Tsunami Soberania Misericórdia, Deus ou o Diabo?


         Depois da perda de suas dez crianças devido a um desastre natural (Jó 1:19), Jó disse: "o Senhor deu, o Senhor tirou; bendito seja o nome do Senhor!" (Jó 1:21). No fim do livro, o escritor inspirado confirma o entendimento de Jó sobre o que aconteceu. Ele diz que os irmãos e irmãs de Jó o confortaram de todo o mal que o Senhor havia trazido sobre ele (Jó 42:11). Isso tem várias implicações decisivas para nós enquanto pensamos acerca da calamidade ocorrida no Oceano Índico.

  • Satanás não é a última palavra, Deus é.

        Satanás teve parte na tristeza de Jó, mas não a parte decisiva. Deus deu permissão a Satanás para afligir a Jó (Jó 1:12; 2:10). Mas Jó e o escritor deste livro tratam Deus como a última palavra e a causa decisiva. Quando Satanás aflige a Jó com chagas, Jó diz para sua mulher: "Recebemos o bem de Deus, e não receberemos o mal?" (Jó 2:10), e o escritor chama essas chagas satânicas de "o mal que o Senhor tinha trazido sobre ele" (Jó 42:11). Assim, Satanás é real. Satanás traz a tristeza. Mas Satanás não é a última palavra ou a decisiva. Ele está num laço. Ele não vai mais longe do que Deus permite, decididamente.

  • Mesmo que Satanás tenha causado o terremoto no Oceano Índico no dia depois do Natal, ele não é o causador final de mais de cem mil mortes; Deus é.

        Deus arroga a si poder sobre as tsunamis em Jó 38:8, quando pergunta retoricamente a Jó: "Quem encorrou o mar com portas, quando irrompeu e saiu da madre," e disse: "Até aqui virás, e não mais adiante, aqui se quebrarão as tuas orgulhosas ondas?". O Salmo 89:8-9 diz:
 
" Ó Senhor (...) Tu dominas o ímpeto do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as fazes aquietar". Salmo 89:8-9
        E o próprio Jesus tem hoje o mesmo controle que tinha sobre as ameaças mortais das ondas:
 
"Ele (...) repreendeu o vento e as ondas furiosas, e elas cessaram, e houve calmaria (Lucas 8:24).
        Em outras palavras, mesmo que Satanás tenha causado o terremoto, Deus poderia ter parado as ondas.

  • As calamidades destrutivas neste mundo misturam juízo e misericórdia.

        Seus propósitos não são elementares. Jó foi um homem justo e sua miséria não foi castigo de Deus (Jó 1:1, 8). Seu projeto foi o de purificar, não de castigar (Jó 42:6). Mas nós não sabemos a condição espiritual dos filhos de Jó. Certamente Jó sabia a respeito deles (Jó 1:5). Deus pode ter tomado a vida deles em juízo. Se isso é verdadeiro, então a mesma calamidade comprovou, ao final, ser misericórdia para com Jó e juízo às suas crianças. Isso é verdade sobre todas as calamidades. Eles misturam juízo e misericórdia. Elas são ambos castigo e purificação. Sofrimento, e até mesmo a morte, ambos podem ser juízo e misericórdia ao mesmo tempo.
         O mais claro exemplo disso é a morte de Jesus. Ela foi tanto juízo quanto misericórdia. Foi juízo sobre Jesus porque ele carregou nossos pecados (não os seus próprios), e a nós foi misericordioso, os que nele cremos, ao suportar nosso castigo (Gálatas 3:13; 1 Pedro 2:24) e para ser nossa justiça (2 Coríntios 5:21). Outro exemplo é a maldição que jaz sobre essa terra decadente. Aqueles que não crêem em Cristo experimentarão esse juízo, mas crentes o farão como uma misericordiosa, porém dolorosa, preparação para glória.
 
"Pois a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa daquele que a sujeitou" (Romanos 8:20).
         É a submissão a Deus. É por isso que estão havendo as tsunamis.
         Quem sofre pelos desastres naturais dessa terra decadente? Todos nós, incluindo os cristãos:
 
"Não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, aguardando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo." (Romanos 8:23).
         Para todos aqueles que lançam a si mesmos à misericórdia de Cristo, este aflições estão "preparando para nós um eterno peso de glória, acima de toda comparação" (2 Coríntios 4:17). E quando a morte vier, ela é uma porta para o paraíso. Mas para aqueles que não têm Cristo como tesouro, o sofrimento e a morte são o juízo de Deus.
 
"Pois já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?" (1 Pedro 4:17).

         Para as crianças, que são jovens demais para processar mentalmente a revelação de Deus pela natureza ou pela Escritura, a morte não é a palavra final de juízo. O compromisso de Deus para expor sua justiça publicamente significa que ele não condena definitivamente pessoas pecaminosas que não podem fisicamente interpretar a revelação natural ou a especial (Romanos 1:20). Há uma diferença entre suprimir a revelação que pode mentalmente ser compreendida (Romanos 1:18), e não ter um cérebro suficiente capaz para compreender isso tudo. Portanto, quando pequenas crianças sofrem e morrem, nós não podemos supor que elas serão punidas ou julgadas. Não importa quão horrível seja o sofrimento ou a morte, Deus pode mudá-los para o maior bem delas.

 

  • O coração que Cristo dá ao seu povo sente compaixão por aqueles que sofrem, não importa o que aconteça com sua fé.

        Quando a Bíblia diz: "Chorai com os que choram (Romanos 12:15), ela não acrescenta: "a menos que Deus tenha causado o choro". Os consoladores de Jó fizeram o melhor que podiam para chorar com Jó do que muito falar. Isso não muda quando nós descobrimos que o sofrimento de Jó tenha, no final das contas, vindo de Deus. Não: chorar com os que sofrem é correto. Dor é dor, não interessa o que a haja causado. Nós somos todos pecadores. A empatia flui não das causas da dor, mas da companhia da dor. E todos nós estamos juntos nisso.
         Finalmente, Cristo nos chama para mostrar misericórdia por aqueles que sofrem, mesmo que eles não a mereçam.
         Esse é o sentido da misericórdia - favor imerecido. "Amai vossos inimigos, e fazei o bem a quem vos odeia" (Lucas 6:27).
         Nas mãos piedosas de Deus Onipotente,

 

Autor: John Piper


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