Os Dez Mandamentos - Amor e Compromisso

Êxodo 20.14


Deus é o instituidor da família, a qual está em Seus planos e possui a Sua bênção. Ela não é produto da mente humana, mas é obra do próprio Deus. F. Bastos de Avila em seu livro "Introdução à Sociologia" afirmou que "a família é o único fenômeno social além do fenômeno religioso, que se encontra em todos os tempos e em todas as culturas".

Porém, a família tem enfrentado inúmeros problemas. Ela está ameaçada e precisa de muita ajuda.

A revista Veja de 10/01/96 apresenta o seguinte resultado de pesquisa do Instituto Vox Populi, o qual entrevistou cerca de 2.000 pessoas em 25 Estados, que responderam à seguinte pergunta: A família está GANHANDO, MANTENDO ou PERDENDO a importância? 30% responderam GANHANDO, 25% MANTENDO e 42% PERDENDO.

Verifica-se que o casamento está sempre desprezado, e muitos estão dizendo: "Por que e para que casar? Uma certidão de casamento (papel) não vai fazer nenhuma diferença em nossas vidas".

O que é possível notar é o grande número de separações, pois o amor e o compromisso conjugal estão sendo colocados em segundo plano. Há muita infidelidade conjugal e lares destruídos, sendo que a causa maior é o assunto deste estudo bíblico: Adultério.

Conforme H.U. Reifler, Pastor e Mestre em Teologia, "adultério é quebrar, alterar, falsificar propositadamente e conscientemente o estado sadio do amor puro entre as pessoas que assumiram publicamente o compromisso do matrimônio. O adultério é uma falsidade contra o amor puro, contra a lealdade e fidelidade matrimonial, contra o lar e contra a estabilidade social e emocional de uma sociedade".
 

1 - AMOR E COMPROMISSO: EXIGÊNCIA PARA TODOS NA FAMÍLIA

Lembrando rapidamente o contexto dos Dez Mandamentos, verifica-se que no Oriente Médio, no tempo da servidão, a dominação e exploração do homem sobre a mulher era algo comum.

O homem dominava até sobre os filhos e filhas de um modo tremendamente autoritário. Quando Deus ordena: Não adulterarás. Ele não está fazendo distinção entre homem e mulher.

Para Carlos Mesters, em sua obra Bíblia, Livro da Aliança, “cada família era uma pequena pirâmide: o homem, o chefe absoluto, como um pequeno Faraó, governando autoritariamente a mulher e os filhos. A mulher era explorada, privada dos seus direitos mais elementares e da sua identidade própria de mulher".

Assim sendo, este mandamento atinge a raiz da opressão, pois a liberdade e a igualdade precisam atingir a todos, até mesmo os membros da família. O amor e o compromisso são exigências dadas por Deus e precisam ser cumpridas por todos.

Deus, ao criar o ser humano, o fez conforme a Sua imagem, colocando o homem e a mulher no mesmo nível: "criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou" (Gn 1.27). É preciso afirmar que este mandamento tira o eterno privilégio do homem frente à mulher.

As Escrituras condenam qualquer tipo de opressão, de autoritarismo e de dominação. O Apóstolo Paulo fala deste princípio de igualdade, dirigindo-se aos Gálatas: "Dessarte não pode haver... nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus" (G1 3.28).

No ministério público de Jesus, o Mestre demonstra que não faz nenhuma acepção de pessoas. Até mesmo as mulheres e as crianças foram sempre acolhidas e obtiveram dEle a devida atenção.

Certa vez uma mulher adúltera foi levada à Sua presença para ser condenada (apedrejada), mas Ele falou com ela e ofereceu o Seu perdão declarando: "... Nem eu tão pouco de condeno; vai, e não peques mais" (Jo 8.1-11).

Na cultura brasileira o adultério por parte do homem não é tão censurado como o praticado pela mulher. As vezes tolera-se que o homem tenha mais de uma mulher, mas o mandamento divino é direcionado ao casal, e não apenas às mulheres. Amor e compromisso precisam nortear a vida matrimonial, para que o adultério não tenha lugar.

2 - AMOR E COMPROMISSO: EXIGÊNCIA PARA A PRESERVAÇÃO DA FAMÍLIA

Deus, como Autor da família, deseja que ela permaneça unida e não venha a se desintegrar. O adultério promove a separação na família pois ele se constitui num ato de traição, como expressou P.H. Haering em sua obra: "Livres e Fiéis em Cristo - Teologia Moral Geral": "pelo adultério a verdade do ato sexual é profundamente traída".

Portanto, este mandamento divino quando cumprido contribui para a preservação da família.

Jesus, de modo semelhante fala sobre a permanência do matrimônio, respondendo aos fariseus: "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mt 19.6). Ele mesmo disse que, em casos de adultério (relações sexuais ilícitas), haveria a separação, ou seja, o divórcio.

Por isso, a família carece viver em amor e em compromisso, sendo que estes devem ser cumpridos fielmente, pois só assim o matrimônio será preservado.

E necessário salientar que este mandamento contribui para a preservação da família. A luz do Breve Catecismo, proíbe todos os pensamentos, palavras e ações impuras. Jesus interiorizou a lei quando disse que, quem olhar para uma mulher com intenção impura, já adulterou com ela no coração (Mt 5.28).

O matrimônio é um recurso para se viver bem, de modo puro e fiel, evitando cair no adultério (I Co 7.2). É bom lembrar aqui que existem aqueles que não se casam, o que, no ensino apostólico, se constituía no próprio dom de Deus (I Co 7.7-9).

Mas, neste mandamento em foco Deus proíbe, também, a fornicação (relações sexuais entre pessoas não casadas), requerendo assim a pureza e a castidade, tudo em favor da preservação familiar.

Existem alguns deveres que têm sido esquecidos pelos membros da família, os quais auxiliam nesta preservação.

Para H. U. Reifler, os deveres mútuos no casamento são: fidelidade, afeição, cooperação, tolerância, submissão, diálogo franco e sincero e perdão. Será que a sua família tem observado estes deveres?

3 - AMOR E COMPROMISSO: EXIGÊNCIA PARA A FELICIDADE DA FAMÍLIA

Como todos os mandamentos de Deus, este foi dado não como um fardo pesado de carregar. Antes de tudo, foi dado como ajuda para se viver bem, a fim de promover a felicidade na família. Quando o amor é exercitado, num ato de compromisso conjugal autêntico, a felicidade se estabelece.

Mas, quando isto não ocorre e o adultério é praticado, a infelicidade toma conta. O comentarista bíblico Page H. Kelley aborda o assunto desta forma: "A Bíblia considera a monogamia, a união por toda a vida de um homem e de uma mulher, como ideal para o matrimônio. Este foi o propósito de Deus desde o princípio (Gn 2.24 e Mc 10.2-9). O adultério causa: dor, vergonha, prejuízo e culpa".

A Escritura Sagrada afirma que aquele que se envolve em atos de adultério terá um fim amargoso, chegando até à morte e ao inferno (Pv 5.3-6). Lidar com mulher adúltera é arruinar-se e até mesmo achar açoites (Pv 6.32,33).

O Apóstolo Paulo fala que o salário do pecado é a morte e que os adúlteros não herdarão o reino de Deus (Rm 6.23 e I Co 6.9,10). Deus haverá de julgar os impuros e adúlteros (Hb 13.4). Mas, o maior exemplo das terríveis consequências da prática do adultério é o do Rei Davi, este que sofreu tremendamente, perdendo assim a própria alegria da salvação (SI 32.3,4; 51.12).

É possível perceber que inúmeras famílias hoje são vítimas das terríveis consequências do adultério. São pessoas tristes, afastadas de Deus, infelizes e são filhos e filhas traumatizados pela atitude de infidelidade de seus pais.

É lamentável ver lares desfeitos, repletos de infelicidade e carecendo da misericórdia de Deus. A Igreja tem uma missão terapêutica e pode auxiliar estas pessoas que enfrentam o drama da separação, cuja causa maior é o adultério.

Portanto, este mandamento divino é extensivo tanto ao homem quanto à mulher. Contribui para a preservação da família e a sua inobservância causa a infelicidade na família.

O amor sincero e o cumprimento fiel dos mandamentos de Deus, bem como a responsabilidade nos votos matrimoniais, se constituem em recursos para que a família não seja destruída.
 

DISCUSSÃO

1. A partir da liberação sexual desses últimos tempos, pode-se entender que a quebra deste mandamento é tolerável?
2. Que prejuízos a prática do adultério traz para o indivíduo e para a família?
3. No relacionamento conjugal há atitudes entre os cônjuges que podem levar à prática do adultério?

Autor: Rev. Anderson Sathler