O Destemido João Batista


         Quem, em nossa era, estaria disposto a colocar-se frente a frente com uma alta autoridade e, de dedo em riste, dizer-lhe: “Não te é lícito beber e fumar para não dar mau exemplo aos jovens”.
         Qual o apóstolo, bispo ou profeta diria pessoalmente a um parlamentar “sanguessuga”: “O senhor desonrou o mandato popular e receberá o castigo divino. Arrependa-se e peça perdão a Deus e aos seus eleitores”. Quem?
         Qual o bispo, profeta, pastor ou apóstolo diria a um grupo de políticos: “Raça de víboras. O que vocês fazem na calada da noite, em orgias sexuais, adultério e em falcatruas os levará para o lago de fogo e enxofre”.
         João Batista foi além. Ele falou diretamente ao temível rei Herodes, que detinha plenos poderes para prender, torturar e matar. O rei, em pecado de adultério, não dava bom exemplo ao povo. Indignado, profeta vociferou:
 
“Não te é lícito possuir a mulher do teu irmão”  Mateus 14.4.

        Herodes estava “ficando” com Herodias, mulher do seu irmão Filipe.
         A “voz do que clama no deserto” daria muito trabalho nos dias atuais. É provável que fizesse visitas freqüentes aos parlamentares. Com voz forte, sem medir conseqüências, soltaria o verbo contra os ladrões do dinheiro público: “Raça de víboras, quem vos ensinou a fugir da ira que está para vir?”. Em pouco tempo, estaria processado e preso por desacato a autoridade.
         Como seriam suas visitas às igrejas? – “Pastor, o senhor está desviando os dízimos e ofertas para seu próprio enriquecimento. Preste contas dos gastos da igreja às ovelhas. Quanto custou este templo? Houve concorrência para sua construção? Quem ganhou? Divulgue com transparência suas receitas e despesas. Arrependa-se urgentemente de seus pecados para livrar-se do fogo eterno”.
         “Olá, pastor. A sua ganância encheu a medida do Senhor. Entregue o cajado a outro. O seu tempo passou. Não insista em permanecer no cargo para que não lhe aconteça coisa pior”.
         Talvez João Batista enfrentasse a resistência dos relativistas e fanáticos: “O senhor está a julgar os ungidos de Deus”. Ao que ele responderia: “Abaixo com essa idiotice. O machado já está posto à raiz das árvores; toda árvore, pois, que não dá bom fruto é cortada e lançada no fogo”.
         O cárcere calou a voz do profeta. Antes de ser decapitado, ele, se referindo a Jesus, deu um dos maiores exemplos de humildade:
“É necessário que Ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30).


Autor: Pr Airton Evangelista da Costa


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