Estudo Bíblico Gospel

Pecados Capitais: avareza, preguiça e gula


Introdução

        a. Em 1995 a PlayArte Home Vídeo lançou o filme Seven, com a participação de Brad Pitt, Morgan Freeman, Kevin Spacey, o filme, um suspense policial, acontece em torno da investigação de uma série de crimes em que o assassino escolhe as vítimas de acordo com os sete pecados capitais. O primeiro corpo encontrado é o de um homem extremamente obeso, que foi forçado a comer até a morte; os crimes seguintes correspondem à ganância, à luxúria, à vaidade e à preguiça, ficando a inveja e a ira reservadas para o desfecho do filme.
        b. Em 2003, uma empresa de sorvetes lançou em série especial de picolés inspirados nos sete pecados capitais. Durante a campanha, os comerciais desafiavam o público a descobrir qual seria o próximo pecado. A frase marcante da campanha foi “sua última chance de pecar”.
        c. A empresa de jogos eletrônico MonteCristo lançou em setembro de 2005 um jogo chamado 7Sin. A empresa usou o trocadilho entre as palavras Sin (pecado em inglês) e Sim (abreviatura para simulação). 7Sin é um simulador de pecados. A meta do jogo é adquirir riquezas, poder e influência na cidade pecando máximo possível. Nas versões para PC e Play2, você marca pontos, entre outras coisas, humilhando as pessoas, fazendo sexo indiscriminadamente e curtindo com a violência.
        d. Em Julho de 2006, o grupo Sensus estreou em São Paulo uma peça chamada “O Ritual dos 7”. Usando a poesia de Clarice Lispector e de outros autores, a peça,inspirada nos sete pecados capitais, tem como proposta discutir os segredos humanos.
        e. História. Estamos refletindo juntos sobre os sete pecados capitais. Eles são chamados assim, por serem considerados como portais de entrada para os demais vícios que atormentam a alma humana.
         A origem dessa tradição remonta ao século IV da era cristã, no movimento monástico cristão ocorrido no Egito, quando o monge grego Evágrio do Ponto (345-399) escreveu uma lista com oito pecados que afligiam a vida dos monges do deserto: Gula, Libertinagem, Avareza, Melancolia, Ira, Letargia Espiritual, Vanglória e Orgulho.
         Um dos discípulos de Evágrio, João Cassiano, levou essa relação ao ocidente, onde no século VI Gregório Magno fez algumas mudanças na lista, que resultou em sete pecados: Orgulho, Inveja, Ira, Melancolia, Avareza, Gula e Luxúria.
         Tempos depois, Tomás de Aquino e outros teólogos revisaram novamente a lista e chegou-se ao que hoje conhecemos como os sete pecados capitais: Soberba, Inveja, Ira, Preguiça, Avareza, Gula e Luxúria.
         É interessante observar que, embora já tenham passado mais de 15 séculos desde que os monges cristãos do Egito começaram a refletir sobre esse assunto, os sete pecados capitais continuam presentes na cultura ocidental; ainda que muitas vezes sejam desprezados quanto aos riscos que oferecem para a alma humana e outras vezes se transformem em mera campanha de marketing para vender picolé, como nós já vimos.
        f. Por quê? Porque refletir sobre os Sete Pecados Capitais em pleno século XXI? Esse não é um assunto ultrapassado, coisa antiga, dessas que já foram superadas pelos avanços científicos e tecnológicos? Não seria perda de tempo refletir sobre um tema como esse? Há pelo menos dois motivos pelos quais penso que nossa reflexão não será perda de tempo:

       •O primeiro motivo é exatamente a antiguidade do assunto. O pecado e os seus tentáculos acompanham o ser humano desde a criação e são marcas de nossa humanidade. Entender o ser humano é compreender suas lutas contra o pecado que tenta nos destruir.
         Foi a Soberba que levou Adão e Eva a desejar e pensar que era possível ser igual a Deus. A Preguiça fez com que Caim fosse relapso com seu rebanho e a Ganância o levou a não ofertar o melhor para o Senhor. A Inveja, por sua vez, acendeu a indignação de Caim contra Deus porque o Senhor se agradou da oferta de Abel. Por fim a Ira tomou conta de Caim ao ponto de atentar contra a vida do seu irmão Abel e matá-lo.
         Refletir sobre os pecados capitais é refletir sobre a natureza humana, nossas limitações e nosso anseio por cura e libertação. Reconhecer o pecado que habita nossa humanidade é um passo indispensável para confiar no Senhor e clamar pela salvação que vem Dele.

        •O segundo motivo para refletirmos sobre os pecados capitais é exatamente por que estamos no século XXI, um tempo em que as noções de certo e errado perderam força na sociedade e até se tornaram motivo de riso.
        Honradez, justiça, bondade, coragem, domínio próprio, temperança, paciência, generosidade e humildade são palavras esquecidas por toda uma geração. Mais que isso: são valores que pouco a pouco estão sendo extirpados, arrancados do nosso jeito de viver.
         Nossa sociedade tem bebido de uma taça misturada onde o bem e o mal não são distinguíveis, parecem a mesma coisa. É como um saboroso suco de fruta misturado a gotas de um veneno letal e lento em seus efeitos. Morre-se devagar!
        Para muitos hoje não importam os conceitos de bondade ou maldade. O que importa e levar a melhor. Mas a nossa caminhada através dos pecados capitais vai nos ajudar a reconstruir os conceitos bíblicos sobre certo e errado, vícios e virtudes, pecados e bem-aventuranças.
         Pode parecer estranho passar várias semanas falando sobre o pecado. Não era melhor falarmos apenas de coisas boas?
         Realmente a preocupação com a moralidade não é um bom sinal. Preocupar-se com a moralidade é como a preocupação com a saúde, geralmente é um sinal de doença, não de vitalidade. Mas ainda assim é uma preocupação necessária quando o objetivo é esclarecer ao doente desavisado sobre o estado da sua saúde.
         Em nossas cidades temos vivido com os pés atolados em lama podre e teimamos em afirmar que essa lama é um belo e verde gramado. Temos gastado nossos recursos com litros e litros de essência de grama verde. Derramamos a essência de grama sobre a lama podre do pecado e depois nos esparramamos sobre ela. Não funciona! Continua sendo lama, ainda que com cheiro de grama. A reflexão sobre os sete pecados capitais vai nos ajudar a reconhecer que estamos como os pés atolados na lama.

        •O terceiro motivo pelo qual vale pena a nossa reflexão, é que há uma saída para o estado de penúria da alma humana.
         Para cada um desses pecados, verdadeiros portais que nos expõem à destruição, vamos nos deparar com uma bem-aventurança dita pelo próprio Filho de Deus no sermão da montanha e com um pedido feito ao Pai em sua modelo.
         Nas bem-aventuranças, temos a ética do Reino. Um jeito de viver que é coerente como o evangelho de Jesus e nos protege de viver do nosso jeito. Nos pedidos ao Pai, temos à nossa disposição os recursos do Alto, necessários para enfrentar esse jeito diferente de viver.

2 - Desenvolvimento

2.1 Preguiça

        a. Preguiça é a inatividade de uma pessoa, aversão a qualquer tipo de trabalho ou esforço físico. Segundo o Dicionário Aurélio, preguiça é definida como “aversão ao trabalho, morosidade, negligência, moleza, indolência.” O sábio Salomão, em um de seus provérbios, foi enfático ao afirmar:
 
“A preguiça faz cair em profundo sono, e o ocioso vem a padecer fome.” (Pv. 19:15)

        E recomendou:  “Vai ter com a formiga, ó preguiçoso!...” (Pv. 6:6)

        b. Um preguiçoso para a psicologia é uma pessoa sem resistência moral e psicológica para os desafios impostos pela vida. Que busca justificativas sempre externas para a sua falta de ação naqueles momentos decisivos que lhe surgem.

        c. A preguiça produz numa pessoa as seguintes características:
  • Sentimento de inveja, que faz a pessoa atingida pela preguiça, culpar os outros pela sua própria inércia, mesmo sendo ele aquele que foge das oportunidades de aprendizado apresentadas pela vida.
  • Os apelos e cobranças da família ou pessoas próximas feitas para o seu melhoramento, podem gerar mais ressentimento, raiva. Segundo uma psicóloga, a pessoa prefere “ficar lamentando do que receber amor e conselhos”.

        d. A "cura" da preguiça inicia quando a própria pessoa passa a se sentir constrangida pela situação de inatividade em que se encontra, desejando para si uma vida mais saudável e um convívio mais harmônico com as demais pessoas. Nesta etapa é importante que o enfermo se desvencilhe da imagem de preguiçoso que criou em torno de si, convencendo-se das suas próprias capacidades e aptidões.

        e. É interessante observar que, ainda que Deus tenha poder para fazer tudo, Ele dedicou algumas coisas para nós fazermos. São coisas que ele não fará por nós porque são coisas que cabem exclusivamente a nós. Jesus poderia ter tirado a pedra que estava em frente ao túmulo de Lazaro. Bastava apenas uma ordem sua, e aquela pedra poderia sair voando. Mas, ele disse: “Tirai a pedra”. O que Ele esta ensinando aqui é que a pedra é para nós tirarmos, é nosso serviço, é nossa parte. O milagre é com Ele.

        f. A ociosidade, a preguiça e a lassidão são atitudes rejeitadas na Palavra de Deus. Antes, a mesma Bíblia apresenta o antídoto para essas atitudes. Cabe a nós a diligência em aplicar à nossa fé o conhecimento e as ações necessárias para o nosso crescimento pessoal. Diligência implica em esforço pessoal, mas implica também em um sentimento de urgência e habilidade para fazer com que as coisas aconteçam.

         g. Deus poderia ter dado a Josué a terra sem que ele lutasse por ela. Bastaria apenas Deus mandar fogo do céu sobre os inimigos. Mas, o que Deus diz ao povo em Josué 23:6:
 
“Esforçai-vos, pois, muito para guardardes e cumprirdes tudo quanto está escrito no Livro da Lei de Moisés, para que dela não vos aparteis, nem para a direita nem para a esquerda....”.  Josué 23.6

        Diga ao seu irmão: Esforça-te para conquistar tudo o que o Senhor coloca diante de ti.

        h. Não iremos vencer na vida sem mínimo esforço. Mas quando se toma a iniciativa de dar o primeiro passo, Deus abençoa e promete auxílio a cada passo seguinte.

2.2 Gula

        a. O pecado da Gula representa o desejo insaciável do ser humano de ter sempre mais do que já tem e precisa. Na maioria das vezes, as pessoas consideram a gula o pecado de comer excessivamente e mais do que necessita. Mas esse pecado também está relacionado ao egoísmo humano: querer ter sempre mais e mais, não se contentando com o que já tem. Uma forma de cobiça. É aquele apetite voraz por novidades, livros e até por empresas. Assim é definido o pecado da gula.

        b. Em Êxodo 16, temos um exemplo de prática da gula, quando Moisés diz ao povo que Deus irá mandar o Maná do céu em 16:16:
 
“Esta é a ordem que ele deu: Cada um de vocês deverá juntar o que for necessário para comer, de acordo com o número de pessoas que houver na família, dois litros por pessoa”. Êxodo 16.16

        No verso 20 lemos:
 
“Mas, alguns não obedeceram a ordem de Moisés e guardaram uma parte daquele alimento, para o dia seguinte”.  Êxodo 16.20

        A gula é um desejo insaciável de sempre querer mais, sem que haja contentamento com o que já temos.

        c. A gula está relacionada com a ansiedade. O que está por traz disso é uma necessidade de satisfação de algo, de realização pessoal. Geralmente, é representativo de uma vida que não sabe viver com contentamento. O apóstolo Paulo disse que aprendeu a se contentar com tudo. É isso mesmo: viver com contentamento necessita de uma aprendizagem. Contentamento não quer dizer acomodação. Quer dizer saber tirar o melhor proveito de cada circunstância e ser agradecido.

        d. Jesus recomendou aos Seus discípulos no Sermão da Montanha:
 
“Por isso vos digo: Não andeis ansiosos pela vossa vida quanto ao que haveis de comer ou beber; nem pelo vosso corpo quanto ao que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o alimento, e o corpo mais que as vestes?”

        e. Quando os homens não têm expectativas eternas, se firmam absolutamente no que é presente, no que é momentâneo, e por isso, surge a máxima: “comamos e bebamos porque amanhã morreremos”. O indivíduo dominado pela glutonaria precisa entender que “não somente de pão viverá o homem, mas de toda a Palavra que procede de Deus”.

        f. A gula é controlada pelo uso da virtude da Temperança. Temperança significa colocar limites, ter domínio próprio, uma das características do fruto do Espírito. Isso nos lembra que ninguém consegue ter domínio de si mesmo sozinho, a não ser quando se deixa ser guiado pelo Espírito Santo. É um engano pensar que você pode tem controle sobre toda a sua vida, seus desejos, seus impulsos. Você só consegue fazer isso quando permite que Deus esteja no controle de sua vida.

2.3 Avareza

        a. Avareza é o medo de se perder algo que possui. Uma pessoa avarenta tem dificuldade de abrir mão do que tem mesmo que receba algo em troca, tem cuidado com seus pertences como uma pessoa egoísta. Prefere abrir mão do que tem menos valor e preservar o que é mais valioso. Acha que perder algo pode ser um desastre.

        b. O avarento tem dificuldade de confiar em Deus. Ele confia mais nos bens, que tem acumulado do que em Deus. Hebreus 13:5 diz:
 
“Seja a vossa vida sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei.”  Hebreus 13:5

        c. O avarento é aquele indivíduo apegado ao dinheiro. Veja o que diz Salomão a respeito dele? “...O que aborrece a avareza viverá muitos anos.” (Pv. 28:16). O próprio Jesus recomendou: “Não acumuleis para vós ouros tesouros sobre a terra... porque onde está teu tesouro, aí também estará o vosso coração.”

        d. No meio de uma multidão um homem faz um pedido a Jesus em Lucas12:13-21:
 
“Mestre, mande o meu irmão repartir comigo herança que o nosso pai nos deixou”.

        Jesus respondeu com uma pergunta, uma afirmação, uma parábola e um sermão. Jesus diz: ”Quem me constituiu juiz ou partidor entre vós?”. Depois advertiu contra a ganância. Depois ainda contou a parábola do homem que só se preocupava em armazenar todas as suas mercadorias e não era rico em relação a Deus. Depois pregou a respeito da preocupação excessiva pelos bens materiais. No verso 15 Jesus ensina:
 
“—Prestem atenção! Tenham cuidado com todo tipo de avareza porque a verdadeira vida de uma pessoa não depende das coisas que ela tem, mesmo que sejam muitas.”   Lucas 12.15 (NTLH)

        e. Somos um país rico em relação a muitos outros países. O Brasil possui menos de um quinto da população da Índia, mas temos muitas vezes mais rádios, telefones e televisões. Em 2003, a nossa renda por pessoa em média é de cerca de 2.710 dólares por ano; a da Índia, de 530 dólares. As lições que Jesus dá acerca das riquezas devem ser aplicadas a cada um de nós. Os bens materiais muitas vezes tomam conta de nossa vida e de nosso pensamento. O desejo pelas coisas nos leva a dedicar tempo demais e trabalho demais para comprar a prestação sem podermos pagar e para murmurar, reclamando que não podemos ter tudo o que queremos. Jesus disse: “Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. É tão fácil ficarmos presos a esta vida. Somos capazes de dedicar tanto tempo, atenção e esforço pelo nosso bem-estar material que não temos tempo ou ânimo de sobra para nos dedicar a Deus.

        f. Poucas pessoas se admitem ser gananciosas ou invejosas. Mas a Bíblia nos adverte constantemente contra esses pecados. Se o nosso coração está preso a esta vida, somos idólatras, independentemente de quão alto cantemos o nosso amor por Jesus. Lembremos aqui do que diz Jesus em Mateus 6:21:
 
“....porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração.”  Mateus 6:21

3 - Conclusão

          Avareza, preguiça e glutonaria são pecados que tem destruído a vida de muitos. Peçamos a Deus que ajude àqueles que tem sido dominados por estes pecados que sejam libertos. Deus quer levantar uma geração poderosa e cheia do seu Espírito Santo.
         Pregar contra o pecado é uma tarefa desafiadora, porque não podemos nos acostumar com o pecado. Pecar á algo sempre abominável a Deus. Uma das grandes tragédias do cristianismo atual é que temos milhares de santos vivendo sem santidade. Mudemos esta realidade em nome do Senhor Jesus. Digamos não a avareza, não a preguiça, não a glutonaria em nome de Jesus!


Autor: Josias Moura de Menezes


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