Estudo Bíblico Gospel

A benção profética de Noé


É digna de nota a passagem bíblica em que Noé profetiza, bênçãos e maldições, sobre o futuro de seus filhos. Vejamos o texto bíblico:

“Por fim, Noé acordou do seu vinho e soube o que lhe havia feito seu filho mais moço. Ele disse então: “Maldito seja Canaã. Torne-se ele o escravo mais baixo de seus irmãos.” E acrescentou: “Bendito seja Jeová, Deus de Sem, E torna-se Canaã escravo dele. Conceda Deus amplo espaço a Jafé, E resida ele nas tendas de Sem. Torne-se Canaã também escravo dele.” (Gênesis 9:24,25,26,27 TNM)

Note que, quando Noé se reporta à Sem, ele usa o nome especifico de Deus, isto é, Jeová, mas ao se referir à Jafé ele usa o nome genérico “Eloim”, e não “Jeová”. Este pormenor é de suma importância, pois revela a princípio uma profecia concernente ao Deus do pacto dos israelitas.

Esta profecia mostra que dentre os três filhos de Noé que deram início posteriormente a três grandes povos (9:19), a saber: os jafetitas, os camitas e os semitas, os hebreus estavam incluídos através de Abraão. Vejamos então:

1) Jafetitas (Jafé = engrandecimento): Os descendentes de Jafé formaram os povos, Indo-europeus ou arianos. Esses povos tornaram-se os ancestrais de grandes nações como: Rússia, Lituânia, Polônia, Alemanha, Grécia, Roma, França, Ilhas Britânicas etc...

2) Camitas
(Cam = calor): Cão tornou-se pai dos povos da Ásia oriental e da África, como os: egípcios, etíopes, líbios, etc...

3) Semitas
, (Sem = nome): Povoaram a Ásia e foram os progenitores dos: iranianos, assírios, turcos e hebreus.

Há três coisas interessantes sobre os semitas que não podemos deixar passar despercebido neste contexto:

a) O nome de seu pai significava “Nome”, sabemos que os judeus chamavam a Deus muitas vezes simplesmente de “O Nome”, uma substituição para o nome Jeová. Até hoje quando um judeu ortodoxo fala algo sobre a Tora envolvendo sua religião, ele termina a frase com esta declaração, “abençoado seja o seu nome”.

b) Na benção profética de Noé , Sem foi o único filho cujo nome invocado foi Jeová. Todos os outros dois que deram origem às nações não semitas o nome invocado foi Eloim, um nome genérico para Deus.

c) Os hebreus ou judeus, são descendentes diretos de Sem, cujo nome do Deus seria Jeová (Até hoje, quando falamos em anti-semitismo, lembramo-nos imediatamente do preconceito contra os judeus).

Em Gênesis 10:21 se destaca “Éber”, cujo avô era Arfaxade, o terceiro filho de Sem (Gênesis 11:10 a 14). O nome “Hebreus”, se origina de Éber, que significa “vindo do outro lado” ou “que pertence a Éber”.

Portanto Jeová, seria o Deus dos semitas, e Deus escolheu justamente a descendência de um semita para fazer com eles uma aliança ou pacto (Gênesis 12:1,2,3).

Séculos mais tarde o prenúncio de Noé, cumpriu-se integralmente quando Deus escolheu Moisés para tirar o seu povo da escravidão dos egípcios. Naquele instante, Deus se revelava como o Deus do pacto, até então, desde Noé, eles o conheciam como Jeová, mas ainda não desfrutavam das bênçãos que trazia esse nome, doravante seria o momento exato para que eles (os israelitas) conhecessem o caráter do nome Jeová, pois Deus faria uma aliança com eles para serem seu povo particular, e o nome específico do Deus do pacto seria revelado em toda a sua inteireza neles (Êxodo 19:3,4,5,6).

Concluímos então, que o nome “Jeová”, é o nome de Deus, ligado exclusivamente ao povo de Israel qual nação, é o nome do pacto com os hebreus. Do mesmo modo que a lei só tinha sido dada a Israel e não aos gentios (Deuteronômio 4:8 - Salmos 147:19,20 - Romanos 2:14), assim também o nome Jeová estava ligado exclusivamente a este povo qual nação, nunca aos gentios.

O PACTO QUEBRADO

Mas Israel não permaneceu em toda a lei, quebrou os mandamentos e se desviou do seu Deus. A aliança fora anulada. Através do profeta Jeremias Deus promete uma nova aliança ou pacto, nos seguintes termos:

“Eis que vêm dias”, é a pronunciação de Jeová, “e eu vou concluir um novo pacto com a casa de Israel e com a casa de Judá; não igual ao pacto que conclui com os seus antepassados no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egito, pacto meu que eles próprios violaram...” (Jeremias 31:31,32)

Este novo pacto seria mais abrangente, até então, o antigo concerto abrangia apenas o povo de Israel, mas o novo pacto era para todos os povos. Estava baseado em superiores promessas (Hebreus 8:6). Importava que o antigo pacto desaparecesse como declara o escritor aos Hebreus.

“Ao dizer “novo pacto”, tornou obsoleto o anterior. Ora, aquilo que se torna obsoleto e fica velho está prestes a desaparecer”. (Hebreus 8:13)

Com a abolição do antigo concerto, desapareceu também a antiga lei e com ela o sábado e todos os rituais (Hebreus 7:12), entra em vigor uma nova lei (Romanos 13:8,10). Este novo pacto estava agora firmado com um novo nome: “Jesus”, o nome da nova aliança (Mateus 26:28 - Hebreus 12:24). O nome de Jeová estava ligado apenas a Israel, mas o nome de Jesus é de todos os povos (Apocalipse 5:9). O apóstolo Paulo nos diz que Deus fez dos gentios e judeus um só povo - a igreja (Efésios 2:13,14). Esse nome foi dado à igreja, aos cristãos (Marcos 16:17).

Como afirmamos acima, o antigo pacto passou, e com ele o nome do Deus do pacto “Jeová”. Não é por acaso que o nome Jeová tinha perdido a pronuncia já na época do nascimento de Cristo. A própria Sociedade Torre de Vigia (quem mais pesquisas sobre esta questão) teve de admitir isso, pois disse: “Aos poucos, porém, ao se aproximar o tempo do aparecimento do Messias, os judeus ficaram por superstição relutantes em usar o nome." (A Sentinela 01/11/1993 pág.30 pág). Era um sinal que aquele nome iria juntamente com a antiga lei desaparecer para dar lugar ao nome que iria selar a nova aliança-“Jesus”. Este é o nome que está acima de todo o nome (Efésios 1:21 - Filipenses 2:9,10) e por isso mesmo nenhum escritor neotestamentario o usou (Jeová); prova disso são os manuscritos antigos, pois nenhum deles sequer, traz o tetragrama.

Alguém poderá perguntar: “Mas a Bíblia não diz que o nome “Jeová” é eterno? E pode citar até mesmo o trecho de Salmos 135:13 que diz:

“Ó Jeová, teu nome é por tempo indefinido”. (TNM).

Certamente que sim; pois tudo que estava relacionado à lei da antiga aliança, era chamado de eterno ou perpétuo. Vejamos:

· o sábado era chamado de perpétuo, (Êxodo 31:16)
· o As festas judaicas eram tidas como perpétuas, (Êxodo 12:14,24)
· o sacerdócio araônico iria ser perpétuo, (Números 25:13)
· o toque das trombetas também. (Números 10:8)

Quase tudo na lei do antigo pacto era chamado de perpétuo, mas, porém, perpétuo apenas, enquanto durasse o Velho Testamento! Com a morte de Cristo, tudo findou, pois o fim da lei é Cristo (Romanos 10:4). Ora, se com a morte de Cristo que inaugurou um novo pacto tudo que era chamado de perpétuo findou, devemos entender do mesmo modo o nome Jeová, que era o nome ao qual Deus se revelou para instituir o velho pacto com o povo Israelita. Com o fim do velho pacto, o nome Jeová também perdeu sua importância para nós que vivemos do outro lado da cruz, ou seja, no novo pacto!

Robert H.Gundry em seu livro “Panorama do Novo Testamento” na página 41 explica um fato interessante em relação ao nome Jeová e o exorcismo judaico. Vejamos:

“Os judeus eram numerados entre os exorcistas mais avidamente procurados, em parte porque julgava-se que somente eles eram capazes de pronunciar corretamente o nome magicamente potente de Yahweh (nome hebraico traduzido por “Senhor”). A pronúncia correta, juntamente com a idéia de algo secreto, segundo se pensava, seria necessária para a eficácia de qualquer encantamento.”

Veja o leitor que os judeus expulsavam os demônios em nome de Jeová, usando o nome do velho pacto, quem sabe muitos exorcistas como o de Atos 19:13,14 usavam-no desta maneira, mas note a mudança drástica que Jesus fez em relação a isto:

“E estes sinais hão de seguir os que crerem: Em meu nome expulsarão demônios...” (Marcos 16:17)

Veja ainda textos como Lucas 10:17 Atos 16:18. Agora um novo nome, o nome de Jesus, o nome da Nova Aliança toma lugar em subjugar o reino das trevas!

ENTENDENDO A QUESTÃO

O nome Jeová, dentro do contexto bíblico das dispensações, teve sua suma importância, mas aprouve a Deus que este nome viesse a ser substituído por um novo nome, o nome de Jesus. Não devemos ficar apegados às coisas da antiga Lei, por que isso seria, na mentalidade dos apóstolos, cair da graça (Gl. 5:4).

Não estamos menosprezando, e muito menos tirando a importância que o nome Jeová teve ou têm para o povo de Israel e nem desmerecendo a Lei Mosaica. Também não estamos tentando rivalizar Jesus com Jeová ou a Graça com a Lei! Queremos apenas esclarecer que o castelo de heresias construído pela STV, em torno do Nome de Deus e o legalismo pregado e defendido pelos Adventistas e Sabatistas, não tem base bíblica.

Sabemos que hoje o nome Jeová não tem nada a ver com os cristãos, não lhes pertencem. Assim como o selo que dizem está carimbado com este nome YHVH (cf. At. 1:8). Já na questão Adventista, não precisamos de um dia qualquer para ser selados ou justificados, pois o nosso selo é o Espírito Santo (Ef. 1:13) e a nossa justiça é Cristo (Rm. 3:22).

Nós, da nova aliança temos outro nome, o nome de Jesus. Também temos um novo dia para celebrarmos – o primeiro da semana – o dia da ressurreição – o dia da nova criação em Cristo Jesus (Mc. 16:9). E é por isso que ele, e unicamente ele, preenche todas as páginas do NT.

Reiteramos que a Salvação não se encontra na Lei, na guarda de algum dia ou em alguma instituição, mas somente em Jesus Cristo (At. 4:12).

Autor: Artigo recebido por email


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