Por Que Tanto Sofrimento?


         As árvores quebram-se como palitos ou voam para o alto, arrancadas da terra. Telhados inteiros navegam, carros tombam como brinquedos, casas desmoronam, um muro de água destroi a costa e inunda a terra.  Um tornado corta e dilacera, e apenas as fundações sólidas sobrevivem a esta fúria desenfreada. Contudo, estas bases podem ser usadas para a reconstrução após a tempestade. Em qualquer tipo de construção, a base é de vital importância. Ela precisa ter profundidade e solidez suficientes para suportar o peso da construção e outras pressões.
         Vidas são como construções, e a qualidade de sua base determinará a qualidade do seu todo. É frequente o uso de materiais inferiores, e quando chegam as provas, estas vidas são arruinadas.
         Jó foi testado. Desfrutando de uma vida cheia de prestígio, posses e pessoas, foi subitamente atingido por todos os lados, devastado, sugado até a sua base.  Todavia, sua vida fora construída em Deus, e ele suportou.
         Por que pessoas justas sofrem tragédias em suas vidas? Algumas pessoas pensam que o sofrimento do justo é o maior obstáculo à fé em Deus.  Elas argumentam que não é possível que Deus seja amoroso e Todo-Poderoso se os desastres atingem pessoas boas.  Ou Ele não ama seus seguidores o suficiente para cuidar deles ou não é poderoso o suficiente para protegê-los. Se o amor ou o poder de Deus é deficiente, Ele não é digno de adoração nem da dedicação do ser humano.
         Em um de seus livros, o autor C. S. Lewis confessa que quando sua amada esposa faleceu de câncer nos ossos, ele sentiu como se os céus tivessem se transformado numa barreira de bronze entre ele e Deus. Oswald Chambers disse: "ser capaz de explicar o sofrimento talvez seja a maior indicação de nunca ter sofrido", e conclui: "o sofrimento é um dos mistérios da vida que desperta todos os outros mistérios, até que o coração descanse em Deus".
         Este é o dilema: alguns acham que o sofrimento do justo transforma a fé num Deus amoroso e poderoso numa coisa impossível;  outros crêem que o sofrimento do justo transforma a fé num Deus amoroso e poderoso em algo imperativo.
         Jó sofreu a perda de sua riqueza e a morte de seus filhos, tudo num único dia. Então, algum tempo depois, sua saúde se deteriorou e, aparentemente, ela nunca se recuperaria. Por fim, seus melhores amigos se achegam a ele para acusá-lo de ter algum pecado secreto que precisava ser confessado a Deus. A mulher de Jó era da opinião de que ele deveria amaldiçoar a Deus por deixar que toda aquela miséria se abatesse sobre ele (Jó 2.9). Aos seus olhos, estava claro que Deus havia traído o seu marido.
         A verdade é que Jó jamais descobriu por que tal desastre lhe sobreviera. Quem lê o seu livro tem a sensação de que a vida de Jó é o campo de batalha onde as forças da luz e das trevas travam uma guerra sem tréguas. Satanás estava plenamente convicto de que sua estratégia de sofrimento iria destruir a fé de Jó, mas enganou-se totalmente, e sofreu uma terrível derrota, mas Jó nunca soube disso.  Por fim, a percepção que Jó tinha de Deus cresceu, mas isso de forma alguma diminui o horror do seu sofrimento.
         Na parábola do filho pródigo, o pai deixa o filho mais moço sair de casa e sofrer toda sorte de consequência por sua insensatez.  Ele também deixa que seu filho mais velho sofra com sua amargura e orgulho. O pai suporta a angústia de ver os dois filhos lidarem com a dor.
         Deus Pai criou o homem com o livre arbítrio e, ao dar-lhe tal liberdade, estabeleceu o curso tanto do sofrimento humano quanto do divino, pois nossas tragédias acontecem num mundo totalmente desfigurado pelo pecado, e Deus não impede a dor daqueles a quem ama. O que Ele nos oferece é o refúgio. Podemos correr para Ele e nos apegar a Ele com toda a nossa força, sendo confortados por Ele ao compartilharmos a nossa dor. Ou, então, podemos culpá-lo e sofrer, teimosamente, sozinhos.
         Jesus é bom, por isso Ele diz:
 
"Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei" (Mateus 11.28).

Autor: Adail Campelo


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