Afinal Moisés e Elias Apareceram no Monte ou Foi Uma Visão


Meus amados e queridos irmãos em Cristo Jesus, a Paz do Senhor!

Seis dias depois, Jesus subiu a uma montanha e apenas levou consigo Pedro e os dois irmãos Tiago e João. O seu aspecto transformou-se então diante deles. O rosto ficou brilhante como o Sol e a roupa, branca como a luz. Nisto, os três discípulos viram Moisés e Elias a conversar com Jesus. Então Pedro exclamou: “Senhor, é tão bom estarmos aqui! Se quiseres, vou levantar três tendas: uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.” Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem brilhante apareceu por cima deles. Da nuvem saiu uma voz que dizia: “Este é o meu Filho querido, em quem tenho toda a satisfação. Escutem o que ele diz!” Ao ouvirem aquela voz os discípulos curvaram-se até ao chão e tiveram muito medo. Mas Jesus aproximou-se deles e tocou-lhes, dizendo: “Levantem-se! Não tenham medo!” Quando se levantaram, não viram mais ninguém senão Jesus (Mt 17.1-8)

No meio evangélico existe três linhas que tenta explicar o aparecimento de MOISÉS, na passagem acima.

a - A primeira ensina que Moisés estava ali em espírito. Elias, entretanto, como fora arrebatado, estava ali corporalmente.

b - A segunda, explica que Moisés havia RESSUSCITADO e que estava ali ressurreto, juntamente com Elias.

c - A terceira ensina que o episódio foi uma visão.

Este acontecimento da vida do Mestre foi presenciado por Pedro, Tiago e João, os três sempre chamados para as ocasiões especiais. Foram os únicos que assistiram à ressurreição da filha de Jairo e eram os que mais próximo estavam do Mestre no Jardim do Getsêmani.

No entanto, é Mateus, assim como Marcos e Lucas que nos descrevem o que aconteceu. Parece estranho que só Pedro, que sugeriu a construção das três tendas, se refira ao assunto em 2 Pe 1:16-18, sem contar o que na verdade aconteceu.

Tiago não faz qualquer referência a este acontecimento nas suas cartas. Mas, mais estranho ainda é o caso de João que escreveu um evangelho e omite este acontecimento. Parece pouco provável que João se esquecesse dum acontecimento tão importante. Talvez ele próprio tivesse dúvidas do que aconteceu.

I. Foi uma visão ou realidade?

Será que Moisés e Elias apareceram mesmo, fisicamente?

Em caso afirmativo, estaremos perante um complicado problema teológico, pois apareceram antes da segunda vinda de Cristo e antes da ressurreição final o que nos parece contradizer várias passagens bíblicas neotestamentárias.

A título de exemplo, pois há mais passagens, podemos citar Mt 25.31,32, Rm 3.9, 12, 20-23, 1 Ts 4.15-17.

No caso de Elias, ainda o poderíamos considerar como uma excepção, se é que há exceções, pois como vemos em 2 Re 2:11, ele foi arrebatado ao Céu num carro de fogo, mas Moisés não consta que tenha sobrevivido à morte natural.

Há certos indícios que me levam a considerar mais provável a hipótese duma visão coletiva dos três apóstolos. Lucas afirma que Pedro e os companheiros estavam a cair de sono. Mas adormeceram e acordaram, ou tiveram a sensação de acordar?

Não se sabe que monte era este. Já foram levantadas algumas hipóteses, mas sem se chegar a uma conclusão.

Nenhum dos evangelistas nos diz a que horas ocorreu este acontecimento. Certos indícios levam-nos a pensar que terá sido a altas horas da noite, pois estavam com muito sono, e à noite seria mais perceptível o brilho do rosto e das vestes de Jesus bem como o brilho da nuvem que segundo Mateus apareceu por cima deles.

Mas segundo Marcos apareceu por cima deles uma nuvem que os envolveu na sua sombra. Portanto, se tinha sombra, já parece sugerir que era de dia.

Mas há outro pormenor ainda mais difícil de compreender. Moisés viveu a mais de 1200 anos antes de Cristo, e Elias foi contemporâneo do Rei Acabe, portanto a cerca de 850 anos antes de Cristo. Não há nenhuma pintura, muito menos uma fotografia que nos mostre como eram.

Como seria possível os três apóstolos reconhecerem imediatamente os antigos personagens do Velho Testamento se fosse um fato real? Parece-me muito mais provável que fosse não direi um vulgar sonho, pois não iriam todos sonhar o mesmo, mas uma visão que lhes foi concedida.

II. A Transfiguração de Cristo

À aparição de Moisés e Elias no monte da transfiguração (Mt 17.9) o Senhor Jesus disse que aquilo era uma visão, como o lençol cheio de animais imundos que Pedro viu, não existiu, só era uma visão.

Assim os Boanerges só tiveram uma visão, pois Moisés e Elias não estavam realmente no monte. Tanto eles, quanto Enoque e todos os Salvos, de todos os tempos, estão DORMINDO NO PÓ DA TERRA, aguardando a vinda do Senhor Jesus.

Tenha em mente que eles não podem ter recebido as promessas antes de nós, como Abraão, que está ainda aguardando a “CIDADE” que tem fundamentos ( Hb 11.10).

O próprio Jesus afirma que a parição dos vultos de Elias e Moisés havia sido tudo uma visão, assim como o apóstolo Pedro teve uma visão (At 10.10) pois nem Elias, nem Moisés estavam realmente no monte ao lado de Jesus

O evento da visão de Jesus glorificado deu-se mais como um Testemunho de Deus a respeito do Filho amado, o Salvador da Humanidade:

“Este é o meu Filho Amado, de quem eu me comprazo. ESCUTAI-O”( Mt 17.5).

“E, erguendo eles os olhos, não viram a ninguém senão a Jesus somente. Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou.

A ninguém conteis a visão, até que o Filho do homem seja levantado dentre os mortos. (Mt 17.8 , 9)

O que Pedro, Tiago e João viram, afinal?

Vejamos o que aconteceu, primeiramente, com Jesus:
"E foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como o sol, e as suas vestes tornaram-se brancas como a luz."( Mt 17.2)

Mas ao terminar o período daquela visão, Jesus Cristo não foi mais visto daquele modo, com o rosto resplandecendo como o sol e com as vestes brilhando como a luz, pois ele próprio ainda não havia morrido e ressuscitado, quando então, sem corpo terreno, retornaria ao seu estado de Divindade Celeste, assim feito antes da fundação do Universo.

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo; como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor”( Ef 1.3 , 4).

A Pedro, João e a Tiago Jesus lhes concedeu uma visão profética, assim também como concedeu ao mesmo João, décadas depois, outra visão profética.O retorno de Jesus à Terra.

"Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo.

Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso.

Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito. Rei dos reis e Senhor dos senhores!". (Ap 19. 11 – 16).

O Apóstolo João viu o Retorno de Jesus Cristo, mas isso ainda não aconteceu, assim como o mesmo João, Pedro e Tiago viram Moisés e Elias na divindade, mas isso ainda não aconteceu.

Jesus estaria se contradizendo quando revelou aos seus apóstolos que voltaria do Céu ao mundo para o Julgamento Final antes que falecesse a última pessoa daquela geração, ou seja, a grosso modo, Jesus teria de ter voltado uns 130 anos depois de ter sido visto elevando-se ao Céu.

Por isso, depois de tal revelação, intensificou-se, em alto grau, o partir do pão entre todos os cristãos.

Tudo o que todos tinham dividiam com outros que nada tinham
“Perseveraram na doutrina dos apóstolos, nas reuniões comuns, na fração do pão e nas orações. Toda gente estava com temo”( At 2. 42).

Atos, 5, inteiro, há notáveis exemplos, contundentes e esclarecedores, sobre a divisão do pão entre os primeiros cristãos.

Bem. O que então aconteceu? O que aconteceu, também, com Jesus, quando afirmou ao criminoso crucificado ao seu lado que subiria ao Céu com ele, Jesus, naquele mesmo dia, mas três dias depois revela que AINDA não havia subido ao Céu? Seria Jesus incoerente?

Não, porque foram afirmações simbólicas, pois ele já havia revelado um sem número de vezes que ninguém entrará no Céu ANTES que ele volte.

Bem, vamos ao sumo do assunto referente à aparição de Moisés e de Elias na transfiguração de Jesus.

Como Jesus afirmou que Ninguém subiu ao Céu senão ele próprio NÃO haveria como ter tirado Elias e Moisés do Céu, pois ainda não estavam lá e sequer estão.

Moisés e Elias foram retirados provisoriamente de seu sono e mostrado aos apóstolos como testemunhas da glória de Deus, assim como Jesus aguardou, de propósito, que se passassem quatro dias até que fossem a Lázaro para ressuscitá-lo de seu sono, exacerbando o poder de Deus que a tudo pode, pois os milagres ainda são o combustível do cristianismo.

Se Lázaro já estivesse no Céu, jamais poderia ser trazido de lá para ingressar em seu velho corpo. Se isso pudesse ser possível, agrediria em alto grau o Evangelho. No mais, o Evangelho do tempo de Lázaro nos revela que ele só ressuscitaria no Grande Dia da Ressurreição dos Mortos e que ele estava DORMINDO o sono dos justos, do qual Jesus o retirou provisoriamente, assim como a Elias e Moisés:

“Declarou-lhe Jesus.Teu irmão há de ressurgir. Eu sei, replicou Marta, que ele há de ressurgir na ressurreição, no último dia”. Marta aprendeu isso de Jesus, em João, 11.23.

Os cristãos. Como Maria, sabiam que os Céus só seriam abertos no Grande Dia da Ressurreição dos Mortos.

“Abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos, que dormiam, ressuscitaram; e, saindo dos sepulcros depois da ressurreição de Jesus, entraram na cidade santa e apareceram a muitos”( Mt 27.52).

Viu, Irmão, também para mostrar a Glória de Jesus, assim como no caso da Transfiguração, o Senhor Deus mostrou um pedacinho da Ressurreição dos Mortos tirando alguns SANTOS DO SONO.

Que pobre em poder seria Deus se não pudesse tirar, provisoriamente, também Elias e Moisés do sono da morte para engrandecer a Jesus?

Do Céu jamais poderia tê-los retirado, pois se contraporia às Revelações do Espírito Santo de Deus que somente no Grande Dia de Jesus os santos mortos serão acordados para a glória do Reino de Deus! Você viu quantas vezes Jesus revela, somente no capítulo 6 de João, que apenas na Ressurreição dos Mortos os justos que dormem passarão a viver?

“E a vontade de quem me enviou é esta.que nenhum eu perca de todos os que me deu; pelo contrário, eu o ressuscitarei no último dia”. Jesus, em Jo 6.39.

“De fato, a vontade de meu Pai é que todo homem que vir o Filho e nele crer tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia”. Jesus, em Jo 6.40.

“Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia”. Jesus, em Jo 6.44.

“Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”. Jesus, em Jo 6.54.

Então, Irmão, o surgimento de Moisés e de Elias na transfiguração de Jesus não significou que foram tirados do Céu, mesmo porque nem Daniel, nem os apóstolos de Jesus estão no Céu:

O anjo do Senhor disse o mesmo ao amado profeta Daniel: “Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança” (Dn 12.13. 5)

“Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, credes, também, em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fora, eu não lhes teria dito. Pois vou preparar-vos um lugar. E quando eu for e vos preparar um lugar, voltarei e vos receberei para mim mesmo, para que onde estou, estejais vós, também” (Jo 14. 1 - 3).

III. Pedido de Pedro

O que podemos pensar da idéia de Pedro em construir três tendas, certamente três abrigos de montanha para se abrigarem do frio da noite?

Sugestão muito ingênua que bem poderia ser a minha sugestão. Talvez nós, pecadores como Pedro, estejamos em condições de compreender o seu pedido. Talvez fizéssemos idêntico pedido, pois as suas palavras mostram bem o anseio de toda a humanidade … inclusive dos crentes…. Ou talvez deva dizer….o anseio dos crentes em especial.

Nesse momento, o grande apóstolo Pedro não era mais do que uma criança extasiada perante a glória do seu Senhor, perante a visão maravilhosa desse Cristo que havemos de ver um dia quando voltar a este mundo.

Toda a atenção de Pedro estava nas imagens espetaculares, pois ele esqueceu tudo… Esqueceu os outros apóstolos que ficaram em baixo e não subiram ao monte, esqueceu os seus irmãos na fé e esqueceu a grande obra para que o Senhor estava a preparar, porque nessa altura ele via o Cristo que sempre desejara conhecer: O Cristo vencedor, o Cristo que há de vir a reinar sobre todas as nações da terra, o Cristo com todo o seu poder e glória.

Foi um fracasso completo o pedido de Pedro.

É o que nos espera sempre que tentamos alterar a programação dos acontecimentos segundo os planos do Senhor e queremos ver o Céu já hoje, já neste mundo, sempre que tentamos que os nossos cultos sejam como que uma antecipação da segunda vinda de Cristo que tanto protestantes como católicos ou islâmicos aguardam ansiosamente.

É maravilhoso ver um culto com grande assistência, num templo próprio, com coros bem ensaiados. Aí sim! Sente-se o poder do Senhor, mas Será mesmo assim?

E nas pequenas missões por vezes em casas particulares com poucos crentes? Será que não se sente o poder do Senhor quando os crentes são poucos?

Lembro-me dum Pastor indiano me dizer que a Igreja começou com pequenos grupos nas casas particulares e quando Jesus voltar, também assim estará. Não me esqueci disto, e realmente parece que as grandes igrejas são muitas vezes as mais vulneráveis e as mais fracas.

Por vezes ouvimos dizer: “No próximo domingo vamos ter um domingo espiritual, um domingo em cheio.

De manhã a Escola Dominical, depois o culto, depois os ensaios. De tarde a reunião dos jovens, as confraternizações e à noite o culto. É um domingo todo ocupado com o trabalho do Senhor. Um domingo passado em comunhão com o Senhor, mas tudo dentro do Templo” Mas, será isso que o Senhor espera de nós? Esses cultos agradam a quem? Agradam a Deus ou agradam aos crentes? “... Mestre, é bom que nós estejamos aqui! Façamos três cabanas, uma para ti, outra para Moisés e outra para Elias.”

Três cabanas, era o que Pedro queria construir. Três toscas tendas ou cabanas, de ramos e folhas de árvore era o que ele queria oferecer a Moisés que deixara a corte do Egito para servir ao Senhor, era o que queria oferecer a Elias que fora arrebatado aos Céus num carro de fogo.

Três toscas cabanas, produto das mãos rudes de três homens pecadores, precursoras de todas as grandes igrejas e catedrais que muito mais tarde, com a mesma ingenuidade, os crentes irão oferecer ao Senhor dos Céus e da Terra.

Pedro ficou decepcionado. É o que quase sempre acontece, quando queremos ver o Céu já neste mundo. Era na verdade bom estarem aí, mas não era ainda o arrebatamento final.

IV. A nuvem, manifestação divina

Certamente que Deus não tem forma. Quando Deus se manifesta em alguma coisa que o homem possa ver, é sempre em alguma coisa que não tenha forma definida, como o fogo Êx 3.2, ou o pão Mc 14:22. O fogo não tem forma e o pão tem a forma, que o padeiro ou a dona da casa, ou o crente lhe quiser dar.

Nesta altura, Deus manifesta-se em forma de nuvem e fala aos discípulos.

Penso que é esta a parte mais importante deste acontecimento.
Mas, como interpretar esta passagem? Já levantamos questões para que não temos respostas. Como interpretar este acontecimento?

Alguns dizem que a mensagem principal é o testemunho de Moisés e Elias de que Cristo era de facto o Messias que eles esperavam.

Outros dizem que foi uma preparação dos apóstolos para os dias dolorosos que os esperavam.

Mas, há aqui um pormenor, que me parece importante para esta questão.

Segundo Mateus, parece haver una certa relação entre a afirmação de Pedro e a manifestação divina: Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem brilhante apareceu…

Lucas também dá uma certa ênfase que nos leva a pensar que entre a afirmação de Pedro e as palavras de Deus há uma certa relação de causa e efeito: Enquanto dizia estas coisas, uma nuvem apareceu por cima deles e os discípulos ficaram cheios de medo…

Será que devemos considerar as palavras de Deus como uma repreensão ou correção à proposta de Pedro ou uma instrução aos crentes?

Pedro colocou o próprio Cristo em pé de igualdade com Moisés e Elias, os grandes personagens da tradição judaica, ao pretender construir uma tenda para cada um.

Deus não se refere a Moisés ou Elias, mas limita-se a declarar que Cristo é o seu Filho, o Escolhido a quem os apóstolos deveriam ouvir. Será que se trata de certa maneira duma repreensão de Deus? Será também para nós, esta repreensão, quando consideramos o próprio Filho de Deus como mais um personagem bíblico, assim como muitos outros, e a sua mensagem igualmente inspirada, tal como a de Moisés?

O que se passa a seguir parece confirmar que Deus tentou mostrar a importância do seu Filho. Vejamos o que dizem os evangelistas.

Segundo Mateus, Quando se levantaram, não viram mais ninguém senão Jesus. Segundo Lucas, Quando se ouviu aquela voz, Jesus já estava sozinho.

V. Como interpretar esta passagem?

Penso que não se tratou dum acontecimento verídico, mas duma visão concedida aos apóstolos e como tal, a sua interpretação deve ser idêntica à duma parábola. Devemos procurar o pensamento principal que o Mestre, ou talvez o próprio Pai, lhes quis transmitir.

Depois deles terem ficado maravilhados com o aspecto de Jesus, os antigos personagens, a nuvem e a voz que lhes falou…repentinamente tudo desaparece e fica só Jesus.

Que significa isto? Que mensagem podemos tirar daqui? Que é que isto diz às igrejas dos nossos dias, que buscam os imponentes edifícios, as elaboradas liturgias, os grandes corais, as grandes multidões?

Estão esquecendo o principal, o importante, pois só Cristo é importante.

Só Cristo basta.
Só Cristo deve ser ouvido.
Só Cristo dá a salvação.
Só Cristo é a Palavra de Deus.
Quem vê a Cristo vê a Deus.
Quem ouve a Cristo ouve o próprio Deus.
Pedro ficou decepcionado. Foi um fracasso completo o seu pedido.

Os peregrinos não se preocupam em construir grandes moradias. Era na verdade bom estarem aí, mas não era ainda o arrebatamento final.

Cristo volta a descer do monte. Volta novamente para o meio da tristeza, do pecado, da incompreensão. Volta para o meio do oportunismo e da corrupção no seio da sua própria Igreja. Volta para ser traído por um apóstolo e abandonado pelos outros, para sofrer com o desânimo e a incredulidade do homem.

Cristo volta para tomar a estrada de Jerusalém, para cumprir o pedido que Deus Pai lhe fizera, volta para tomar a sua Cruz.

Uma visão destas, não temos dúvidas de que ficou marcada para todo o sempre na mente do Apóstolo Pedro.

Quantas vezes, caminhando Pedro por esses longos caminhos, pedregosos e poeirentos, sob o calor tórrido na companhia do Jesus, não teria suspirado pelo outro Mestre que conhecera um dia no alto do monte?

Quantas vezes o missionário, em terras distantes, desiludido com as dificuldades e com o reduzido número de crentes, não é tentado a orar ao “outro Cristo”, que conheceu nas grandes igrejas do ocidente? Mas ,Será que Cristo não está tanto ou ainda mais presente, onde só dois ou três se reunirem em seu Nome?

1. Sem Jesus não há Deus para nós.

Sem Deus, o destino do homem é a morte. O homem sem Deus é espiritualmente morto; quando sua vida física acabar, ele tem que encarar morte espiritual – separação eterna de Deus.

Na narrativa de Jesus sobre o homem rico e Lázaro (Lc 16:19-31), o homem rico vive uma suntuosa vida de tranqüilidade sem um pensamento de Deus, enquanto Lázaro sofre por sua vida mas conhece a Deus.

É após suas mortes que os dois homens realmente compreendem a gravidade das escolhas que fizeram durante a vida. O homem rico “ergueu os olhos”, estando no tormento do inferno.

Ele percebeu, já tarde, que há mais nessa vida dos que olhos podem enxergar. Enquanto isso, Lázaro é confortado no paraíso. Para ambos os homens, a duração curta da sua existência terrena não foi nada em comparação ao estado permanente de suas almas.

O homem é uma criação especial. Deus tem colocado uma consciência de eternidade nos nossos corações (Ec 3:11), e esse sentido de destino eterno pode achar sua realização apenas em Deus.

Hoje, nos lugares de congregação (tendas), Moisés e Elias tomando o lugar do nosso Sumo sacerdote.

2. Sem Jesus não há “EKKLESIA”.

O Senhor Jesus Cristo falou a palavra igreja, na língua grega, a língua original do Novo Testamento, a palavra traduzida igreja é Ekklesia (Ekkledia), aos seus discípulos sem explicar o significado da palavra a eles. Por quê? Porque era uma palavra bem usada e entendida no tempo dos apóstolos.

O Uso comum daqueles dias era ajuntamento, assembléia, reunião, congregação, e sessão. Jesus não falaria a palavra igreja com novo significado sem explicar bem o novo significado. Se Ele falasse esta palavra igreja sem explicar o novo significado nenhum dos apóstolos entenderia a palavra corretamente.

Mas, eles entenderam sem explicação nenhuma, provando que Jesus não mudou o significado da palavra igreja entendida.

O Léxico Grego dá o seguinte significado da palavra ekklesia; "uma assembléia do povo convocado no lugar público de conselho para o propósito de tratar assuntos públicos". Então, a palavra igreja significa mais do que só os chamados por Deus.

Uma Igreja de Cristo é uma assembléia dos chamados por Deus e batizados segundo as Escrituras num lugar local e visível com o propósito de fazer a vontade do seu cabeça Jesus Cristo aqui na terra.

O exemplo bíblico do uso da palavra igreja no Novo Testamento é Atos 19:32, 39, 41. A palavra traduzida ajuntamento nestes três versículos é a mesma palavra (ekklesia) que é traduzida igreja no resto do Novo Testamento. Estes três versículos se referem ao ajuntamento grego e público dos cidadãos na cidade de Éfeso.

Foi uma assembléia local e visível de pessoas reunidas para tratar os assuntos do povo. Portanto, o Novo Testamento mesmo dá o significado correto da palavra igreja. Este é o único significado que achamos no Novo Testamento.

Uma igreja universal visível nem invisível pode satisfazer a definição bíblica da palavra igreja. A igreja universal invisível nunca se reúne, nem glorifica a Cristo, nem guarda as ordenanças corretamente, nem prega todo o conselho de Deus.

Haverá uma tenda para Jesus em nossos lugares de adoração?

3. Sem Jesus não há Espírito.

Nunca passe à frente de Jesus, não procure em lugares errados e nem pense que está onde não está.

Jesus ama muito você!

Sabemos hoje, o que é um ajuntamento de conveniências: circo (tenda) sem pão.

A “transfiguração” não acabou. Pedro continua ainda hoje a levantar tendas para Moisés e Elias, e Maria, Malaquias, Davi, Josué e tantas figuras atuais.

4. Somente Jesus dá Vida Eterna

Todo homem tem em si um profundo anseio por vida eterna. Em todos os lugares vemos essa busca. A Ciência e a Medicina procuram por caminhos que permitam estender a vida. Muitas pessoas cercam-se de idéias utópicas ou vivem em um mundo imaginário de filmes, livros e sonhos.

Todos têm medo da morte. Quando se pensa nela, surge a temerosa pergunta: "O que virá depois?" O homem quer viver, viver eternamente, ele tem medo de morrer. Constantemente ele também se vê diante da importante pergunta: "Afinal, para que eu vivo?"

Deus criou o homem para a vida eterna. Mas ele a desprezou e jogou fora. O homem preferiu o pecado que lhe trouxe a morte. Isso fez vir a morte sobre toda criatura e a miséria humana começou.

Desde então o homem está procurando reencontrar a vida eterna. Ele procurou muito e criou inúmeras coisas para obter vida para si; é o que mostram as muitas religiões. Mas, ele não tem vida, ele nunca tem segurança.

Certa vez, um artista construiu uma máquina gigantesca. Ao funcionar, ela fazia muito barulho e movimentava muitas engrenagens.

Mas ela tinha uma desvantagem: não produzia nada. O artista pretendia dizer algo com isso. Ele tinha feito uma representação da nossa época e da humanidade. Há muita movimentação, até demais! Em todos os cantos há barulho, atividade e burburinho – mas, sem objetivo, sem sentido, sem razão e sem frutos permanentes.

Deus, porém, fez tudo para dar-nos novamente a vida, a vida verdadeira e eterna. A este mundo dominado pela morte Ele enviou Seu único Filho, que é a própria Vida e de quem está escrito: "Também sabemos que o Filho de Deus é vindo, e nos tem dado entendimento para reconhecermos o verdadeiro; e estamos no verdadeiro, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna" (1 Jo 5.20).

Somente nEle nossa vida passa a ter sentido. Somente nEle temos o que é verdadeiro, aquilo que nossa alma anseia. E somente através dEle recebemos a vida que vai além dos poucos anos aqui na terra: a vida eterna!

Jesus diz: "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, eternamente, e ninguém as arrebatará da minha mão" (Jo 10.28). Ou em Jo 11.25-26: "Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá; e todo o que vive e crê em mim, não morrerá, eternamente. Crês isto?"

Portanto, o que interessa é que creiamos. Não importa, em primeiro lugar, entender, compreender logicamente, conseguir definir ou explicar o propósito de Deus. Não, Jesus simplesmente faz a pergunta:

O que você fará da sua vida? Jesus pergunta também a você: "Crês isto?"

Que Deus nos abençoe e nos guarde em nome de Jesus! amém!
|  Autor: Jânio Santos de Oliveira  |  Divulgação: estudosgospel.com.br |


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