Entre a Fé e a Razão


Peça-a, porém, com fé, em nada duvidando; porque o que duvida é semelhante à onda do mar, que é levada pelo vento, e lançada de uma para outra parte. Tiago 1:6

A fé tem uma inimiga declarada: a dúvida. Essa palavra no grego se traduz como “diakrino” (strong 1252) significando: separar dois elementos, componentes ou valores. Também sugere hesitação entre esperança e medo. Dúvida gera conflito, incerteza.  Apostolo Tiago compara um coração duvidoso as ondas no mar, levadas de uma direção a outra pela força do vento Tg 1:6. Na filosofia, dúvida é principio de sabedoria,  porque através dela se estabelece  métodos que conduzirão  a respostas concretas. Descartes é o criador da  “duvida metódica” que sugere duvidarmos de tudo para enfim chegarmos  a certeza das coisas: “penso, logo existo”, é a máxima do pensamento cartesiano, que coloca a razão no centro do viver. "Eu duvido, logo penso, logo existo".

E atribuir à razão, o cerne do existir, foi submergir Deus na história. O pensar, deveria ter por base, o concreto, e este, deveria ser distinto de tudo quanto era tido por verdade - Deus, que Deus? - Eis aqui o conflito que perdura por séculos e que fez fé e razão se tornarem opositoras. Ciência quer provas concretas. Fé se fundamenta no invisível: “ora a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” Hb 11:1. Enquanto a ciência necessita da dúvida, a fé a rejeita: ela é como areia movediça, terreno perigoso, prestes a devorar o morto. Fé não habita onde houver dúvida. Eis a loucura da Cruz, o mistério do Evangelho.

“Porque a Palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. Porque está escrito: destruirei a sabedoria dos sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes. Onde está ó sábio? Onde está o escriba? Onde está o inquiridor desse século? Porventura não tornou Deus louca a sabedoria do mundo?.” I Cor 1:18-20.

Deus é uma questão de fé. Fé não duvida, ela tem certeza, mesmo diante do invisível. E esse invisível, é tão verdadeiro para os que têm fé, que passa a ser concreto. Se ele é concreto, é prova. Se é prova, é real, é inquestionável. “De fé em fé se descobre a justiça de Deus, porque está escrito: o justo viverá pela fé” Rm 1:17. Viver pela fé, significa ser elevado, acima do possível. Fé é um universo eterno, onde habita o coração dos crentes. Esse coração  convive com a graça Divina, e  recebe também do que é Divino. Fé, se firma no túmulo vazio de Jesus. Na cruz que outrora O sustentou, mas que agora se ergue sem Ele, que ressuscitou! Na fé, é Ele quem nos sustenta.

 “E Pedro, descendo do barco, andou sobre as águas para ir ter com Jesus. Mas sentindo o vento forte, teve medo; e começando a ir para o fundo, clamou dizendo: Senhor, salva-me. E logo Jesus, estendendo a mão, segurou-o e disse-lhe: homem de pequena fé, por que duvidaste?” Mt 14:29,31

Tenha fé, não duvide em seu coração. Onde houver dúvida, é impossível que haja fé. Acredite em todo o tempo, mesmo que não haja circunstâncias para isso. Firme-se na Palavra viva e eficaz que é Jesus, Ele estará segurando suas mãos para que ande sobre as águas. Mas não duvide. Pedro duvidou e afundou.  Se a dúvida também  tivesse entrado no coração de Abraão, ele não teria sido o patriarca das nações, de crentes. Jamais teria sido tão abençoado! Deus lhe disse: “Abraão sai da tua casa e da tua parentela, para um lugar que eu te mostrarei” Gn 12:1. Ele poderia ter  hesitado, temido, desistido, diante do desconhecido. Mas a fé, é a prova do que se não vê e ele tão somente confiou. Segurou nas mãos de Jesus e seguiu em frente. Nenhuma chance à dúvida.

Hb 11:8 Pela fé Abraão, sendo chamado, obedeceu, saindo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia.

Não posso deixar de dizer sobre a importância de não menosprezarmos a ciência. Se ela é razão, devemos utilizá-la para compreender a vida. Tiremos a razão, quanto ciência de nosso quotidiano, e ficaremos desnorteados porque Deus fez o mundo com uma ordem tal que tudo funciona perfeitamente. Ele criou a ciência como lógica sustentável. O cientista Albert Einstein, fascinado com as descobertas sobre o Universo falou: “Deus não joga dados com o mundo”. Ou seja: A criação não é aleatória. A ciência nos orienta na compreensão das coisas. Nós somos ciência. Seres assombrosamente bem planejados! E temos um espírito. Somos fé. E a fé é a direção de uma vida melhor, de salvação e eternidade. Em assuntos de fé, não cabe dúvida. Em assuntos de ciência, ela é necessária, a dúvida, move as pesquisas.

Eis um trecho das Escrituras que define perfeitamente a importância da fé e da razão: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:1-2“. Nosso culto deve ser racional, pensado, lógico, equilibrado. Nisso cabe a dúvida, para que possamos ponderar a maneira certa e errada, sermos críticos e não nos deixarmos levar por engano. Agora, na medida que conhecemos, a fé aumenta e a dúvida se vai. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir a Palavra de Deus” Rm 10:17. Essa é a fé que não duvida, aquela que conhece a Deus.

Conhecer a Deus é não duvidar de que Ele sempre fará o melhor por nós. II Tm 1:7: "porque Ele não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza e de amor e de moderação." No silêncio, na alegria, na dor, em todos os momentos de nossa vida, tenhamos a certeza de que Deus cuida de nós, para além do que possamos compreender. E nós nem sempre precisamos compreender, mas crer. Essa é a fé que vence o mundo.

|  Autor: Wilma Rejane  |  Divulgação: estudosgospel.com.br |