Bem-aventuranças - Uma Conclusão Surpreendente


Com este artigo, chegamos à conclusão do nosso estudo das bem-aventuranças. Elas terminam como começaram, de uma maneira surpreendente.

"Bem-aventurados os misericordiosos" (Mateus 5:7). A misericórdia é uma qualidade que não é totalmente desconhecida, mesmo num mundo de homens basicamente egoístas. Mas esta é uma misericórdia seletiva e inconstante, que não se baseia no princípio, e não é uma disposição decidida do coração e do caráter. O mesmo homem que é capaz de compaixão ocasional, ainda acha os sofrimentos dos outros muito incômodos e a vingança muito doce.

A misericórdia que Jesus elogia vem da percepção penetrante da necessidade desesperada que a própria pessoa tem de misericórdia, não simplesmente a dos homens, mas especialmente a de Deus. Esta é uma misericórdia que mostra compaixão para com os desamparados (Lucas 10:37) e estende o perdão até mesmo aquele que repete a ofensa (Mateus 18:21-22). Esta compaixão não é inspirada pelas atraentes qualidades do ofensor (Como haveríamos de tratar o "feio" pecador?), mas se eleva de nosso sentido de gratidão por aquela misericórdia que Deus nos tem mostrado. Nós, também, não éramos atraentes quando Deus enviou seu Filho para a cruz (Romanos 5:8). Os cidadãos do reino do céu não esquecem suas tristes origens (Tito 3:1-5). Uma das maiores expressões deste tipo de misericórdia é o seu interesse sem egoísmo por um mundo pecador e sem atrativos, mas perdido (Mateus 9:36-38). Ela é uma força motora na pregação do evangelho.

A misericórdia para com os homens não merece a misericórdia de Deus, mas é uma evidência do espírito penitente, que é uma condição divina de perdão (Mateus 18:23-35). Os cidadãos do reino vivem entre seus companheiros, não como uma arrogante aristocracia espiritual, mas como homens perdoados e que perdoam.

"Bem-aventurados os pacificadores" (Mateus 5:9). Esta bem-aventurança não deixa de ter seus desafios. Os homens são tentados a aplicá-la àqueles espíritos conciliadores, cujo dom para negociação e compromisso acalmam as situações difíceis. Mas o contexto global do sermão se rebela contra isso. Não se trata dos pacificadores, no sentido comum, o da mediação de disputas humanas, mas no mais alto sentido de trazer os homens à paz com Cristo (João 14:27). Qual é o valor da paz comprada pelo preço de um princípio ou a tranqüilidade efêmera que não é fundada na reconciliação com Deus? Os verdadeiros pacificadores são aqueles que, eles mesmos, estão em paz com Deus (Romanos 5:1) e com os homens (Romanos 12:18) e que pregam no mundo um evangelho de paz e reconciliação (Efésios 2:13-17). Não há outras pessoas que possam ser chamadas de "filhos do Deus da paz" (Romanos 15:33). Quando os homens estão reconciliados com Deus e a paz de Cristo impera em seus corações, o espírito de compaixão, mansidão e perdão, produzido neles, ministra a reconciliação com todos os homens (Colossenses 3:12-15). Se, a despeito de tudo, outros estejam dispostos a ver tais pessoas como inimigos, a culpa não é dos pacificadores. Estes são os verdadeiros servos da paz no mundo.

"Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça" (Mateus 5:10-12). Aqui há uma conclusão supreendente. Estes pacificadores se tornaram os perseguidos! Jesus, já tendo tratado da atitude dos cidadãos do reino para com Deus, para com eles mesmos e para com outros, agora volta-se para considerar a atitude do mundo para com eles. Poder-se-ia ter pensado que um povo como o que Jesus descreveu seria recebido com grande regozijo no mundo: um povo humilde, descuidado de si mesmo, dedicado às necessidades dos outros. Ao contrário, o Senhor agora revela que eles provocarão no mundo uma animosidade amarga e ódio.

O Filho de Deus nunca procurou esconder de seus seguidores as realidades do sofrimento. Sua candura com aqueles que o procuraram entusiasticamente é notável. Ele insistiu para que eles, mesmo em seu ardor, calculassem a despesa (Mateus 8:19-20; Lucas 14:26-33). O Senhor não quer que sejam discípulos por ingenuidade. Ele não quer que choques inesperados destruam sua fé. Ele falou francamente, de modo que, quando seus discípulos sofressem, eles possam saber que isso é justamente como ele disse que haveria de ser e se encorajem com a certeza de que as promessas de glória de seu Mestre são igualmente seguras: "pois quem fez a promessa é fiel" (Hebreus 10:23).

Mas qual é a causa desta perseguição consciente e odienta de um povo humilde e meigo? Nenhuma conspiração secreta e maligna. Nenhuma prática clandestina de ritos ímpios e imorais. Seu crime é simples. Eles escolheram ser justos em um mundo injusto. Eles são bem idênticos ao seu Mestre (João 15:18-20). Seu amor e simplicidade servem só para ressaltar em feio contraste o tenebroso egoísmo de uma geração ímpia que odeia a luz e sente agudamente o julgamento silencioso da inocência contrastante dos cristãos (João 3:19-20).

Os discípulos do Senhor deveriam regozijar-se diante de uma oposição que revela que o espírito e o caráter de seu Salvador foi visto neles. Eles deveriam regozijar-se porque lhes foi concedido o privilégio de sofrer por aquele que sofreu tanto abuso por amor deles (Filipenses 1:28-29; Atos 5:41). Mas, acima de tudo, eles deveriam regozijar-se porque seu sofrimento não é vazio. Eles podem abraçá-lo alegremente, sabendo que ele transforma o caráter (Tiago 1:2-4) e produz por eles "eterno peso de glória, acima de toda comparação" (2 Coríntios 4:17). Nenhuma ameaça temporal pode intimidar aquele cujo tesouro verdadeiro está garantido no céu. Como alguém observou: "Não é tolo quem larga o que não pode manter, em troca do que não pode perder."

Autor: Artigo recebido por email


Receba Estudos Biblicos todos os dias!
Cadastre-se seu e-mail! É Grátis
     Digite seu Email Abaixo
Emails Cadastrados

OBS: Não esqueça de confirmar seu email em seguida!