O Maior Mandamento


         A minha esposa Kelly e eu, desde bem cedo, ensinamos aos nossos filhos a amarem ao Senhor acima de todas as coisas. Enfatizamos tanto que Deus vem antes de tudo que, algumas vezes, cheguei a ficar desconcertado com algumas respostas que me davam e que evidenciavam este entendimento. Certa ocasião, fazendo pose de “fortão”, daquele jeito que imita os halterofilistas, perguntei ao meu filho Israel: “Quem é o cara mais forte do mundo?” Sem hesitar, ele respondeu direto: “Jesus!” Sem graça, eu lhe disse: “Sim, mas e depois de Jesus?” Então ele replicou: “Ah, depois de Jesus é você!” Em outra ocasião, questionei a minha filha Lissa: “Quem é o pai mais lindo do mundo?” Sem titubear, ela respondeu: “Deus!” Novamente sem graça, eu lhe disse: “Sim, mas e depois de Deus?” Então ela afirmou: “Ah, bom! Depois de Deus é você, papai!”
         Se você perguntar aos meus filhos quem é a pessoa que eles mais amam, eles vão dizer que é Deus. Fico feliz com isto, pois eu os vejo crescendo com os valores corretos. Tenho aprendido que não basta darmos a Deus apenas uma certa atenção ou valor. Ele quer toda atenção e valor! Ele pede amor total!
         Enquanto Deus não for o que temos de mais importante e valioso, não estaremos cumprindo o que Ele espera de nós. Por causa deste princípio, encontramos na Bíblia histórias como a do sacrifício de Isaque que o Senhor pediu a Abraão. O Senhor espera ocupar o primeiro lugar em nossas vidas. Ninguém (nem mesmo os nossos familiares – normalmente os que mais amamos) pode ocupar o primeiro lugar, o qual pertence somente a Deus! Isto é muito evidente nos ensinos do Senhor Jesus, registrados nos Evangelhos:
 
“Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim.” (Mateus 10.37)


O PRIMEIRO MANDAMENTO

Além de reconhecermos que amar ao Senhor é um mandamento divino, também precisamos entender que este é o Primeiro Mandamento que recebemos da parte de Deus:
 
“Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.” (Marcos 12.28-30)

         Quando Jesus foi questionado sobre o Primeiro (ou Principal) Mandamento, Ele foi direto ao assunto mais forte do ensino bíblico: o amor. Falou primeiro do amor ao Senhor e depois sobre o homem amar ao próximo como a si mesmo.
          Ao destacarem um mandamento em relação aos demais, as Escrituras não diminuem nenhum dos outros mandamentos, mas mostram que o cumprimento deste nos influencia no cumprimento dos demais.
         Há algo extraordinário no amor. E, mesmo antes de falar sobre o amor ao próximo, Deus nos pede que O amemos. Sem amar ao Senhor, ninguém jamais encontrará a fonte inesgotável de amor, a qual nos permite amarmos verdadeiramente ao nosso próximo. Deus é amor, e sem que nos misturemos com Ele por meio de uma íntima comunhão, não teremos recursos nem condições de amarmos a ninguém!
         Algo que realmente me impressiona é o fato de Deus pedir não somente um amor de coração, alma, entendimento e forças, mas também um amor de todo coração, de toda alma, de todo entendimento e de todas as forças! Deus Se manifestou de uma maneira tremendamente exigente neste assunto. Ele não quer uma manifestação de amor parcial. Nada O satisfaz, a não ser o amor total de cada parte que completa o todo do nosso ser!
         Sabemos qual é a expectativa que o Pai Celestial tem com relação ao nosso relacionamento com Ele. Ele não estabeleceu este mandamento como o primeiro – e mais importante – de todos, somente para ter o nosso amor, mas para garantir que O amemos acima de tudo e de todos. O Primeiro Mandamento revela não somente o que temos que fazer (amá-Lo), mas principalmente a intensidade com que devemos obedecê-lo: de todo o nosso ser!

MALDIÇÃO NA IGREJA

         Há uma maldição assolando a muitos na Igreja de Jesus Cristo em nossos dias. Por mais que ensinemos que Cristo Se fez maldição por nós, para que recebêssemos a bênção (Gl 3.13-16), e que temos uma herança em Deus, há crentes que nunca entram no lugar de bênção que o Senhor tem para eles, porque vivem numa permanente quebra de princípios das Escrituras.
         Mesmo ciente de que
 
“Deus nos abençoou com toda sorte de bênçãos nas regiões celestiais em Cristo Jesus” (Ef 1.3)

        e que esta é a nossa posição de direito em Cristo, afirmo que há crentes que jamais chegarão a usufruir da plenitude que o Pai Celestial tem para as suas vidas!
         Eles estão quebrando um princípio divino. Estão acionando contra si mesmos uma lei estabelecida na Palavra de Deus. E, enquanto não entenderem e praticarem este poderoso princípio, não haverá confissão de fé que lhes proporcione esta bênção divina!
Quando não oferecemos a Deus o nosso amor, estamos nos rebelando com relação ao Seu Primeiro e Maior Mandamento. Não entendo como eu li tantas e tantas vezes este trecho bíblico sem enxergar a sua profundidade! Porém, em certa ocasião, Deus abriu os meus olhos:
        “Se alguém não ama ao Senhor seja anátema.” (1 Coríntios 16.22)
         Segundo a Concordância Exaustiva de Strong, a palavra grega “anathema” significa: 1) algo preparado ou separado para ser guardado ou dedicado; especificamente, uma oferta resultante de um voto, que depois de ser consagrada a um deus era pendurada nas paredes ou colunas do templo, ou colocada em algum outro lugar visível; 2) algo dedicado a Deus sem a esperança de recebê-lo de volta, referindo-se a um animal doado para ser sacrificado; daí, uma pessoa ou algo destinado à destruição; uma maldição, uma praga; um homem amaldiçoado, destinado à mais terrível das tristezas e angústias.
         Há muitas pessoas nas igrejas evangélicas que não entendem porque não alcançam aquele lugar de completa realização em Deus. Fazem tudo o que lhes mandam, todo tipo de “campanhas” e “receitas milagrosas”, mas, ainda assim, não conseguem encontrar a plenitude da bênção de Deus! A verdade é que há uma maldição (que mantém as pessoas cativas à tristeza e à angústia) sobre muitos cristãos hoje! É a consequência do pecado da falta de amor ao Senhor!

BÊNÇÃO X MALDIÇÃO

         As Escrituras Sagradas mostram claramente que as nossas escolhas determinam a bênção ou a maldição sobre as nossas vidas. Ao dar ao homem o livre arbítrio (o direito de escolher), Deus também o conscientizou sobre o resultado das suas escolhas:
 
“Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência.” (Deuteronômio 30.19)

         A mensagem bíblica é clara. Há dois caminhos: o da vida e da bênção, e o da morte e da maldição! A escolha é do homem, não de Deus! Da parte de Deus temos o conselho, a sugestão para a escolha certa. E a escolha de sermos abençoados ou não é feita quando optamos pela obediência ou pela desobediência aos mandamentos divinos. Observe os detalhes do texto todo:
 
“Vê que proponho, hoje, a vida e o bem, a morte e o mal; se guardares o mandamento que hoje te ordeno, que ames o Senhor, teu Deus, andes nos seus caminhos, e guardes os seus mandamentos, e os seus estatutos, e os seus juízos, então, viverás e te multiplicarás, e o Senhor, teu Deus, te abençoará na terra à qual passas para possuí-la. Porém, se o teu coração se desviar, e não quiseres dar ouvidos, e fores seduzido, e te inclinares a outros deuses, e os servires, então, hoje, te declaro que, certamente, perecerás; não permanecerás longo tempo na terra à qual vais, passando o Jordão, para a possuíres. Os céus e a terra tomo, hoje, por testemunhas contra ti, que te propus a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe, pois, a vida, para que vivas, tu e a tua descendência, amando o Senhor, teu Deus, dando ouvidos à sua voz e apegando-te a ele; pois disto depende a tua vida e a tua longevidade; para que habites na terra que o Senhor, sob juramento, prometeu dar a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.” (Deuteronômio 30.15-20)

         Este é o mesmo princípio que aparece em Deuteronômio (27 e) 28 e 29, quando o Senhor fala a respeito de bênçãos e maldições: a obediência produz bênção, e a desobediência produz maldição!
 
“Se atentamente ouvires a voz do Senhor, teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que hoje te ordeno, o Senhor, teu Deus, te exaltará sobre todas as nações da terra. Se ouvires a voz do Senhor, teu Deus, virão sobre ti e te alcançarão todas estas bênçãos…” (Deuteronômio 28.1,2)

         Todas as bênçãos citadas neste capítulo seguiriam o povo de Deus se houvesse da parte deles a disposição de andarem nos mandamentos do Senhor. Contudo, se decidissem não obedecer, então as maldições os seguiriam:
 
“Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor, teu Deus, não cuidando em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos que, hoje, te ordeno, então, virão todas estas maldições sobre ti e te alcançarão.” (Deuteronômio 28.15)

         A bênção é uma intervenção divina que nos leva a experimentarmos coisas melhores do que a nossa própria capacidade nos levaria a conseguirmos. Se, por exemplo, ao lavrarmos uma terra, o seu potencial de produção natural fosse um certo valor, com a bênção de Deus conseguiríamos obter resultados bem melhores. Por outro lado, a maldição é um juízo divino que permite uma ação maligna que, no exemplo já mencionado, da lavoura, nos levaria a termos perdas e prejuízos.
         Uma vez estabelecido este fundamento, precisamos olhar para o princípio de amarmos ao Senhor como sendo um mandamento da Palavra de Deus. Portanto, a desobediência a este mandamento implica em maldição!
         Vivemos dias de uma grande “colheita”. Nunca antes vimos tantas pessoas convertendo-se ao Senhor. Recentemente, li uma reportagem no jornal “A Folha de São Paulo”, dizendo que somente na capital paulista são iniciadas (com registro oficial) quase duas igrejas por dia! Além das novas igrejas, as já estabelecidas crescem cada vez mais. Satanás já não consegue mais deter o crescimento da Igreja. Assim sendo, ele procura diluir a nossa força em Deus, corrompendo-nos em algumas práticas importantes, principalmente na questão do amor ao Senhor. Muitas igrejas hoje estão cheias de pessoas que correm atrás de uma “bênção”, mas não cultivam amor ao Senhor em seus corações! São pessoas para quem o conselho da mulher de Jó, “Amaldiçoa teu Deus e morre” (Jó 2.9), seria muito bem aceito, caso percebessem que não foram abençoadas ou atendidas!
         O grande avivamento que está por vir e as tremendas bênçãos de conquistas decorrentes dele dependem de uma nova atitude da Igreja na forma de buscarmos ao Senhor. Permita-me mostrar-lhe isto, através de princípios bíblicos, citando um trecho do Primeiro Capítulo do nosso livro “A Outra Face dos Milagres”, que trata deste assunto:

QUANDO DEUS SE TORNA APENAS UM AMULETO

         A geração de Eli perdeu a presença de Deus. Lemos no Capítulo 4 de 1 Samuel que a Arca de Deus foi tomada, e foi dito: “Icabode”, que significa “Foi-se a glória de Israel!” Esta foi uma geração que perdeu a presença do Senhor. Eles decaíram tanto que chegaram ao ponto em que os sacerdotes (os filhos de Eli) se envolviam em prostituição na porta do Templo de Deus!
         Esta geração de Eli é um exemplo a não ser seguido, pois pecou gravemente contra o Senhor, e por isso Ele a julgou. E qual foi o motivo pelo qual esta geração perdeu a presença de Deus? Onde ela falhou?
         Ela falhou ao fazer da presença do Senhor somente um amuleto! Ela não buscava ao Senhor para adorá-Lo! Quase ninguém mais ia a Siló, onde estava o Templo. As pessoas já não estavam mais interessadas em irem à Casa do Senhor e a buscarem a Sua face, ou tampouco em adorá-Lo! Contudo, na hora das dificuldades, queriam fazer da presença de Deus uma espécie de amuleto que resolveria os seus problemas! Israel saiu à batalha e encontrou a derrota diante dos filisteus (1 Sm 4.1-3)! Com medo de serem novamente derrotados, mandaram buscar a Arca de Deus e a trouxeram ao campo de batalha:
 
“Mandou, pois, o povo trazer de Silo a arca do Senhor dos Exércitos, entronizado entre os querubins; os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, estavam ali com a arca da aliança de Deus. Sucedeu que, vindo a arca da aliança do Senhor ao arraial, rompeu todo o Israel em grandes brados e ressoou a terra. Ouvindo os filisteus a voz do júbilo, disseram: Que voz de grande júbilo é esta no arraial dos hebreus? Então souberam que a arca do Senhor era vinda ao arraial. E se atemorizaram os filisteus e disseram: Os deuses vieram ao arraial. E diziam mais: Ai de nós! que tal jamais sucedeu antes. Ai de nós! quem nos livrará das mãos destes grandiosos deuses? São os deuses que feriram aos egípcios com toda sorte de pragas no deserto.” (1 Samuel 4.4-8)

         Note que até os filisteus ficaram com medo da Arca, pois eles, em sua condição de gentios pagãos, também acreditavam na força dos amuletos. Isto nos mostra que os filhos de Israel já haviam adotado esta forma mundana de pensamento!
         Para essa geração dos filhos de Israel, Deus já não era mais o Criador e Sustentador de todas as coisas; já não era o Salvador do Seu povo; já não era Aquele que é digno de honra e glória! O Seu Templo estava abandonado em Siló, as pessoas já não iam à Sua presença para reverenciá-Lo e declararem o seu amor, confiança e dependência. Para essa geração, Deus havia Se tornado Alguém de quem somente se lembravam na hora da necessidade. E, mesmo na hora da necessidade, esses israelitas não buscaram a presença do Senhor. Eles apenas “mandaram buscar” a Arca, pois os que fazem de Deus um “Resolve-Tudo” nem sequer se dão ao luxo de buscá-Lo!
         Na minha experiência pastoral, eu já conheci muitos que não se importam em buscarem a presença do Senhor. Quando os convidamos aos cultos nunca podem, mas basta enfrentarem alguma situação difícil e já estão ligando para saberem se podemos orar com eles (e de preferência em suas casas!). Quando os chamamos para cultuar ao Senhor e render-Lhe glória, não querem. Mas, quando os negócios vão mal, querem que oremos em seu trabalho!
         A nossa geração precisa aprender a temer e a amar ao Senhor, ao invés de querer tratá-Lo como um empregado. A geração de Eli não buscou ao Senhor. Ela fez d’Ele um mero “Resolvedor de Encrencas”, e por isso perderam a Sua presença!
 
“Então pelejaram os filisteus; Israel foi derrotado, e cada um fugiu para a sua tenda; foi grande a derrota, pois caíram de Israel trinta mil homens de pé. Foi tomada a arca de Deus, e mortos os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias.” (1 Samuel 4.10,11)

         Eles perderam a presença do Senhor! Esta perda foi algo tão terrível que a nora de Eli sofreu mais com ela do que com a morte do seu sogro e do seu marido!
 
“Estando a sua nora, a mulher de Finéias, grávida, e próximo o parto, ouvindo estas novas, de que a arca de Deus fora tomada, e de que seu sogro e seu marido morreram, encurvou-se e deu à luz; porquanto as dores lhe sobrevieram. Ao expirar disseram as mulheres que a assistiam: Não temas, pois tiveste um filho. Ela porém não respondeu e nem fez caso disso. Mas chamou ao menino Icabode, dizendo: Foi-se a glória de Israel. Isto ela disse, porque a arca de Deus fora tomada, e por causa de seu sogro e seu marido. E falou mais: Foi-se a glória de Israel, pois foi tomada a arca de Deus.” (1 Samuel 4.19-22)

         Em nossos dias a Igreja está vivendo este perigo. Estamos deixando de adorar ao Senhor pelo que Ele é, e O estamos buscando somente pelo que Ele faz! Isto nos deixa parecidos com os seguidores de Satanás! O Diabo não tem seguidores pelo que ele é, pois ele nada é! As pessoas pactuam com ele e o servem em troca de algo: querem fama, fortuna, e outras coisas, e pagam com as suas próprias almas por isso! Contudo, elas não vêem na pessoa do Diabo nenhum atrativo – apenas em sua proposta! E qual é o modelo bíblico da atitude correta que vemos nos que servem a Deus? Depois que a mulher de Jó lhe pediu que ele amaldiçoasse o seu Deus e morresse (Jó 2:9), ele declarou o seguinte:
“Ainda que Ele me mate, n’Ele esperarei”! (Jó 13.15).
         É de pessoas como Jó que o Reino de Deus necessita hoje – pessoas que aprendam a buscar a Deus pelo que Ele é, e não somente pelo que Ele faz! Isto não quer dizer que não podemos buscar o que Deus faz, e sim que não devemos esquecer o que Ele é e que jamais devemos perder esta ênfase!

A GERAÇÃO DE DAVI

         A geração do rei Davi distinguiu-se da geração de Eli. Quando falamos de Davi, a primeira coisa que nos vem à mente é o louvor. Diferentemente da geração que falhou, perdendo a presença do Senhor (a Arca da Aliança simbolizava a presença de Deus), Davi fez tudo para resgatá-la. Em seus dias, a Arca voltou a Israel.
         Davi representa os que sabem buscar e adorar a Deus pelo que Ele é. Ele já vinha experimentando o que Deus fazia. Ele havia matado um leão e um urso, porque o Senhor estava com ele (1 Sm 17.34-37). Ele havia matado Golias, o gigante, porque o Senhor estava com ele. Ele havia vencido os seus inimigos na guerra, porque o Senhor era com ele. No entanto, ainda que experimentando tudo o que Deus podia fazer, Davi sabia que o nosso relacionamento com Deus era mais do que isso, pois o Senhor não era (e continua não sendo) um mero amuleto ao qual recorremos na hora dos problemas. Ele é o Criador de todas as coisas, o Senhor, o Deus sublime e excelente, o Pai Celestial, amoroso e cheio de benignidade. Ele é digno de honra, glória e adoração! Ele merece todo o nosso culto, reverência e devoção!
         Davi foi chamado de “um homem segundo o coração de Deus”, pois ele agradou o coração de Deus com as suas atitudes. Isto não quer dizer que ele tenha sido perfeito. Ao contrário, a Bíblia nos mostra com clareza as suas falhas e erros. Ao chamá-lo de “um homem segundo o coração de Deus”, as Escrituras mostram que ele conseguiu entender o que Deus queria para aquela geração. Davi não apenas conseguiu conquistar os seus inimigos, apropriando-se da Terra Prometida (que nunca havia sido ocupada em sua totalidade), mas também introduziu o ministério de louvor e música no Tabernáculo. Ao lermos os Salmos, percebemos que Davi não tinha uma ênfase e expectativa somente no que Deus fazia, mas principalmente no que Ele era!
         O rei Davi foi, antes de tudo, um adorador. Quando adoeceu o primeiro filho que Batseba lhe deu, ele buscou o que Deus podia fazer – a cura. No entanto, isto não aconteceu, pois os casal estava colhendo as consequências do seu pecado. Contudo, quando a criança morreu, Davi não se revoltou contra Deus e nem mesmo entrou em luto. A Bíblia diz que ele se lavou, mudou de vestes, e foi adorar ao Senhor no Tabernáculo. Em seguida ele encerrou o seu jejum e comeu (2 Sm 12:20). Por que ele fez isto? Muitos teriam se revoltado porque Deus não fez o que havia sido pedido. Davi, no entanto, sabia que antes de atentarmos para o que Deus faz, devemos atentar para o que Ele é. E, como Deus é justo, e não erra nunca, não havia motivos para questioná-Lo. Neste momento dificílimo da sua vida, Davi foi adorar a Deus, reconhecendo o que Ele era, e exaltando-O por isso.
         Que diferença da geração de Eli, a qual considerou a presença de Deus como um mero amuleto! A forma como Davi portou-se ao trazer de volta a Arca do Senhor revela como estes princípios estavam corretos em seu coração:
 
“Então avisaram a Davi, dizendo: O Senhor abençoou a casa de Obede-Edom e tudo quanto tem, por amor à arca de Deus; foi, pois, Davi, e, com alegria, fez subir a arca de Deus da casa de Obede-Edom, à cidade de Davi. Sucedeu que, quando os que levavam a arca do Senhor tinham dado seis passos, sacrificava ele bois e carneiros cevados. Davi dançava com todas as suas forças diante do Senhor; e estava cingido duma estola sacerdotal de linho. Assim Davi, com todo Israel, fez subir a arca do Senhor, com júbilo, e ao som de trombetas. Introduziram a arca do Senhor, e puseram-na no seu lugar, na tenda que lhe armara Davi; e este trouxe holocaustos e ofertas pacíficas perante o Senhor. Tendo Davi trazido holocaustos e ofertas pacíficas, abençoou o povo em nome do Senhor dos Exércitos. E repartiu a todo o povo, e a toda a multidão de Israel, assim a homens como a mulheres, a cada um, um bolo de pão, um bom pedaço de carne e passas. Então se retirou todo o povo, cada um para sua casa.” (2 Samuel 6.12-15,17-19)

         Este foi um dia de festa para todo o povo. Ofertaram ao Senhor, cantaram, dançaram e comeram, pois a presença do Senhor estava com eles! Davi conseguiu comunicar a grande parte daquele povo a importância de reverenciarmos e cultuarmos a Deus com alegria, pois o Senhor é merecedor de todo o nosso louvor. Ele violou as leis da etiqueta real, descobrindo-se diante do povo, dançando, e jubilando, e assim desagradou a Mical, sua esposa. Quando Davi chegou em casa, ela o criticou. Ela pertencia ao grupo que somente se interessa pelo que Deus faz, e não pelo que Ele é! Por isso ela não chegou a ver o que Deus podia fazer por ela: ela ficou estéril até o dia da sua morte!
 
“Ao entrar a arca do Senhor na cidade de Davi, Mical, filha de Saul, estava olhando pela janela, e, vendo o rei Davi, que ia saltando e dançando diante do Senhor, o desprezou no seu coração. Voltando Davi para abençoar a sua casa, Mical, a filha de Saul, saiu a encontrar-se com ele, e lhe disse: Que bela figura fez o rei de Israel, descobrindo-se hoje aos olhos das servas de seus servos, como sem pejo se descobre um vadio qualquer! Disse, porém, Davi a Mical: Perante o Senhor que me escolheu a mim antes do que a teu pai, e a toda a sua casa, mandando-me que fosse chefe sobre o povo do Senhor, sobre Israel, perante o Senhor me tenho alegrado. Ainda mais desprezível me farei, e me humilharei aos meus olhos; quanto às servas, de quem falaste, delas serei honrado. Mical, filha de Saul, não teve filhos, até o dia de sua morte.” (2 Samuel 6.16,20-23)

         Davi era alguém que não buscava a Deus de um modo interesseiro, nem se preocupava somente consigo mesmo, mas sempre colocava o Senhor à frente. Todas as suas atitudes mostram que, diferentemente da geração apóstata de Eli, ele tratava o Senhor como Deus, e não como um mero amuleto!
         Semelhantemente, quem aprende a forma correta de se achegar a Deus certamente será alguém marcado por aquilo que Deus faz, pois a reverência ao Senhor é o meio pelo qual provamos milagres e manifestações maiores.
         Já é hora de a Igreja entender que estamos nos achegando a Deus quando O adoramos, e não estamos apenas “nos preparando para recebermos a Palavra”! A música no culto é para o louvor e adoração d’Aquele que é digno! Não é um mero entretenimento! Tanto na celebração coletiva como na devoção pessoal, temos nisto uma das maiores chaves para a manifestação do poder de Deus em nossas vidas!
         É hora de reaprendermos a honrarmos ao Senhor pelo que Ele é, e assim o que Ele faz será uma consequência natural em nossas vidas, pois é impossível adorarmos ao Senhor sem provarmos a Sua ação em nossas vidas! Tiago escreveu o seguinte sobre isto:
        “Chegai-vos a Deus e ele se chegará a vós outros.” (Tiago 4.8a)
         À medida que nos aproximamos do Senhor em amor e exaltação, a Sua presença também vem ao nosso encontro. E os milagres acontecerão quando tivermos a presença do Senhor conosco – ainda que não estejamos esperando isto!

Autor: Pastor Luciano Subirá