Fã dos Esportes de Deus


O apóstolo Paulo usou ilustrações dos eventos atléticos para ensinar lições sobre a vida cristã.
 
Mais uma vez eu, como milhões de outros, apreciei as duas semanas de uma variedade de esportes olímpicos e me alegrei quando nossos jovens atletas competiam pela medalha de ouro. Como a maioria das pessoas, meu coração se entristeceu por aqueles cujos esforços foram frustrados. Lágrimas umedeceram meus olhos ao ver sonhos queridos se materializarem. Mas isso sempre será o caso com essas competições intensas, porque somente os melhores é que recebem o prêmio — embora muitos anos de treinamento sejam investidos no esforço.

Desde a primeira vez que assisti aos Jogos Olímpicos pela televisão (meus netos acham que foi no tempo em que os dinossauros percorriam a terra!), a dedicação exibida pelos atletas de categoria internacional sempre me impressionou. Se eu tivesse de avaliar o grupo inteiro, as pequenas ginastas e patinadoras no gelo estariam no topo. Parece que elas enfocam no objetivo em uma idade muito anterior que os meninos e mostram uma maturidade incomum para sua idade. Alguns dos relatórios pessoais transmitidos por vários programas esportivos sobre essas pequenas atletas foram assombrosos, para dizer o mínimo! Ainda na infância, algumas chegaram até a deixar o lar para viver com seus treinadores particulares de modo a maximizar seu potencial. Regimes que seriam desanimadores para um adulto são seguidos com atenção e elas fazem sacrifícios que crianças comuns não sonhariam em fazer — tudo na busca pela excelência.

Embora seja verdade que os atletas olímpicos ganhadores da medalha de ouro possam freqüentemente receber milhões em patrocínios, isso não foi sempre assim. Apenas alguns poucos anos atrás, uma fama relativamente curta e a própria medalha era tudo o que alguém poderia esperar. Mas isso não esfriava o entusiasmo à medida que muitos procuravam ser os melhores no mundo em sua modalidade esportiva em particular.

Nos jogos olímpicos originais e até relativamente em tempos recentes, as várias competições estavam limitadas aos homens. Somente um ganhador era coroado em cada evento — não três. O prêmio era uma coroa de louros (não folhas de oliveira — como foi informado durante os jogos recentes na Grécia. A expressão "descansando sobre seus louros" surgiu como uma referência àqueles que tinham se afastado das competições. Eles eram ganhadores e estavam contentes com as realizações passadas). Foi a essa coroa de folhas verdes perecíveis que o apóstolo Paulo se referiu na seguinte passagem das Escrituras:

"Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível. Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. Antes subjugo o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado." [1 Coríntios 9:24-27; ênfase adicionada].

Ser agraciado com a coroa da vitória era um "grande negócio" naqueles dias também — estou certo que ela concedia algumas vantagens adicionais para aqueles que a recebiam. Mas, com todas as coisas levadas em consideração, a compensação ainda era pequena em comparação com a quantidade de tempo e esforços despendidos. Esse é precisamente o ponto que Paulo está tentando deixar claro. "Eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, uma incorruptível." Mas, em contraste, nós como cristãos, devemos estar forçando como corredores da maratona — esforçando-nos até a exaustão — tentando ganhar a máxima premiação possível no Trono de Julgamento de Cristo.

"Olhai por vós mesmos, para que não percamos o que temos ganho, antes recebamos o inteiro galardão." [2 João 1:8].

"Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus." [Filipenses 3:13-14].

Referenciando novamente os comentários específicos de Paulo em 1 Coríntios 9:27 (citado anteriormente), ele menciona a possibilidade de ser adokimos — a palavra grega traduzida como "reprovado". Muitos continuam a interpretar erradamente essa afirmação como se ensinasse que uma pessoa pode perder a salvação, mas considerada no contexto, o significado é bem claro: aqueles que competem precisam competir de acordo com as regras, ou serão desqualificados. Inúmeros competidores foram desqualificados durante as últimas olimpíadas por várias razões — por deixarem a linha de partida prematuramente, por saírem da sua pista nos eventos de corrida, erros demais no salto de longa distância, etc. — e assim foram considerados inelegíveis para uma medalha naquele evento.

Em referência a esse ponto sobre os Jogos Olímpicos, o World Book Encyclopedia diz: "Nas primeiras Olimpíadas, sacrifícios de grãos, vinho e carneiros eram feitos a Zeus no primeiro dia. Juramentos solenes eram feitos que os competidores seriam julgados com justiça e que os competidores disputariam como bons esportistas..." A partir de outras fontes sabemos que qualquer um que fosse apanhado violando as regras perdia a chance de vencer. Portanto, é a essa perda que Paulo se refere e precisamos compreender que nenhuma outra punição era dada. Ele estava expressando uma preocupação pessoal que após ter feito o melhor que podia para cruzar a linha do fim da vida, mais tarde descobrisse que alguns de seus esforços tinham sido em vão por causa de uma infração das regras. Uma coroa que poderia ter sido recebida acabaria sendo perdida.

Nas Olimpíadas Gregas, a desqualificação de um competidor ocorria diante do bema — uma plataforma — sobre a qual os juízes se assentavam, de onde anunciavam suas decisões e distribuíam as premiações. Paulo faz alusão a esse bema em 2 Coríntios 5:10, quando fala a respeito do "tribunal de julgamento de Cristo":

"Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal." [2 Coríntios 5:10].

A palavra grega traduzida como "tribunal" nesse verso é bema.

Todos os cristãos serão julgados diante do Tribunal de Cristo e ali ficaremos sabendo se houve uma desqualificação em qualquer área de nossa vida. Alguns de nós poderão perder todas as recompensas que poderiam ter ganho se tivessem observado fielmente as regras de Deus, mas o simples fato de ficarmos sabendo da desqualificação diante do Tribunal de Cristo nos céus descarta a perda da salvação!

Retornando ao assunto de como a dedicação se aplica aos competidores, Paulo enfatiza o ponto que aqueles atletas davam o melhor de si para conquistarem uma coroa corruptível de louros. Contudo, muitos cristãos, que por virtude do novo nascimento estão na corrida por galardões de uma natureza maravilhosa e eterna, freqüentemente exibem pouca ou nenhuma dedicação. Espiritualmente obesos e flácidos, eles estão contentes em sentar-se no banco e deixar que outra pessoa qualquer faça todos os esforços. Orar, ler a Bíblia, usar o tempo, talentos e recursos financeiros com amor no coração pelo Senhor Jesus Cristo precisa envolver não menos compromisso que o demonstrado pelos atletas de classe internacional, se quisermos receber um galardão quando cruzarmos a linha de chegada. Todos os cristãos genuínos perseverarão e completarão a corrida, mas nem todos irão receber o "prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus".

E você? Está dando o melhor de si para o mestre? Ou, como muitos outros, tem de admitir que seu zelo já foi melhor antes? Nossa salvação custou a vida do Filho amado de Deus, de modo que como pode um filho da graça "descansar sobre seus louros" e oferecer menos que o máximo esforço? A vida cristã é análoga ao "Triatlon do Homem de Ferro" e não aos cem metros rasos — de modo que uma vida inteira de condicionamento contínuo é necessária para ser bem sucedido!

"Portanto nós também, pois que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo o embaraço, e o pecado que tão de perto nos rodeia, e corramos com paciência a carreira que nos está proposta." [Hebreus 12:1].

Novamente vemos uma verdade espiritual ilustrada em termos atléticos. Essa característica nos escritos do apóstolo Paulo é apenas uma das muitas razões por que acredito que ele escreveu a epístola aos Hebreus — uma crença que não é compartilhada por alguns eruditos. Mas, independente do instrumento humano usado por Deus, esse verso transmite a firmeza e perseverança espiritual necessárias para continuar avançando quando todas as fibras do nosso ser estão cansadas e desejam parar.

Os corredores de longa distância, bem como outros atletas, freqüentemente usam pesos nas pernas e nos braços durante o treinamento para aumentar sua resistência física — para que quando competirem em uma corrida sem os pesos, seu desempenho seja grandemente aumentado. Em Hebreus 12:1 (citado anteriormente) é essa remoção dos embaraços que o autor usa para ilustrar o ponto espiritual. O pecado, como o uso intencional de um peso pelo atleta, é um embaraço não desejado para nós. Nossas vidas ficam atrasadas e nosso vigor espiritual é exaurido quando ignoramos nossos pecados e permitimos que sejam um embaraço em nós. Portanto, para removê-los, precisamos reivindicar a promessa encontrada em 1 João 1:9:

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça."

Compreenda que o novo nascimento não remove nossa velha natureza caída e depravada e o pecado continuará sendo um fato triste da vida para o cristão. Mas o maravilhoso e assombroso fato é que a pena de morte por nosso pecado foi removida pelo sacrifício de Jesus Cristo! Ele mudou totalmente nosso relacionamento com Deus e as transgressões são agora aquelas de uma criança contra nosso Pai Celestial e não contra nosso Juiz. Assim, para "corrermos com paciência a carreira que nos está proposta", precisamos compreender que o pecado é tão natural quanto a respiração para nós — "ele nos rodeia de perto". Mas esse fato não é definitivamente uma desculpa válida para pecar e, para evitarmos a mão de correição de Deus, precisamos fazer o melhor que pudermos para pecar menos e vir rapidamente até Ele em busca do perdão quando falharmos! Adiar e permitir que o pecado cresça em nossas vidas será um embaraço para nós e atrapalhará nosso progresso em alcançar a linha de chegada.

Está você tentando o melhor para correr, mas está sem fôlego espiritualmente e a dor no seu lado é quase maior do que você pode suportar? Amado, provavelmente isso é devido aos pesos desnecessários que você está carregando por ai! Continue caminhando mesmo que com dificuldade em direção à linha de chegada e, à medida que fizer isso — como um filho do Rei que você é, chegue-se com confiança ao trono da graça [Hebreus 4:16] e peça que Seu Salvador remova os pesos. Quando seus pecados forem perdoados e removidos da sua vida você voará como o vento!

Autor: Pr. Ron Riffe