História do Saco Furado


"Eu não entendo!" exclamou José, enquanto voltava do Banco 24 Horas. "Houve algum engano, a máquina diz que estou com saldo negativo!"

"De novo?" perguntou sua namorada Valéria. "Quanto seu talão diz que tem?"

 "Não sei exatamente... não tive tempo para descontar os últimos cheques e refazer as contas. Mas tenho certeza que não é negativo.  Acabei de ganhar um bom aumento... Para onde foi todo aquele dinheiro?"
 
 A voz da Valéria revelou seu desânimo. "Não sei. Mas parece que um de nós ganha um aumento, fica com menos do que antes. Nossas contas são sacos furados!"

São poucos os jovens que não lutam contra a história do saco furado. Não é suficiente adquirirmos bons hábitos financeiros também precisamos saber o que evitar se seremos bem-sucedidos em termos econômicos, pelo menos aos olhos de Deus.

Todos nós somos vítimas dos ladrões da inflação, desvalorização, e crise financeira que nos assaltam diariamente. Mas será que estes bandidos são os mais culpados por nosso desequilíbrio financeiro?  Ou será que nossa própria indisciplina tem colocado o maior furo no nosso "saco bancário"? Enquanto há pouco que podemos fazer para melhorar a situação financeira do país, há muitas possibilidades para consertar nosso próprio saco furado.  Provérbios, revela os maiores furos que desequilibram as nossas finanças. Se preferir, são 5 passos simples para perder seus bens e achar a verdadeira miséria.

1. Vícios - Quando pensamos em vícios, imaginamos bebida alcoólica, drogas e cigarro, e sem dúvida estes causam muita miséria. Como jovem, calculei que meus pais gastavam mais de $US 2000 por ano em bebidas alcoólicas, enquanto a família passava necessidade.

Mas outros vícios "inocentes" são como 'teias de aranha' e prendem as nossas finanças. Refeições fora, visitas à sorveteria, salgadinhos e refrigerantes, cinema, vídeos e vídeo games, ligações interurbanas, e viagens desnecessárias são pequenas "aranhas" que crescem até que tirem a vida do orçamento. Provérbios diz "Quem ama os prazeres empobrecerá, quem ama o vinho e o azeite jamais enriquecerá" (21:17). 

2. Especulação - O segundo passo em direção à miséria conforme Provérbios é especulação com seu dinheiro. "O que corre atrás de cousas vãs é falto de senso" (12:11). "Os planos do diligente tendem à abundância, mas a pressa excessiva, à pobreza" (21:8). "Aquele que tem olhos invejosos, corre atrás das riquezas, mas não sabe que há de vir sobre ele a penúria." (28:22). O desejo de ficar rico sem muito esforço leva muitos à especulação. Historicamente, os efeitos coletivos numa sociedade são desastrosos.

Para o indivíduo há muitas formas de especulação: jogos de loteria, raspadinhas, a bolsa de valores, câmbios de moedas estrangeiras, a compra e venda de veículos, telefones, e imóveis, e aventuras "garantidas" em negócios duvidosos. Poucas pessoas possuem a segurança financeira para poder se arriscar nestes negócios sem romper seu próprio bolso econômico. O caminho sábio, conforme Provérbios, é mais conservador, e muito melhor para a economia: TRABALHAR E POUPAR!

3. Dívida - O terceiro furo no saco orçamentar são as dívidas.  Qualquer empréstimo que comprometa as finanças do seu futuro leva à escravidão: "O rico domina sobre o pobre, e o que toma emprestado é servo do que empresta" (22:7).  A dívida é uma tesoura que rasga o saco financeiro.  A sociedade nos seduz para cairmos nesta armadilha: Cartões de crédito, cheques especiais, consórcios, pagamentos parcelados (com ou sem juros) e muitos outros.  Não que o uso destes constitui pecado. O perigo é gastar agora o que se pretende ganhar amanhã. E o saco rasga mais um pouco.

Pior que a dívida pessoal em Provérbios, a fiança constitui uma espécie de dívida importada. O fiador se compromete pela dívida de terceiros, como, por exemplo, na compra ou no aluguel de um apartamento ou carro, no início de um novo negócio que exige empréstimos, etc.  Provérbios diz "Não estejas entre os que se comprometem e ficam por fiadores de dívidas, pois se não tens com que pagar, por que arriscas perder a cama de debaixo de ti?" (22:26,27).

4. Desperdiçio - Um outro "buraco negro" no orçamento é o desperdiçio a falta de cuidado e mordomia dos bens. Provérbios aconselha: "Procura conhecer o estado das tuas ovelhas, e cuida dos teus rebanhos, porque as riquezas não duram para sempre, nem a coroa de geração em geração" (27:23,24). Em outras palavras, cuide do que tem, ou perdê-lo-á! Em nossos dias talvez signifique consertar um cano furado antes que estrague a parede; apagar as luzes quando sai da sala; trocar o óleo e os filtros do motor do carro; escovar os dentes depois de cada refeição; manter sua saúde pelo exercício físico e sono; comer as sobras das refeições e não jogar fora; planejar bem as compras para uma viagem só; tomar banhos breves (mas eficientes!); usar o telefone fora do horário comercial; comparar os preços e evitar "grifes" caras; ficar de olhos abertos para liquidações e ofertas especiais. O saco se rasga quando desperdiçamos o que Deus nos confiou, e quando tentamos viver acima dos nossos bens.

5. Egoismo - Parece um paradoxo, mas Provérbios deixa claro que perdemos quando nos agarramos nos nossos bens, e ganhamos quando abrimos mão deles e contribuímos para outros. Em primeiro lugar, reconhecemos que tudo o que temos vem da boa mão do SENHOR em nossas vidas (Pv. 3:5,6). Por isso, honramos ao SENHOR com as primícias de toda a nossa renda (3:9,10). O egoísta esquece da soberana atuação de Deus em suas finanças. O pouco que ele tem cai pelos buracos.

Em segundo lugar, o justo procura informar-se sobre as necessidades dos pobres ao seu redor, e faz tudo o que pode para socorrê-los. "A quem dá liberalmente ainda se lhe acrescenta mais e mais, ao que retém mais do que é justo, ser-lhe-á em pura perda" (11:24). O que dá ao pobre não terá falta, mas o que dele esconde os seus olhos será cumulado de maldições (28:27). Egoismo põe um grande furo no saco!

Como que José e Valéria podem costurar seus "sacos" orçamentares? Um grande passo seria estudar suas entradas e saídas durante os próximos 2 ou 3 meses para descobrir os buracos. Depois terão condições de montar  orçamentos que refletem princípios bíblicos para as finanças.  Também não seria uma má idéia rever o seu saldo da conta corrente de vez em quando. Até então, esperemos que o Banco 24 Horas ainda esteja funcionando.

Autor: Pr. Davi Merkh