Os Dez Mandamentos - O Dia do Descanso

Êxodo 20.8-11


A palavra sábado não significa, necessariamente, o último dia da semana. Sabe-se que o sétimo dia da semana recebeu este nome porque a palavra sábado, de acordo com o seu sentido original, significa descansar, folgar, respirar, tomar fôlego.

O povo que vivia na "casa da servidão", no Egito, não sabia o que era descanso, pois o Faraó não lhe permitia nenhuma folga. Era preciso produzir para o Egito (Êxodo 5.7-9). Na condição de escravos do Egito, os hebreus não podiam parar para festejar ou fazer qualquer outra comemoração (Êxodo 5.1-5). Os trabalhos eram forçados e o Faraó não os via como pessoas, mas como máquinas que não podiam deixar de realizar o seu trabalho (Êxodo 5.14-17).

Assim, a libertação de Deus traz ao povo a possibilidade do descanso e do alívio. Era um descanso para toda a família, incluindo os escravos e os estrangeiros, e também os animais.

A Bíblia não menciona nominalmente os outros dias da semana, o que confirma que o mais importante não é o dia em si, mas o que ele representa ou significa para nós.

Com a ressurreição de Cristo, o sábado do Antigo Testamento ou o sábado dos judeus, passou a ser, para os cristãos, o domingo, que é o Dia do Senhor, o primeiro dia da semana (João 20.19; Atos 20.7; 1 Coríntios 16.2).

Os cristãos guardam o domingo e não o sábado por estas principais razões:
• O sábado fez parte da aliança exclusiva entre Deus e o antigo Israel (Êxodo 20.8-11);
• Jesus não guardou o sábado como mandava a tradição oral dos fariseus (João 9.16);
• Estamos debaixo da graça e não da lei (Colossenses 2.16,17);
• No domingo Cristo ressuscitou, apareceu aos discípulos e autorizou a Grande Comissão (Mateus 28.1-6,19,20; João 20.19,26);
• O Espírito Santo desceu sobre a Igreja no domingo, pois o Pentecoste é comemorado cinquenta dias após o sábado da Páscoa (Atos 2.1);
• A Igreja do Novo Testamento guardava o domingo (Atos 20.7; 1 Coríntios 16.1,2);
• Dos Dez Mandamentos, apenas o quarto não é repetido no Novo Testamento.

Portanto, vejamos neste estudo algumas lições quanto ao Dia do Descanso ou Dia do Senhor.


1 - O DIA DO DESCANSO PARA A GLÓRIA DE DEUS

A parte final do quarto mandamento apresenta um dos motivos pelo qual o Dia do Descanso foi estabelecido: "Porque em seis dias fez o Senhor os céus, a terra, o mar e tudo o que neles há, e ao sétimo dia descansou; por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou".

Fica, portanto, claro que, observar o dia de descanso, é agir como Deus agiu. O dia de sábado é apresentado como um tributo à glória de Deus. É para lembrar o que Deus fez como Criador e Libertador de Seu povo.

O domingo, Dia do Senhor, da ressurreição, deve representar o que Deus fez por nós e a libertação que Ele trouxe por meio de Seu Filho Jesus Cristo. Não são apenas os cultos ou outras reuniões dominicais que irão nos lembrar este feito; mas a vida e o testemunho dos cristãos que durante os outros dias da semana estiveram cuidando de suas múltiplas atividades, precisam revelar que há um dia especial na semana, no qual nos alegramos em Deus pelos feitos dEle em nossa vida.

A visão de que o Dia do Descanso foi estabelecido para honra e glória de Deus, há de fazer com que a nossa atenção esteja mais focalizada não no dia em si, mas no Deus que estabeleceu o dia. É a visão da glória e do poder do Senhor. (1 Coríntios 10:31)

2 - O DIA DO DESCANSO PARA O BEM-ESTAR DO HOMEM

Quando a Bíblia afirma que Deus descansou no sétimo dia, não está dizendo que Ele se cansa ou precisa descansar. A afirmação deve ser entendida como o cessar da obra criadora de Deus.

Mas, o homem se cansa, sente o peso do trabalho. Por isso ele precisa parar, folgar, tirar férias, descansar.

No Egito, os hebreus não tinham descanso, mas como libertos por Deus eles recebem este presente do quarto mandamento, para que possam revigorar-se e estar mais preparados para a jornada de seis dias de trabalho. O Deus que determinou o trabalho é o mesmo que apresenta a possibilidade do descanso.

No Novo Testamento percebe-se que os escribas e fariseus fizeram tantos acréscimos à lei do sábado que o povo se sentiu "oprimido" e "sobrecarregado". Jesus foi acusado por eles de violar o sábado (João 9.16). De fato, Jesus não se deixou escravizar pelo sábado e afirmou: "O sábado foi estabelecido por causa do homem, e não o homem por causa do sábado" (Marcos 2.27).

Nas palavras de Carlos Mesters: "Jesus denuncia o desvio da lei e coloca o sábado novamente a serviço da vida do ser humano. As necessidades do povo estão acima da lei do sábado (Mateus 12.1-8; Lucas 13.16,17)".

O mesmo acontece com o domingo.
A maneira como alguns guardam o domingo nos faz pensar que ele foi estabelecido para a morte e não para a vida, pois se afadigam e sobrecarregam-se com excesso de atividades religiosas.

Por outro lado, muitos são aqueles que, no domingo, não fazem mais nada, além de participar de um ou outro trabalho da Igreja. Será que o mandamento do descanso é para não se fazer nada?

Há aqueles que neste dia não fazem nada de útil para si, sua família e seu próximo. Uma boa parte dos cristãos passa o domingo inteiro assistindo à televisão, por sinal, programas de péssimo nível. Desta maneira acham que estão guardando o Dia do Descanso.

O domingo é dia de atividades religiosas, pois os cristãos do Novo Testamento nos ensinam isso, mas, por outro lado, a própria igreja pode apresentar uma sobrecarga de atividades neste dia e na segunda-feira de trabalho o crente está estressado, cansado e sem condições de trabalhar.

Há também o formalismo ou legalismo em torno do domingo. São regras quanto ao que se pode fazer e o que não se pode fazer. O fato de ser Dia do Senhor não significa que todos precisam passar o dia inteiro trabalhando na igreja ou, então, trancados dentro de casa.

É preciso ter uma visão mais libertadora do domingo, entendendo o que o apóstolo Paulo disse:

Romanos 14.5,6
5 - Um faz diferença entre dia e dia; outro julga iguais todos os dias. Cada um tenha opinião bem definida em sua própria mente. Quem distingue entre dia e dia para o Senhor o faz
6 - Aquele que faz caso do dia, para o Senhor o faz. E quem come, para o Senhor come, porque dá graças a Deus; e quem não come, para o Senhor não come, e dá graças a Deus.

Colossenses 2.6
Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábado

3 - O DIA DE DESCANSO E O VERDADEIRO DESCANSO

Para o cristão, o mais importante é saber que ele descansa numa Pessoa e não num dia. O descanso está em Cristo; Ele é o nosso sábado ou domingo. Sem esta compreensão torna-se difícil vivificar de modo correto o Dia do Senhor.

Esta maneira de ver o domingo liberta do legalismo e do formalismo que muitas vezes estão presentes em nossas Igrejas em relação a este dia, à semelhança do legalismo dos escribas e fariseus quanto ao sábado.

Quando Jesus declarou...

Mateus 11.28-30
Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jogo é suave e o meu fardo é leve

... Ele estava se referindo ao peso das tradições orais e acréscimos à lei, impostos pelos judeus. É na pessoa de Jesus que se tem o verdadeiro descanso.

Por ser o Dia do Senhor, o domingo só pode ser bem compreendido e bem vivido por aqueles que verdadeiramente estão no Senhor e na Sua pessoa descansam.

Assim, pode-se dizer que o cristão guarda o domingo para o louvor da glória de Deus, para o seu próprio bem-estar, entendendo que este dia é uma lembrança do descanso que Cristo veio trazer aos que são salvos por Ele.

DISCUSSÃO

1. Há atividades que de segunda a sábado não são pecaminosas e que no domingo tornam-se pecaminosas?
2. Que sugestões podem ser dadas para melhorar a guarda do domingo nas nossas igrejas?
3. Como você analisa a questão dos profissionais que têm de trabalhar no domingo?

Autor: Rev. Sérgio Pereira Tavares