Duas Vozes


Todos nós ouvimos vozes. Não falo de um louco que imagina conversas, nem da noção de alguma voz sobrenatural que sussurra mensagens à subconsciência. Falo de realidades na vida de todos. Ouvimos vozes quando damos atenção à influência de pessoas e ideias.

Como a Bíblia frequentemente enfatiza escolhas entre dois caminhos e dois destinos (Mateus 7:13-14; Deuteronômio 30:15), não deve nos surpreender ao descobrir que ela também apresenta um contraste entre duas vozes. Ouvimos uma ou a outra!

A primeira é chamada de "voz da transgressão". Davi, o segundo rei de Israel e autor de mais do que a metade do livro de Salmos, disse: “Há no coração do ímpio a voz da transgressão; não há temor de Deus diante de seus olhos. Porque a transgressão o lisonjeia a seus olhos e lhe diz que a sua iniqüidade não há de ser descoberta, nem detestada” (Salmo 36:1-2).

Pessoas que escutam a voz da transgressão podem se achar espertas e astutas, e podem até ganhar a admiração dos outros. Mas vivem no auto-engano, e suas aventuras rebeldes não terão um final feliz.

O triste fato é que muitos de nós ouvimos a voz da transgressão. Ela oferece o atraente fruto proibido e promete a liberdade para pecar sem consequência. Apesar das abundantes advertências contra o pecado, ela tenta nos convencer que nosso caso será diferente. Persuadidos por esta voz, pensamos que nosso pecado não será descoberto e, afinal de contas, não é nada tão grave. Ela pode até tentar nos convencer que o pecado trará benefícios, que seja a melhor escolha para nosso bem. Não foi este o argumento que a serpente usou para enganar Eva no Jardim? A voz da transgressão nos engana!

A segunda é chamada de "voz da sabedoria". Provérbios capítulo 8 fala desta voz que nos chama. A sabedoria é personificada neste capítulo, e ela levanta a sua voz e chama as pessoas a escutarem: “A vós outros, ó homens, clamo; e a minha voz se dirige aos filhos dos homens.... Ouvi, pois falarei coisas excelentes; os meus lábios proferirão coisas retas. Porque a minha boca proclamará a verdade; os meus lábios abominam a impiedade.... Melhor é o meu fruto do que o ouro, do que o ouro refinado” (Provérbios 8:4,6,7,19).

A sabedoria se baseia no temor do Senhor (Provérbios 8:13). A verdadeira sabedoria é oposta à astúcia rebelde, pois a astúcia procura se livrar da autoridade de um superior, enquanto a sabedoria se submete, voluntariamente, à autoridade do Criador. Como já observamos em Salmo 36:1, o ímpio foge deste temor e recusa ouvir a voz da sabedoria. O sábio, porém, busca entendimento da vontade de Deus. “O temor do Senhor é o princípio do saber, mas os loucos desprezam a sabedoria e o ensino” (Provérbios 1:7).

Para muitos, a busca da sabedoria de Deus parece uma tarefa chata e tediosa, enquanto os prazeres da carne e as atrações do mundo parecem interessantes e agradáveis.

Mas outros se dedicam à compreensão da vontade de Deus revelada nas Escrituras e aprendem apreciar o doce gosto desta sabedoria. Davi disse que os preceitos de Deus “São mais desejáveis do que ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o destilar dos favos. Além disso, por eles se admoesta o teu servo; em os guardar, há grande recompensa” (Salmo 19:10-11).

O autor do maior Salmo na Bíblia disse ao Senhor: “Quão doces são as tuas palavras ao meu paladar! Mais que o mel à minha boca. Por meio dos teus preceitos, consigo entendimento; por isso, detesto todo caminho de falsidade” (Salmo 119:103-104).

Duas vozes: a voz da transgressão e a voz da sabedoria. Decidimos ouvir uma e rejeitar a outra.

Escolhe bem a voz que ouvirá. E não se engane: a sua decisão terá implicações eternas!
|  Autor: Dennis Allan  |  Divulgação: estudosgospel.com.br |