Estudo Bíblico As Duas Faces do Perdão


"Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós." Cl 3:13

1- A divina

O filho pródigo: Lc 15:11-32: Essa parábola é a terceira de uma seqüência de três parábolas, com um significado muito semelhante: a da dracma perdida, a da ovelha perdida e, por fim, a do filho pródigo.

Em todas as três, os perdidos são os gentios, e os que permanecem são os judeus. Os gentios são então representados pela dracma, pela ovelha perdida e pelo filho pródigo.

Nesta última, Cristo conta a estória de um rapaz, o mais novo de dois irmãos que, inconformado com a vida pacata e segura da fazenda, resolve pedir ao seu pai a parte da herança que ele receberia após a morte deste.

Em outras palavras, ele estava dizendo: Pai, já que você não quer morrer logo, então me antecipe a herança, pois quero curtir a minha vida enquanto ainda sou novo.

O pai poderia ter-lhe dito: "Se você quer folga, vá trabalhar, vagabundo. A herança só será sua depois que eu morrer mas, enquanto eu estiver vivo você não tem direito a nada do que é meu." Você não agiria assim? Creio que era o que eu diria no lugar dele.

Mas na nossa estória o pai não fez assim. Aparentemente sem questionar, com o "coração na mão", o pai satisfez ao desejo do filho e provavelmente o despediu com um beijo e muitas recomendações.

O filho então partiu para uma terra distante, onde dissipou todos os seus bens com orgias e bebedices, ao ponto de ficar completamente pobre e vir a passar muita fome.

Nessa hora ele se lembrou do seu pai, caiu em si e resolveu voltar, confiante que se seu pai não o quisesse receber como filho, ao menos não o deixaria passar fome, pois pai é pai.

Nesse ponto começa a nossa meditação de hoje:
Isso acontece com os filhos pródigos... a lembrança da casa de seu pai retorna. Se o filho tivesse vivido de maneira econômica nunca teria tido a idéia de voltar pág 144 Simone Weil

Será que se ele não tivesse passado fome, teria retornado para casa? Teria ao menos se lembrado de um velho pai, que o aguardava todos os dias, olhando pela janela?

Mas o fato é que ele voltou e, diz a bíblia, que ele ainda vinha ao longe quando o seu pai o avistou e saiu correndo ao seu encontro, não deixando sequer ele concluir o discurso que tinha preparado. O pai o beijou, abraçou, restituiu-lhe a condição de filho, fez uma festa, sem fazer uma única pergunta, um único questionamento, uma única reprimenda.

Como é que pode? Será que ele não entendia de psicologia? Será que ele não sabia que desse jeito ele estaria criando mal o seu filho ? Que desse jeito na primeira oportunidade ele faria tudo de novo?

Ele deveria ter dito: "Agora que perdeu tudo você resolve voltar? Cadê seus amigos? Cadê a arrogância? Você não queria que eu morresse? Então por que voltou?

Uma jovem fora criada em um pomar de cerejas na parte superior do Traverse City, no Michigan. Seus pais, um tanto antiquados, costumavam reagir mal ao seu piercing no nariz, às músicas que ouvia e ao comprimento de suas saias; de vez em quando eles a repreendiam e ela fervia por dentro. "Odeio vocês", gritou para o pai quando ele bateu a porta do quarto dela depois de uma discussão. Naquela noite, a jovem realizou um plano que mentalmente já ensaiara dezenas de vezes. Ela fugiu de casa.

A jovem havia visitado Detroit apenas uma vez, em uma viagem de ônibus com os jovens da igreja para assistir ao jogo do Tigers. Os jornais de Traverse City descreviam em chocantes detalhes as gangues, as drogas e a violência na cidade de Detroit; ela concluiu que provavelmente seria o último lugar onde seus pais a procurariam. Talvez na Califórnia, ou na Flórida, mas não em Detroit.

No seu segundo dia ali, conheceu um homem dirigindo o maior carro que já vira na vida. Ele lhe ofereceu carona, pagou-lhe um almoço e arranjou um lugar para ela ficar. O homem deu-lhe alguns comprimidos que a fizeram-se sentir melhor do que jamais se sentira. Ela se sentiu ótima e concluiu: seus pais não permitiam que ela se divertisse.

A boa vida continuou durante um mês, dois meses, um ano. O homem com o carrão - ela o chamava de "chefe" - ensinou-lhe coisas de que o homem gosta. Sendo menor de idade, os homens lhe pagavam mais. Ela morava em um apartamento pequeno e podia encomendar o que precisava. Ocasionalmente, pensava nos pais em casa, mas a vida deles lhe parecia tão chata e provinciana que mal acreditava que fora criada ali.

Ela se assustou ao ver sua foto na embalagem de leite com os dizeres: "Vocês viram esta criança?". Agora, porém, com o cabelo tingido de loiro, e com toda a maquiagem que usava, ninguém a consideraria uma criança. Além do mais, a maioria dos seus amigos também fugira de casa, e ninguém dava com a língua nos dentes em Detroit.

Depois de um ano, os primeiros sintomas incipientes da enfermidade apareceram, e ela ficou surpresa com a crueldade do chefe. "Hoje em dia, a gente não pode facilitar", ele rosna. Antes que a jovem percebesse, estava na rua sem um tostão. Ela ainda conseguia ganhar alguma coisa de noite, mas não lhe pagavam muito, e todo o dinheiro era usado para manter o vício. Quando chegou o inverno, ela se encontrava dormindo nas grades de metal do lado de fora de uma loja de departamentos. "Dormir" não é a palavra certa - uma adolescente sozinha na noite de Detroit não pode nunca baixar a guarda. Estava com olheiras profundas. Sua tosse piorava.

Uma noite ela se encontrava acordada, atenta ao barulho de passos; de repente, tudo ao seu redor pareceu diferente. Ela não se sentia mais como uma mulher do mundo. Sentia-se uma menininha perdida em uma cidade fria e assustadora. Começou a soluçar. Seus bolsos estavam vazios e estava com fome. Precisava de uma dose. Trêmula, encolheu as pernas debaixo dos jornais que empilhara sobre o seu casaco. Alguma coisa acionou uma série de lembranças e uma imagem preenchia sua mente: o mês de maio em Traverse City, quando milhares de cerejeiras estão em flor todas ao mesmo tempo, e ela via seu cachorro correndo no meio das fileiras das árvores em flor atrás de uma bola de tênis.

Deus, por que eu fugi?, ela disse, para si mesma, e uma dor traspassa seu coração. Meu cachorro em casa come melhor do que eu agora. A jovem estava soluçando e, imediatamente percebeu que desejava voltar para casa mais do que qualquer outra coisa no mundo.

Três telefonemas, todos caindo na secretária eletrônica. Nas duas primeiras vezes ele desligou sem deixar uma mensagem. Na terceira, porém, disse: "Papai, mamãe, sou eu. Estive pensando em voltar para casa. Estou pegando um ônibus e chegarei aí amanhã lá pela meia noite. Se vocês não estiverem me esperando, bem, acho que ficarei no ônibus e irei para o Canadá.

Foram sete horas de ônibus entre Detroit e Traverse City; durante aquele tempo ela percebia os erros no seu plano. E se os pais estivessem fora da cidade e nem tivessem ouvido a mensagem? Não deveria ter esperado outro dia para poder falar com eles? E, mesmo se estivessem em casa, provavelmente já a consideravam morta há muito tempo. Deveria ter-lhes dado um tempo para se recuperarem do choque.

Seus pensamentos pulavam de lá para cá entre as preocupações e o discurso que estava preparando para o pai. "Papai, sinto muito. Sei que estava errada. A culpa não foi sua; foi minha. Papai, você pode me perdoar?". Ela repetiu as palavras muitas e muitas vezes, com a garganta apertada enquanto ensaiava. Nos últimos anos não havia pedido perdão a ninguém.

O ônibus estivera andando com as luzes acesas desde Bay City. Floquinhos de neve batem no calçamento desgastado por milhares de pneus, e o asfalto exala vapor. Ela havia esquecido como a noite é escura lá fora. Um animal cruzou a estrada como uma flecha e o ônibus deu uma guinada. De vez em quando aparecia um outdoor ao lado da estrada. Uma placa indicava quantos quilômetros faltavam até Traverse City. Oh, Deus!.

Quando o ônibus finalmente entrou na rodoviária, os freios sibilando em protesto, o motorista anunciou no microfone: "Quinze minutos, pessoal. É tudo quanto vamos gastar aqui". Quinze minutos para decidir sua vida. Ela se examinou em um espelhinho, alisou o cabelo e limpou o dente manchado de batom. Olhou para as manchas de fumo nas pontas dos dedos e ficou imaginando se os pais iriam perceber. Se estivessem lá.

A jovem desceu do ônibus sem saber o que esperar. Nenhuma das milhares de cenas que passaram por sua cabeça a prepararam para aquilo que viu. Ali, naquele terminal de ônibus de paredes de concreto e cadeiras de plástico de Traverse City, em Michigan, estava um grupo de quarenta parentes, irmãos e irmãs, tios e primos, uma avó e uma bisavó para recebê-la. Todos eles estavam usando chapeuzinhos de festa e assoprando apitos; na parede do terminal havia um cartaz, dizendo: "Seja bem-vinda!.

Da multidão que a recepciona irrompe o papai. Ela olhou para ele através das lágrimas que brotavam dos seus olhos como mercúrio quente e começou o discurso memorizado: "Papai, sinto muito. Eu sei...".

Ele a interrompeu. "Quieta, filhinha. Não temos tempo para isso agora. Nada de pedidos de desculpas. Você vai chegar atrasada na festa. Lá em casa há um banquete esperando por você".

"É estranho, mas a redescoberta pode tocar-nos mais profundamente do que a descoberta. Pág 49-53

Deus também não nos pede explicação quando voltamos para casa. A bíblia diz que no céu há grande festa quando um pecador se arrepende. Não só para um novo convertido, mas também para nós, todas as vezes que pecamos, nos afastando de Deus e confessamos nossos pecados, retornando à comunhão. Todas as vezes que perdoamos alguém. Todas as vezes que fazemos as pazes com nossas esposas depois de dias sem nos falarmos. Todas as vezes que pais e filhos voltam a se abraçar.

Em toda a bíblia, na verdade, Deus demonstra uma notável preferência por pessoas "autênticas" em vez de pessoas "boas". Nas palavras do próprio Jesus: Haverá alegria no céu por um pecador que se arrepende, mais do que por 99 justos que não necessitam de arrependimento" ( Lc 15:7 ).

Deus ama as pessoas pelo que ele é e não pelo que somos. Pág 67

Todos nós somos filhos pródigos. Todos nós um dia vivemos afastados de Deus. Alguns de nós voltaram porque se sentiram tocados, alguns porque perderam tudo. Alguns por amor, outros pela dor. Mas não faz diferença. O Pai nos aguardava de braços abertos. Ele não queria saber o motivo; a alegria do nosso retorno não exigia explicações nem pedidos de desculpas. Deus sempre atende um coração contrito. ( Is 57:15 Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos ).

Quando o crente se afasta da igreja dizemos que ele está desviado. Quando ele continua na igreja, mesmo sendo o crente "carnal" nada dizemos. No entanto, se ele não está fazendo a vontade de Deus ele está ?desviado? de Deus e eu não sei o que é pior, pois afastado da igreja ele se sente errado e deseja voltar, mas afastado de Deus e na igreja, muitas vezes ele se acomoda e jamais retorna à comunhão do Pai que está sempre pronto a perdoar. Não segundo os nossos merecimentos, mas pela sua graça.

Graça significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar mais - nenhuma quantidade de renúncia, nenhuma quantidade de conhecimento recebido em seminários e faculdades de teologia, nenhuma quantidade de cruzadas em benefício de causas justas. E a graça significa que não há nada que possamos fazer para Deus nos amar menos - nenhuma quantidade de racismo, orgulho, pornografia , adultério ou até mesmo homicídio. A graça significa que Deus já nos ama tanto quanto é possível um Deus infinito amar. Pág 71
E é assim, pela graça, sem merecermos, e em nome desse amor, que não há limite para o perdão de Deus.

2- A Humana

Embora o perdão e o amor de Deus sejam ilimitados, há algo que pode nos impedir de receber esse perdão.

2.1. A falta de perdão nosso para com alguém se não perdoamos nosso irmão, Deus também não nos perdoa. "De algum modo misterioso, o perdão divino depende de nós".

"Jesus vinculou o perdão divino à nossa disposição de perdoar atos de injustiça". Pág 89

Mt 6:12,14,15: E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; 14. Porque se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; 15. Se, porém, não perdoardes aos homens ( as suas ofensas ), tão pouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.

"No Pai nosso, a simples condição do perdão que rogamos é o perdão aos outros das ofensas que fizeram contra nós."

A parábola do credor incompassivo

"23. Por isso o reino dos céus é semelhante a um rei, que resolveu ajustar contas com os seus servos. 24. E, passando a fazê-lo, trouxeram-lhe um que lhe devia 10.000 talentos ( OBS: 1 talento = 6.000 denários 1 denário = 1 diária de um trabalhador; com o salário mínimo a r$ 240,00 dividindo por 30dias = r$ 8,00 6.000 x r$ 8,00 então 1 talento = R$ 48.000,00 10.000 talentos = R$ 480.000.000,00 ). 25. Não tendo ele, porém, com que pagar, ordenou o senhor que fosse vendido ele, a mulher, os filhos e tudo quanto possuía, e que a dívida fosse paga. 26. Então o servo, prostrando-se reverente, rogou: Sê paciente comigo e tudo te pagarei. 27. E o senhor daquele servo, compadecendo-se, mandou-o embora, e perdoou-lhe a dívida. 28. Saindo, porém, aquele servo, encontrou um dos seus conservos que lhe devia cem denários ( R$ 8,00 x 100 = R$ 800,00 ).; e, agarrando-o, o sufocava, dizendo: Paga-me o que me deves. 29. Então o seu conservo, caindo-lhe aos pés, lhe implorava: Sê paciente comigo e te pagarei. 30. Ele, entretanto, não quis; antes, indo-se, o lançou na prisão, até que saldasse a dívida. 31. Vendo os seus companheiros o que se havia passado, entristeceram-se muito, e foram relatar ao seu senhor tudo o que acontecera. 32. Então o seu senhor, chamando-o, lhe disse: Servo malvado, perdoei-te aquela dívida toda porque me suplicaste; 33. não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu conservo, como também eu me compadeci de ti? 34. E, indignando-se, o seu senhor o entregou aos verdugos, até que lhe pagasse toda a dívida. 35. Assim também meu Pai celeste vos fará, se do íntimo não perdoardes cada um a seu irmão." Mt 18:23-35

Desse texto podemos tirar muitas lições. Entre elas:

1. Por mais que alguém nos tenha feito mal, a nossa dívida para com Deus era muito maior ( nesse caso, 600.000 X maior ).

2. Se não perdoarmos sinceramente nosso irmão, Deus também não nos perdoará.

" Eu desejaria fervorosamente que essas palavras não se encontrassem na bíblia, mas elas estão lá, enunciadas pelas palavras do próprio Cristo."

1 Jo 4:20 : Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu?

Dorothy Day chega a ser enfática, quando diz: Eu realmente só amo a Deus na proporção em que amo a pessoa que menos amo. pág 165. Qual a medida do seu amor por quem você menos ama? Essa é a medida do seu amor por Deus.

Lc 17:4 : Se por sete vezes no dia pecar contra ti, e sete vezes vier ter contigo, dizendo: Estou arrependido, perdoa-lhe.

E se o irmão não pedir perdão nem se arrepender ?
Enquanto Jesus estava lá na cruz seus assassinos, que poucas horas antes o esbofeteavam e batiam-lhe com um caniço na cabeça, agora zombavam dele, dizendo: Você não é o Cristo? Salva-te a ti mesmo se és filho de Deus.

Em nenhum momento se mostraram arrependidos. Mesmo assim Cristo exclamou: Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem ( Lc 23:24 ).

A falta de arrependimento da outra pessoa não é desculpa para não perdoarmos. Em Cl 3:13 diz: Assim como o Senhor vos perdoou, assim também  perdoai vós. A medida do perdão de Cristo é o padrão para o nosso perdão.

Ilustração

Rebecca havia se casado com um pastor conhecido como líder de retiros. Contudo, tornou-se evidente que seu marido tinha um lado tenebroso. Ele chapinhava na pornografia e, em suas viagens para outras cidades, visitava prostitutas. Às vezes, ele pedia perdão à esposa, às vezes não. Depois de algum tempo, ele a deixou por outra mulher, Julianne.

Rebecca teve o crescente sentimento de que, se não perdoasse o ex-marido, um duro caroço de vingança passaria para os seus filhos. Durante meses ela orou. No princípio, suas orações pareciam tão vingativas quanto alguns salmos: ele pedia a Deus que desse ao ex-marido "o que ele merecia". Finalmente, ela chegou ao ponto de deixar que Deus determinasse, e não ela, "o que ele merecia".

Uma noite Rebecca telefonou para o ex-marido e disse, com voz trêmula e forçada: "Eu quero que você saiba que eu o perdôo pelo que me fez. E perdôo Juliane também". Ele riu da argumentação dela, não querendo admitir que havia feito alguma coisa errada. Apesar da rejeição, a conversa ajudou Rebecca a superar seus sentimentos de amargura.

Alguns anos depois, Rebecca recebeu um telefonema histérico de Julianne, a mulher que lhe havia "roubado" o marido. Estivera assistindo a uma conferência de pastores com ele em Minneapolis, e ele havia saído do hotel para dar um passeio. Passaram-se algumas horas e, então, Julianne recebeu um telefonema da polícia: seu marido fora preso com uma prostituta.

No telefone com Rebecca, Julianne estava soluçando: "Eu nunca acreditei em você", ela disse. Eu insistia comigo mesma que, mesmo se o que você dizia fosse verdade, ele havia mudado. E agora isto. Estou tão envergonhada, ferida e culpada. Não tenho ninguém no mundo que possa me compreender. Então, me lembrei da noite quando você disse que nos perdoava. Pensei que talvez você pudesse compreender o que estou passando. É uma coisa horrível para lhe pedir, mas eu poderia conversar com você?"

De alguma maneira Rebecca encontrou coragem para convidar Julianne para vir naquela mesma noite. Elas ficaram sentadas na sala de estar, choraram juntas, partilharam histórias de traição e, no final, oraram juntas. Julianne aponta agora para aquela noite como o momento em que se tornou cristã.

"Durante muito tempo eu me sentia tola por ter perdoado o meu marido", Rebecca nos dizia. "Mas, naquela noite, percebi qual era o fruto do perdão. Julianne estava certa. Eu poderia compreender o que ela estava passando. E, por ter estado lá também, podia ficar do lado dela, em vez de ser sua inimiga. Nós duas fomos traídas pelo mesmo homem. Agora eu podia lhe ensinar a vencer o ódio, a vingança e a culpa que ela estava sentindo". Pág 109,110

"Amai os vossos inimigos para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus. Ele faz que o sol se levante sobre maus e bons, e envia chuvas sobre justos e injustos" ( Mt 5: 44,45 ).

2.2 - Se não perdoamos nossa adoração não é recebida no céu

Às vezes estamos em pecado, temos consciência disso, mas ao invés de nos arrependermos vamos empurrando com a barriga. Muitas vezes em pecado vamos à igreja, ouvimos a Palavra e tentamos fazer Deus engolir goela abaixo uma adoração insincera. O chamamos Senhor, Senhor, mas não fazemos o que Ele nos manda.

Em Ezequiel Deus fala sobre isso
Ez 33:31-32 - Eles vêm a ti, como o povo costuma vir, e se assentam diante de ti como meu povo, e ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra; pois lisonjeiam com a sua boca, mas o seu coração segue a sua avareza. 32. E eis que tu és para eles como uma canção de quem tem voz suave e que bem tange; porque ouvem as tuas palavras, mas não as põem por obra.

Quando estamos em pecado, Deus não ouve a nossa oração; Deus não ouve as nossas palmas; Deus não ouve o nosso louvor.

AMÓS 4:4,5 : Vinde a Betel e transgredi, a Gilgal, e multiplicai as transgressões; e cada manhã trazei os vossos sacrifícios, e de três em três dias os vossos dízimos; 5: e oferecei sacrifício de louvores do que é levedado, e apregoai ofertas voluntárias, publicai-as; Porque disso gostais, ó filhos de Israel, disse o Senhor Deus.

Deus está dizendo: Vocês cantam porque gostam de cantar, não para me adorar. Vocês levantam as mãos, se ajoelham, lêem a bíblia, oram porque isso faz vocês se sentirem bem e não para me agradar.

5:21-23: Aborreço, desprezo as vossas festas, e com as vossas assembléias solenes não tenho nenhum prazer. 22. Ainda que me ofereçais holocaustos e vossas ofertas de manjares, não me agradarei delas, nem atentarei para as ofertas pacíficas de vossos animais cevados. E DESABAFA NO V 23. Afasta de mim o estrépito dos teus cânticos; porque não ouvirei as melodias das tuas liras.

6:5 : Cantais à toa ao som da lira, e inventais, como Davi, instrumentos músicos para vós mesmos.

Is 29:13: Este povo se aproxima de mim e, com a boca e com os lábios, me honra, mas o seu coração se afasta para longe de mim. Em vão me adoram... Mt 15:,9b

Eu só estou advertindo, embora talvez não seja o caso de nenhum de vocês aqui. Nesse caso, ignorem o que estou dizendo. Mas se isso se aplicar a algum de vocês, é com você que eu quero falar agora. Daqui a poucos minutos nós iremos cantar um hino com o grupo de louvor e se hoje Deus ainda não pôde receber sua adoração por algum motivo, eu gostaria que você prestasse atenção no que eu vou dizer, para que, ao cantarmos essa última música, o nosso louvor possa chegar até o trono de Deus como um sacrifício de aroma agradável.

Mc 11:15: E, quando estiverdes orando, se tendes alguma cousa contra alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as vossas ofensas.

Mt 5:23: Portanto, se trouxeres a tua oferta ao altar e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, 23. Deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai reconciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem, e apresenta a tua oferta.

Se existe alguém aqui que você tenha ofendido ou que tenha ofendido a você, gostaria que você se dirigisse a ele e oferecesse perdão. Se é alguém que não está aqui, libere o perdão em oração, só você e Deus, prometendo que na primeira oportunidade você irá fazer com ele as pazes.

OBS: Ilustrações e citações estraídas do livro Maravilhosa Graça de Philip Yancey Editora Vida

Autor: Laurentino Aguiar


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