O Capricho do Purgatório


Você pode imaginar que Deus concedeu a um homem, o Papa, o poder de livrar as almas do purgatório? E que, conseqüentemente, dependeria de um homem o tempo de duração da permanência sob tormentos essas passariam? Você realmente pensa que Deus ama tão pouco as almas, que deixa a duração de seus sofrimentos sob o controle de outro homem? Crê você realmente que Deus trata com tanta pressa o castigo de seus filhos?

Ademais, segundo Roma, o purgatório é o lugar onde as almas terão de experimentar uma purificação necessária antes que possam contemplar a Deus. Mas se esse papa tem o poder de livrar do purgatório imediatamente a uma alma mediante uma indulgência plenária, então parece que essa purificação não seja necessária e, desta forma, Roma se contradiz a si mesma.

Por que Roma não quer reconhecer que a cruz de Cristo possui um valor que não só pode redimir a nossa culpa, como também nosso castigo? Acaso a entrega confiada ao papa tem mais valor que a entrega confiada a Jesus Cristo? Devemos, pois, confiar mais nas promessas de um homem pecador, que na promessa clara e fiel de Jesus Cristo? Pois, o profeta Isaías predisse sobre o futuro Messias, que ele levou o nosso castigo Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e esmagado por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. (Is 53:5)

E João Batista disse de Jesus: No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. (Jo 1:29)

João Batista não faz distinção alguma entre a culpa e o castigo do pecado; mas diz manso e amavelmente, que Jesus tira, apaga o pecado.

Portanto, essa doutrina de que Jesus unicamente havia pagado a culpa e não a pena dos nossos pecados, foi inventada pela soberba humana, a qual não pode tragar que deva receber tudo das mãos de Jesus. E isto é o que se passa a Roma e os seus: querem ser tão orgulhosos, que eles mesmos se propõe a purgar suas penas, não podem crer no amor infinito do Pai o qual permitiu que Seu Filho pagasse totalmente a pena ou castigo por nossos pecados, não podem crer no poder infinito das dores de Cristo, não podem crer em Sua misericórdia sem limites, a qual quer indultar tudo, também a pena pelos pecados; querem ofuscar as belas parábolas, querem pintar-nos um bom Pastor que vai em busca da ovelha perdida no deserto, para atirá-la após nos tormentos do purgatório; querem apresentar-nos a Cristo como um esposo que comprou a Sua esposa, a Igreja, com Seu precioso sangue, mas que primeiramente a deixa por um tempo no fogo antes que Ele se disponha a celebrar com ela o Seu casamento eterno no céu. Vocês não percebem, que aqui se acha uma contradição mui infeliz e amarga?

Que tipo de amor é esse que quer atrair alguém a sofrimentos terríveis, sem necessidade alguma? Certamente é amor, quando um pai leva o seu filho para a mesa de cirurgia, para livrá-lo de uma morte segura. Mas, segundo a doutrina das indulgências, o purgatório não é necessário. Acaso o Pai celestial submeteria seus filhos, por puro capricho, a um tratamento purificador que é muito mais doloroso que uma cirurgia mais grave e insuportável? É essa a imagem que as Escrituras nos apresentam do Pai que preparou uma grande festa para seu filho, que se havia perdido e retornou a casa? Aquele Pai da parábola não disse: - “agora, deves, em primeiro lugar e durante dois meses, dia e noite, ser castigados por meus servos, antes que volte ao seio do nosso lar”. Não; mas o Pai, deu-lhe um anel, roupas, o melhor cevado devia ser sacrificado e os músicos deviam vir e alegrar a casa. Todos deviam alegrarem-se. Jesus não disse ao ladrão da cruz: “você vai passar um tempo no purgatório, até pagar todas as suas penas e depois eu te levarei ao meu Pai”. Mas: “ainda hoje estarás comigo no Paraíso”.

Somente quem não experimentou o amor em sua vida pode imaginar semelhante teoria do purgatório, lúgubre e desumana teoria.

Se o papa realmente tem poder de livrar do purgatório as almas, por que, pois, não ordena uma única indulgência mediante a qual sejam tiradas imediatamente do purgatório todas as almas? Se em alguma ocasião na qual a casa foi incendiada, ouvimos os lamentos das crianças ou pessoas que estão ali trancadas (presas), quem de nós, inclusive arriscando a própria vida, não tentaria salvá-los da casa envolta em chamas?

Bem, agora, segundo o papa, os filhos de Deus sofrem de dores no purgatório, e, segundo ele próprio afirma, ele tem poder de tirar-lhes dessas chamas. O papa não precisa de expor a sua própria vida para salvar-lhes. Sentado atrás de sua escrivaninha, pode expedir indulgências plenárias mediante as quais as pode abrir as portas deste cárcere abrasador, e fazer que todas as almas se precipitem para fora dando gritos de júbilo por sua libertação. Quanto não se esforçam as Tropas Aliadas para chegar o mais rápido possível aos campos de concentração, afim de por em liberdade novamente os esqueléticos seres que se encontravam ali.

  1. Mas aqui não se faz mais que jogar com as indulgências. O papa se nega a salvar as almas com uma única e grande indulgência. Nós conhecemos pela história o comércio blasfemo em torno das indulgências. Foi uma das causas da origem da Reforma no séc. XVI.

  2. Mas, constantemente, ainda em nossos dias, se trata e comercia com essas indulgências.
  3. Por que o papa não dá a cada sacerdote a mesma faculdade de conceder indulgência pelos rosários, via-crucis, medalhas, etc? Por que os passionistas e redentoristas têm muito mais privilégios que as congregações recentes? Por que os amigos do papa obtêm muito mais privilégios que demais congregações? Por que     os papas seguem concedendo a Espanha o privilégio de que ali e para a Igreja Católica romana se vendam bulas que estão ligadas a indulgência plena? (Uma edição de tal bula, na qual se menciona a aprovação de Paulo VI e se há firma e o selo do primado da Espanha, Cardeal Pla y Daniel, foi publicada na revista “En La Calle Recta”.

Não haveria que se deduzir tudo isto, que na Igreja Católica romana apenas se crê na doutrina das indulgências? Como explicar, que se trate tão caprichosamente as pessoas?

Capitalismo na Igreja Católica

A doutrina do purgatório também introduziu o capitalismo na Igreja Católica. Pois, embora se possa sair muito antes do purgatório mediante o encargo de celebração das missas. Mas, para isso, há que se pagar com dinheiro. É possível aceitar, ou crer, que Jesus, que quis nascer pobre numa manjedoura em Belém, que usou o chicote nos que comerciavam no templo, de alguma forma faria depender do dinheiro a antecipação ou postergação da libertação do purgatório? Ele, o amigo dos pobres e pecadores, ainda haveria de favorecer os ricos? Ele, que expôs a história do homem rico e Lázaro, teria querido por uma situação privilegiada os poderosos e abastados? Você realmente crê nisso? A falta de sentido da doutrina do purgatório também se depreende que segundo Roma, o batismo certamente perdoa todas as penas e pecados, mas não a confissão.

Onde nas Sagradas Escrituras pode se encontrar nem uma só palavra que nos indique que um sacramento possuiria mais força eficácia que outro? Por que o batismo dá remissão de todas as penas a purgar, e não a confissão?

Acaso já não é a cruz de Cristo que decide a remissão? Ou os sacramentos têm uma ação mágica, segundo estejam mais ou menos carregados da graça de Cristo? Acaso fazendo assim não se relega a um segundo plano as relações pessoais com Jesus Cristo?

Segundo essa doutrina, é de suma importância que o sacramento seja recebido imediatamente antes da sua morte. Alguém que morre imediatamente depois de ser batizado, vai diretamente ao céu. Sem dúvida, alguém que teve a desgraça de ser batizado muito antes de morrer, terá que, em conseqüência do exposto, passar durante algum tempo pelo tormento do purgatório. Com estas teorias; que decréscimo há da simplicidade das Escrituras Sagradas, que nos ensinam que só a confiança a Jesus Cristo é o caminho pelo qual nos fazemos participantes de Suas bênçãos.
Na sóbria Holanda existe inclusive uma seguradora aprovada pelos bispos, a saber, a Sociedade de São José, na cidade de Alkmar, que oferece apólices de seguro contra os castigos do Purgatório, através de missas fúnebres. Uma documentação a respeito já foi publicada na revista “En La Calle Recta”; assim se evidencia que cerca de 400 mil católicos romanos holandeses adquiriram apólice semelhante.

E que pensar da indulgência da “porta”. Esta é uma indulgência plenária que se pode obter nos dias 1º e 2 de novembro. Para isso deve-se rezar seis pai-nossos, seis Ave-marias e seis Glórias, e ao mesmo tempo visitar uma igreja. Apenas com uma passagem pela porta de uma igreja, pode-se ganhar, através dessas orações uma indulgência plenária em favor das almas do purgatório. E dizer que, cada vez que se repetem essas rezas, deve-se sair da igreja, e só dessa forma estas orações voltam ter o poder de uma indulgência plenária. Nas datas mencionadas, pois, há um constante trânsito de entrada e saída das igrejas católicas romanas.

Repito: quão longe não está tudo isto da relação pessoal com Jesus Cristo.

A doutrina do purgatório ofende a grande salvação operada por Jesus Cristo. Muitas vezes no Antigo e Novo Testamento nos é anunciado Cristo como o Salvador de pecadores. Segundo a explicação do anjo que aparece a José, esse é o significado do nome que se há de dar ao menino: Jesus (YOSHUA, isto é Deus salva- Mateus 1:21). Pois bem, no final de Sua vida, Jesus exclama: “Está consumado” (João 19:30). Mas a doutrina do purgatório diz que Jesus não cumpriu Sua vocação, mas que Ele unicamente realizou a obra pela metade; que Ele fez o principal; que Ele levou sobre Si a culpa eterna do pecado, mas que nós mesmos devemos purificar-nos ainda com um castigo temporal.

Texto traduzido do livro “Madre Yo te Acuso” de Hermann J. Hegger por A.G.Dias.

Autor: Alcebídios Garcia Dias


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