Os Dois Lados Errados


Sem dúvida, os últimos três capítulos do livro de Juízes contam uma das histórias mais feias de toda a Bíblia. É um exemplo de como os pecados de pessoas que desrespeitam a vontade de Deus podem causar danos graves para elas mesmas e muitos outros.

Um casal de viajantes, acompanhado por um servo, parou uma noite na cidade de Gibeá, que pertencia à tribo de Benjamim, uma das doze tribos de Israel. Um homem velho na cidade abriu sua casa e ofereceu hospedagem para eles. Mas alguns homens da cidade chegaram a insistir que este senhor entregasse seu hóspede, com intenção de abusar sexualmente o homem que visitava sua cidade. Este homem não queria ser estuprado por outros homens e, para evitar esta violência contra sua pessoa, ele lhes entregou sua concubina! Estes homens de mau caráter estupraram a mulher durante a noite. No dia seguinte, o homem encontrou o corpo dela na frente da casa.

O viajante, indignado por causa desta violência contra sua concubina, convocou a nação de Israel para exigir justiça. Os outros benjamitas recusaram entregar os culpados, e uma guerra começou. Nos primeiros dois dias de batalha, as tribos que se consideravam justas perderam 40.000 homens, mais do que todos os soldados de Benjamim! Depois das derrotas dos primeiros dois dias, os israelitas ficaram confusos. Por que Deus deixou as tribos “justas” sofrerem tanto? Não foram os benjamitas que cometeram o crime horrível? Não entenderam as suas derrotas. Foi somente no terceiro dia que os benjamitas perderam, sendo quase aniquilados no campo de batalha.

Neste caso, nosso privilégio de olhar para todo o contexto pode nos ajudar a compreender o que aconteceu. Sem dúvida, alguns benjamitas cometeram um crime terrível, e outros da tribo erraram em protegê-los da merecida justiça. Mas o homem que entregou a mulher para ser estuprada e morta não errou também? Ele não deveria ter protegido a mulher, até colocando a própria vida em risco para cuidar dela? Se os israelitas tivessem apurado todos os fatos antes de entrar no campo de batalha, talvez a justiça poderia ter sido aplicada sem tantas mortes. Tanto o homem que entregou a mulher como os homens que a estupraram e mataram teriam sido condenados por seus atos. Mas, sem se importarem com todos os fatos, os homens das outras tribos precipitaram e pagaram um preço alto nas batalhas.

Hoje, algumas pessoas acham que, em qualquer conflito, os dois lados estão errados, o que não é sempre verdade. Às vezes, há uma parte justa e outra parte culpada. Mas na guerra que levou à morte de 40.000 israelitas e 25.000 benjamitas (quase acabando com a tribo de Benjamim), as duas partes estavam erradas.

Esta história é uma maneira dramática e trágica de nos lembrar da importância de sermos justos. Seja uma mãe cuidando dos seus filhos pequenos, um professor resolvendo um problema entre alunos, um juiz mediando uma disputa entre cidadãos ou irmãos em Cristo tentando resolver um problema numa igreja, o mesmo princípio se aplica. Precisa ouvir os dois lados da história e avaliar os fatos com imparcialidade.

Quando alguém se queixa de outro, lembre-se do princípio de Provérbios 18:17 – “O que começa o pleito parece justo, até que vem o outro e o examina”. Se ouvir apenas um lado da história, pode ser movido por compaixão e amizade a concordar com a pessoa que traz a queixa. Mas quando ouvir o outro lado, sua opinião pode mudar. No mesmo capítulo de Provérbios, encontramos mais um princípio fundamental para compreender e até resolver problemas entre pessoas: “Responder antes de ouvir é estultícia e vergonha” (Provérbios 18:13). Quando você se envolve com os problemas dos outros, tentando ajudá-los, procure sempre ouvir para ter certeza dos fatos, e sempre ouça os dois lados da história!

|  Autor: Dennis Allan  |  Divulgação: estudosgospel.com.br |