forçados a pensar de acordo com o sistema que, sub-repticiamente, vem sendo engendrado por homens que se deleitam em opor-se ao próprio Deus.
 
1. A soberania da Bíblia Sagrada. Embora laico, o Estado não pode arvorar-se acima da Bíblia Sagrada, pois esta é e sempre será a inspirada, inerrante, soberana e completa Palavra de Deus. Nenhuma lei, por mais elevada, pode contrariar as Santas Escrituras. O que temos visto é que algumas matérias são criadas com o único propósito de desconsiderar a Bíblia, taxando-a de retrógrada e até de caduca. Portanto, que nenhum currículo seja criado com o intuito de combater o Livro de Deus.

Se, por um lado, não são poucos os governantes que, menosprezando a Bíblia, exaltam filosofias imediatistas e moralmente lassas, por outro, ainda é possível encontrar mandatários que desafiam toda essa onda mundana e diabólica, tendo a Palavra de Deus em elevada estima. Haja vista o apreço que lhe manifestava o imperador Dom Pedro II do Brasil: “Eu amo a Bíblia. Leio-a todos os dias, e, quanto mais a leio, tanto mais a amo. Há alguns que não gostam da Bíblia. Eu não os entendo. Admiro na Bíblia a sua simplicidade, as suas repetições e as reiterações da verdade”.

2. O criacionismo. Embora ensinada como verdade científica, a Teoria da Evolução não passa de uma grosseira suposição. É tão carente de confirmações quanto o Big Bang. Todavia, é ministrada nas escolas como um dogma científico. E ai do professor que ousar ensinar o criacionismo bíblico.

A escola atual, arvorando a inverdade de Darwin, aumentou o antagonismo entre a ciência e a religião. Um antagonismo, aliás, que jamais deveria existir; a verdadeira ciência não entra em confronto com a religião bíblica e única. Afinal, pesquisar e descobrir é uma tarefa que Deus entregou aos filhos de Adão. Aqui está o mandato cultural e científico que o Criador entregou ao homem: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; tenha ele domínio sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra” (Gn 1.26).

O cientista alemão Wernher von Braun, que se notabilizou como cientista da Nasa, afirma que nenhuma guerra deve ser travada entre a religião e a ciência. Eis o que ele declara: “A ciência e a religião não são antagonistas, mas irmãs. Ambas procuram a verdade derradeira. A ciência ajuda a revelar, de uma maneira mais acentuada, acerca do Criador, através de sua criação”. Por isto, não podemos aceitar arremedos curriculares, que promovam o antagonismo entre a fé cristã e verdadeira ciência.

3. Relativismo moral. Além de os atuais currículos forçarem nossos filhos e netos a aceitarem como verdades científicas algumas teorias que nem como hipóteses deveriam ser aceitas, induzem-nos a trocar os valores bíblicos por uma moral relativista e pecaminosa. Assim, vão os modernos pedagogos forjando uma geração despojada de parâmetros morais absolutos. Sem estes, como poderá sobreviver a já enferma e debilitada Civilização Ocidental?
 

Ensinos nocivos e abomináveis:

a) Opção sexual.
b) Inexistência de verdades absolutas.
c) Violação da santidade da vida: aborto, eutanásia e engenharia genética visando à eugenia.
d) Desrespeito aos pais sob o pretexto de leis de proteção à criança e ao adolescente.
 

VI. O QUE PODEMOS E DEVEMOS FAZER PARA QUE A IGREJA CUMPRA A SUA VOCAÇÃO MAGISTERIAL

A educação do Mundo Ocidental deve mais à Igreja Cristã do que ao decadente e corrupto Império Romano. Se o sistema educacional deste prestava-se a formar uma elite para dar continuidade à governabilidade de Roma, aquela sempre apresentou-se para informar, formar e transformar a criança nos caminhos do Senhor, a fim de que se torne útil tanto ao Reino de Deus como ao mundo dos homens. O ensino fundamental é fruto do trabalho catequético da Igreja. Quanto às universidades, não há o que se discutir; nasceram elas nos monastérios e conventos que se fizeram centros de excelências educacionais.

Por conseguinte, temos de resgatar, o mais depressa possível, a vocação magisterial da Igreja de Cristo. Eis o que urge fazermos de imediato:

1. Uma Filosofia educacional. Como educadores e filósofos da educação, estabeleçamos as linhas mestras de uma educação verdadeiramente cristã, que leve em conta os valores comprovadamente bíblicos. E que esta educação não fique circunscrita ao púlpito nem se limite à Escola Dominical, mas force as igrejas a pensar com mais seriedade na educação de nossas crianças.

A Educação Cristã tem de apresentar as linhas mestras de uma Filosofia pedagógica que tanto prepare o homem para o céu, como o habilite a viver na terra como representante do Reino de Deus.

É hora de apresentarmos às autoridades constituídas nossas demandas curriculares, para evitarmos que nossos filhos e netos não tenham a sua formação cristã desconstruída por pedagogos liberais e anticristãos. Mas nada poderemos fazer se não tivermos uma Filosofia da Educação Cristã bem definida, clara e que apresente as reivindicações das Sagradas Escrituras.

2. Construção de Escolas que primem pela excelência. Muitos são os nossos seminários, faculdades teológicas e institutos bíblicos. Poucos, entretanto, são os educandários voltados à formação básica e médica de nossas crianças e adolescentes. Por que nós evangélicos não investimos na educação de base? Como haveremos de ter bons seminários se não nos dedicamos ao ensino elementar?

Afirmou o romancista francês Victor Hugo: “Quem abre uma escola, fecha uma prisão”.

Todavia, se nos dispusermos a construir escolas, que estas primem pela excelência e não apenas pela quantidade. Se as escolas católicas e adventistas são vistas como centros de excelência no ensino e na formação de crianças, adolescentes, jovens e adultos, não podemos conformar-nos a não ser com a própria excelência.

3. Formação de professores conscientes de sua missão educativa. Num congresso como este, não objetivamos apenas a formação de professores de Escola Dominical. Visamos de igual modo à conscientização de todos os nossos mestres, pedagogos e filósofos da Educação Cristã, a fim de que proporcionemos uma educação de qualidade aos nossos filhos e netos. É imperativo que façamos triunfar os valores cristãos numa sociedade pós-cristã e explicitamente anticristã. E somente o faremos se começarmos pela educação.

Sua missão, professor, não é somente inadiável; é pessoal e intransferível. Forjemos, pois, uma Filosofia da Educação Cristã realmente bíblica e que prime pela excelência. Encerro esta conferência com a advertência de Paulo: “o que ensina esmere-se no fazê-lo” (Rm 12.7).

4. Os educadores cristãos como a voz profética do magistério eclesiástico.
 

CONCLUSÃO

Todo processo educacional demanda uma base filosófica. Aliás, não se pode conceber uma pedagogia desprovida de um escorso ideológico. Isso seria inconcebível. Mesmo os educadores que se apresentam como despidos de filosofia têm a sua própria filosofia. Ignorando a filosofia primeira e última, apequenam-se eles em orientações políticas e pseudocientíficas sempre mesquinhas e contrárias ao Cristianismo. Menosprezando-o, atentam contra a dignidade do ser humano; buscando destruir-lhe os fundamentos, acabam por derruir as bases da educação que nos legaram os profetas hebreus e os apóstolos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Divorciar a Pedagogia da Filosofia é uma temeridade. Aquela, como toda ciência de fronteira, tem de estar aberta às orientações desta. Entre ambas pode haver até conflitos iniciais; antagonismos finais, não.

Se a educação secular não pode prescindir de uma base ideológica, como a Educação Cristã, que lida com o destino eterno da alma humana, haverá de cumprir a sua missão sem um sólido alicerce teológico e filosófico? Sem esse fundamento, jamais cumpriremos a nossa tarefa.  Infelizmente, já estamos a assistir, impotentes e enlutados, a morte espiritual e moral da sociedade conhecida, até este instante, como cristã.

Para que não se lavre de imediato o óbito de nossa civilização, é urgente que a Igreja de Cristo levante-se como a pedagoga por excelência da humanidade. Afinal, a Grande Comissão, que lhe confiou o Cristo de Deus, traz em si um explícito mandato educacional. John Ruskin (1819-1900), escritor e crítico social britânico, parece ter compreendido muito bem a tarefa magisterial da Igreja. Ao contemplar a realidade educacional da Inglaterra de seus dias, afirmou: “A Igreja precisa manifestar-se na vida da Escola, e os estudantes, na vida da Igreja, enquanto estão na Escola”.

| Autor: Claudionor de Andrade | Divulgação: EstudosGospel.Com.BR |


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