Última Parada Antes do Paraíso!


Refidim era um oásis conhecido. Provavelmente havia em todos a expectativa de que lá chegando, sua sede seria saciada. Porém, para a surpresa de todos, não havia água em Refidim (Êx.17:1). “Refidim” significa “Lugares de Descanso”, ou ainda, “Lugares de Refrigério”. Mas definitivamente, aquele lugar não fazia jus ao nome. Provavelmente, fizera um dia, mas não mais. Refidim foi engolido pelas areias do deserto.

Frustração geral. Todos começaram a murmurar, e a questionar a Moisés: “Por que nos fizeste subir do Egito, para nos matares de sede, a nós e a nossos filhos, e a nosso gado?” (Êx.17:3). Por causa deste episódio, o lugar passou a ser chamado de Meribá, que significa “contenda”. Tudo porque tentaram ao Senhor, dizendo: “Está o Senhor no meio de nós, ou não?” (v.7).

Muitos imaginam que a presença do Senhor é a garantia de que jamais atravessaremos momentos de privações e tribulações. Por isso, tão logo enfrentem adversidades, começam a murmurar, pondo o Senhor à prova. O mesmo salmista que diz que o Senhor, sendo nosso pastor, nos guia às águas tranquilas, e nos conduz por pastos verdejantes, também ventila a possibilidade de que, em algum momento, atravessemos o vale da sombra da morte. Porém, ele diz não haver razão para temermos, pois o Senhor está conosco (Sl.23).

Em Meribá, Israel considerou retroceder. O presente marcado pela adversidade era ofuscado pelo passado de abundância no Egito. Naquele instante, a Terra Prometida, antes tão almejada, parecia não passar de uma miragem. Será que valeria a pena prosseguir? O clima esquentou de tal maneira, que os hebreus chegaram a dizer que preferiam ter morrido à ter que passar por aquilo (Nm.20:3).

Quantas vezes somos tentados a levantar a mesma questão? Nesses momentos, recordemos de que Deus não tem prazer naquele que recua. Que não sejamos contados entre os que retrocedem para a perdição (Hb.10:38-39), mas entre os que avançam.

Refidim representa aquele ponto em que já passamos da metade do caminho, estamos mais próximos de nosso destino do que de nosso ponto de partida, porém, aindo podemos retroceder ou avançar. Paulo fala sobre este ponto na jornada cristã:

“E fazei isto, conhecendo o tempo. Já é hora de despertarmos do sono, porque a nossa salvação está agora mais perto de nós do que quando aceitamos a fé” (Rm.13:11).

Apesar disso, o passado ainda dá sua última cartada, tentando atrair-nos novamente, exercendo fascínio sobre nós.  Ficamos a imaginar como teria sido se não houvéssemos embarcado nessa. Se tivéssemos ficado por lá. Por isso disse anteriormente, que Mara representa a maneira como Deus lida com nosso passado, transformando águas amargas em doces; Elim representa o presente que nos conclama ao comodismo; Canaã representa o futuro que nos desafia a marchar; Refidim é o futuro do pretérito, que nos excita a questionar como poderia ter sido diferente. Sentimo-nos numa guerra de cabos. Numa ponta da corda, o Egito, na outra, Canaã. A tensão é tamanha, que às vezes temos a sensação de que a corda se romperá.

O que fez Moisés naquele momento de tensão? Ele clamou ao Senhor: “Que farei a este povo? Daqui a pouco me apedrejarão. Então disse o Senhor a Moisés: Passa adiante do povo” (Êx.17:5a).

Líderes devem viver um passo à frente dos demais. Líderes vislumbram o futuro, sem deixar-se distrair com as demandas do presente. Não significa que eles ignoram tais demandas, e sim que eles não permitem que elas ofusquem sua expectativa quanto ao futuro.

O relato de Números é mais detalhado:

“Disse o Senhor a Moisés: Toma a vara, ajunta o povo, tu e teu irmão Arão. Na presença deles ordenai à rocha que dê as suas águas. Assim lhes tirareis água da rocha, e dareis a beber ao povo e aos seus animais” (Nm.20:7-8).

A orientação estava clara. Bastava que Moisés falasse à rocha, e esta verteria água em abundância. A tensão era enorme. Talvez já houvesse gente com pedras nas mãos, disposta a executar seu líder. Ele até que começou bem, tomando “a vara de diante do Senhor, como lhe tinha ordenado” (v.10). Ele e seu irmão mais velho “reuniram o povo diante da rocha, e lhes disseram: Ouvi, agora, rebeldes, porventura tiraremos água desta rocha para vós? Então Moisés levantou a mão, e feriu a rocha duas vezes com a sua vara. A água jorrou abundantemente, e a congregação e os seus animais beberam” (vv.10-11).

Pronto. Problema resolvido. Ninguém mais teria razão pra murmurar. O resultado foi além do esperado. Havia água em abundância pra saciar não apenas os hebreus, como também seus animais. Mas agora, o problema de Moisés não seria mais com o povo, senão com o próprio Deus, que lhe disse em seguida: “Visto que não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, não introduzireis este povo na terra que lhe dei” (v.12). Sua performance lhe custou a entrada na terra prometida. Moisés quis dar espetáculo. Surrou a rocha, em vez de tão-somente lhe dirigir a palavra. Foi além daquilo que Deus lhe ordenara fazer. Por isso, tanto ele quanto seu irmão, foram contados entre os que morreram na jornada. Mais tarde, toda aquela geração foi igualmente reprovada. Em todos os testes a que foram submetidos, foram desqualificados. Dentre os que saíram do Egito, somente dois adentraram a Terra Prometida, a saber, Josué e Calebe.

Paulo afirma que tudo quanto aconteceu àquela geração obstinada foi registrado como advertência para nós. Mesmo tendo eles presenciado tão grandes obras, como a abertura do Mar Vermelho, o maná que vinha do céu, a água que vertia da rocha, a disposição de seu coração continou a mesma. “Deus não se agradou da maior parte deles, razão por que seus corpos foram espalhados pelo deserto” (1 Co.10:5). Paulo conclui: “Tudo isto lhes aconteceu como exemplos, e estas coisas estão escritas para aviso nosso, para quem já são chegados os fins dos séculos. Aquele, pois, que pensa estar em pé, cuida para que não caia” (vv.11-12).

Nem Moisés foi poupado. E o próprio Paulo demonstra preocupar-se com a possibilidade de ele mesmo vir a ser reprovado (1 Co.9:27). Não se trata aqui da salvação da alma, mas do cumprimento do propósito de Deus para a igreja no mundo. É claro que os propósitos divinos não correm risco. Embora aquela geração tenha ficado prostrada no caminho, a geração nascida no deserto, e que, portanto, nunca estivera no Egito, foi que conquistou Canaã. Assim, o propósito de Deus prevaleceu.

Se nossa geração falhar, Deus Se incumbirá de levantar outra. Nada impedirá a execução de Seus planos. Ora, se não quisermos ser desqualificados, devemos manter-nos obedientes à Sua Palavra, sem acrescentar-lhe nada.

O pecado que nos tirou do Jardim do Éden foi consumado quando Adão e Eva comeram do fruto de que Deus lhes havia proibido. Mas antes disso, Eva cometeu um sério erro ao acrescentar palavras à ordem dada pelo Criador. Deus disse que não comesse do fruto, mas quando abordada pela serpente, Eva disse que Deus lhes proibira de tocar no fruto. Foi esta a brecha encontrada para que o pecado fosse gerado. A alma da primeira mulher revelou-se fecunda para que o pecado germinasse.

Agur, no provérbio que lhe foi creditado, diz sabiamente:

“Toda palavra de Deus é perfeita; escudo ele é para os que nele confiam. Nada acrescentes às suas palavras, para que não te repreenda e sejas achado mentiroso” (Pv.30:5-6).

Ainda que obtenhamos resultados positivos, não valerá a pena acrescentar coisa alguma à Palavra de Deus. Moisés foi bem sucedido ao espancar a rocha. Naquele momento, ele conquistou o respeito de seu povo, mas perdeu a confiança de Deus.

Devemos nos importar mais com o que é certo do que com o que dá certo. Se houvesse obedecido, as águas teriam vertido da mesma maneira, e o coração de Deus teria se alegrado. Se obedecesse, teria sua entrada garantida na terra que manava leite e mel. Ele preservou sua imagem, mas expôs a autoridade de Deus.

Deus não nos chamou para o sucesso, mas para a fidelidade. Ainda que isso resulte em aparente e momentâneo fracasso. Paulo exorta aos cristãos da Galácia a que não acolhessem outro evangelho que fosse além do que já havia sido pregado. Sua preocupação era tanta, que ele chega a colocar-se na berlinda:

“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos anunciamos, seja anátema (…) Persuado eu agora a homens ou a Deus? ou procuro agradar a homens? Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” (Gl.1:8,10).

Os homens querem o espetáculo, o show, a performance. Mas Deus requer fidelidade à toda prova.

Paulo estava ciente de que ele mesmo poderia, em algum momento, vacilar. E se o orgulho lhe subisse o coração? E se perdesse o juízo? Se ficasse embriagado pela cobiça? Por isso, deixou os Gálatas de sobreaviso. Fiquem de olho em mim. Não aceitem qualquer coisa, mesmo que parta da minha boca. Verifiquem se está de acordo com as Escrituras e o que tem sido pregado até agora. Não sejam presas fáceis de ninguém. Façam como os bereanos que conferiam tudo o que lhes era dito com a Palavra.

Que Refidim seja para nós um lugar de descanso e refrigério, e jamais um lugar de contendermos com Deus. As águas fluam, não por havermos espancado a rocha, mas por havermos obedecido a Palavra do Senhor.

| Autor: Hermes C. Fernandes | Divulgação: EstudosGospel.Com.BR |


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