Trigo e Joio


Em comparação com o trigo, realmente a semelhança é muito grande, especialmente quando ainda estão em desenvolvimento tenro.

A haste, as folhas, a cor, e até a direção para onde ambos pendem parecem gêmeas. O leigo dificilmente conseguiria identificar uma da outra, até que chegasse a fase da frutificação.

Sim, no amadurecimento da planta, mudanças significativas ocorrem e a diferença entre elas torna-se gritante.

O trigo muda de cor, assumindo um tom amarelado até chegar a palha, enquanto o joio permanece no seu verde sumo com rajas mais claras, como sempre foi; o trigo forma-se em pendão, elevando-se altivo, apontando para o céu, enquanto o joio se esparrama desfigurado, perdendo totalmente a forma de sua aparência inicial;

- A raiz do trigo, embora ele também seja da família das gramíneas, cresce para baixo, mas com pouca profundidade, facilitando a sua colheita; o joio, por sua vez, se alastra sorrateiro, se imiscuindo entre as raízes alheias; por fim, quando vêm os frutos, mais destaque se dá às diferenças: o trigo explode de dentro para fora em belos cachos de sementes, todas postadas em incrível ordem, formando um belo pendão, tornando agradabilíssimo aos olhos o seu espetáculo, tremulando ao vento ao longo de um vasto campo.

- O joio, ao contrário, produz umas bolotas enrugadas que, de imprestáveis que são, caem dos seus ramos antes mesmo de amadurecer. A ciência biológica até hoje não conseguiu definir qual o valor e utilidade dessa planta.

O Joio

Lolium temulentum, tipicamente conhecida como joio (ou cizânia), é uma planta anual pertencente à família Poaceae e ao gênero Lolium. De talo rígido, pode crescer até 1 metro de altura, com inflorescências na espiga e grão de cor violeta.

Usualmente cresce nas mesmas zonas produtoras de trigo e se considera uma erva daninha desse cultivo.

A semelhança entre essas duas plantas é tão grande, que em algumas regiões costuma-se denominar o joio como "falso trigo".

Pode ser venenosa e uma pequena quantidade de joio colhida e processada junto ao trigo pode comprometer a qualidade do produto obtido. Portanto, vem daí a famosa expressão "é preciso separar o joio do trigo", um ditado popular.

A planta, e a necessidade de separá-la do trigo é referenciada na Bíblia, no Evangelho segundo Mateus, na parábola que diz sobre as pessoas boas e as más, a mistura dos crentes entre os descrentes, mas ao final do tempo tudo será manifesto:

Outra parábola lhes propôs, dizendo: O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo; mas, enquanto os homens dormiam, veio o inimigo dele, semeou o joio no meio do trigo e retirou-se. E, quando a erva cresceu e produziu fruto, apareceu também o joio.

Então, vindo os servos do dono da casa, lhe disseram: Senhor, não semeaste boa semente no teu campo? Donde vem, pois, o joio? Ele, porém, lhes respondeu: Um inimigo fez isso. Mas os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.

O trigo, sim, é base do mais importante alimento de todos os tempos, em todas as culturas: o pão. Aquele que é o pão da vida, Jesus de Nazaré, disse que enquanto vivermos o tempo da oportunidade da graça, o joio estará no meio do trigo. E mais, não compete a nós arrancá-lo, pois, isso fazendo, poderemos arrancar junto o trigo.

A mistura é inevitável, afinal são da mesma família; as semelhanças acabam confundindo e enganando a muitos, e muitos danos são manifestos.

Muitos trigos são penalizados por causa do joio. Somente quando os frutos se revelam é que tudo se explica; é aí que se sabe quem é quem: “Pelos seus frutos os conhecereis”.

Há muita gente parecida com um crente, na aparência e na linguagem, mas são as obras de justiça e santidade quem revelam os verdadeiros filhos de Deus

| Autor: Pr Valderi Gomes | Divulgação: EstudosGospel.Com.BR |