Estudo sobre O Arrebatamento da Igreja e  o Ano Novo Judaico


No fim de 1987 (ou início de 1988) as igrejas em todos os EUA começaram a receber pelos Correios um livro da World Bible Society, de Nashville, Tennessee. Escrito por Edgar C. Whisenant e intitulado 88 Reason Why The Rapture Will Be In 1988 (88 Razões Por Que o Arrebatamento Será em 1988), o livro foi enviado para tentar alertar os crentes que a remoção deles do mundo estava iminente. Whisenant estava convencido que suas deduções estavam totalmente de acordo com as Escrituras e o tempo para a evangelização dos perdidos estava se esgotando rapidamente.

É claro que ele estava errado sobre a data e terminou fazendo o papel de bobo aos olhos do mundo — como sempre aconteceu no passado quando outras pessoas tentaram predizer exatamente quando o Arrebatamento da igreja ocorreria. Na verdade, o tema principal da Segunda Epístola aos Tessalonicenses foi que o apóstolo Paulo teve de corrigir os crentes a respeito do tempo do arrebatamento. No capítulo 2, versos 1 e 2, ele disse:

"Ora, irmãos, rogamo-vos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, e pela nossa reunião com ele, que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o dia de Cristo estivesse já perto."

O ensino falso sobre o fato que o arrebatamento já tinha ocorrido se espalhara entre os crentes e, é claro, isso os deixou perturbados porque parecia que tinham sido deixados para trás! Além disso, alguns comentaristas bíblicos acreditam que antes disso, muitos deles pensaram que a Segunda Vinda era iminente e tornaram-se tão entusiasmados que deixaram de trabalhar e aguardavam com expectativa! Essas crenças e atitudes errôneas levaram Paulo a escrever para eles uma segunda vez.

O livro de Edgar Whisenant aparentemente despertou algum interesse no assunto do arrebatamento e o editor mais tarde reportou que algumas pessoas fizeram profissões de fé como resultado da leitura do livro. Assim, embora eu tenha lido o que ele escreveu e achei que errou ao tentar predizer a data exata, alguns dos pontos que ele levantou são muito interessantes. Um dos pontos que continua a me intrigar é o aspecto profético das Festas de Israel, no que se refere à igreja.

Em Levítico 23, Deus deu instruções para a nação de Israel com relação a certos festivais, ou festas, que deveriam ser observadas durante o ano. Após um exame atento, achamos óbvio que as quatro primeiras tipificam o sacrifício vicário do Senhor Jesus Cristo e a formação da Sua igreja. São elas: Páscoa (Passagem), Pães Ázimos, Primícias e Pentecostes.

A Passagem, observada no décimo quarto dia do primeiro mês, Nisã, é um símbolo da crucificação de Jesus Cristo quando Ele derramou Seu sangue precioso para expiar os pecados de Seu povo.

A Festa dos Pães Ázimos começava no décimo quinto dia e continuava por uma semana. Era um símbolo da perfeição imaculada do Senhor Jesus Cristo em Sua vida, morte e sepultamento.

A Festa das Primícias era observada no décimo sexto dia e é um símbolo da ressurreição de Jesus Cristo dos mortos no terceiro dia. (1 Coríntios 15:4 e 20)

Então, exatamente cinqüenta dias depois (a raiz da palavra cinqüenta produziu a palavra Pentecostes), durante o mês de Sivã, o Espírito Santo de Deus desceu sobre os crentes e a igreja cristã foi formada.

Assim, as quatro primeiras festas prefiguravam a base para a fé cristã e a fundação da igreja. Sendo assim, o que podemos concluir das três últimas festas?

Em seguida na ordem cronológica está o Rosh Hashanah, a Festa das Trombetas, que ocorre três meses inteiros após o Pentecostes. Como todas as festas precedentes levam até e incluem a formação da igreja, não faz sentido que com toda a probabilidade o intervalo de tempo representa a Época da Igreja? Estou convencido que sim e que o Rosh Hashanah - o nome hebraico para a celebração do Ano Novo e durante o qual os rabinos tocam a trombeta cerimonial feita com o chifre de um carneiro, chamada de shofar — é um símbolo da partida da igreja deste mundo. Observe que o apóstolo Paulo faz uma conexão entre o uso de uma trombeta e o arrebatamento:

"Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados." [1 Coríntios 15:51-52].

Alguns insistem que isto precisa ser durante o Período da Tribulação por causa da referência à última trombeta e, portanto, a última das sete "Trombetas do Julgamento" em Apocalipse 11:15. Mas eles aparentemente não compreendem que há uma "última trombeta" intimamente associada com a Festa das Trombetas! Existem dois tipos de trombetas usadas pelos judeus religiosos hoje: uma é feita de prata e a outra — o shofar — fabricada com o chifre de um carneiro. Vários tipos de sonidos dessas trombetas eram usados durante a celebração, mas o último sonido que sinalizava o fim da festa era com o shofar e é distintamente diferente dos demais, que são muito mais longos em duração.

Um paralelo é visto na primeira ocorrência no Velho Testamento em que a palavra "trombeta" é usada. Ela é encontrada em Êxodo 19:13 e refere-se ao longo sonido da trombeta de Deus (hebraico yobel — um sonido de trombeta e não a própria trombeta) para Israel do Monte Sinai. (As segunda e terceira ocorrências da palavra "trombeta" encontram-se nos versos 16 e 19, em que o próprio instrumento está em vista e a palavra hebraica é shofar.) Portanto, quando a nação de Israel ouvia essa longa convocação da trombeta, eles subiam ao monte!

"Nenhuma mão tocará nele; porque certamente será apedrejado ou asseteado; quer seja animal, quer seja homem, não viverá; soando a buzina longamente, então subirão ao monte." [Êxodo 19:13].

"E aconteceu que, ao terceiro dia, ao amanhecer, houve trovões e relâmpagos sobre o monte, e uma espessa nuvem, e um sonido de buzina mui forte, de maneira que estremeceu todo o povo que estava no arraial." [Êxodo 19:16].

"E todo o monte Sinai fumegava, porque o Senhor descera sobre ele em fogo; e a sua fumaça subiu como fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia grandemente. E o sonido da buzina ia crescendo cada vez mais; Moisés falava, e Deus lhe respondia em voz alta." [Êxodo 19:18-19].

Portanto, acredito que em algum momento no futuro a igreja "subirá" para se encontrar com o Senhor nos ares na conclusão do Rosh Hashanah!

Para essa premissa ser correta, as duas últimas festas também precisam corresponder com os eventos proféticos que ainda estão no futuro, de modo que vamos ver se eles parecem se encaixar.

A Festa das Trombetas inicia no primeiro dia do sétimo mês, Tishri, e depois, no décimo dia, o Dia do Perdão é observado. Todas as três últimas festas ocorrem durante o sétimo mês e, é claro, o número sete é o número de Deus para a perfeição e a conclusão.

Em Levítico 23:27, Deus mandou que os filhos de Israel "afligissem suas almas" no Dia da Expiação. Enquanto seis festas eram ocasiões para alegria, esta deveria ter uma conotação muito sombria. Assim, o que você acha que Deus quis que essa festa representasse? A tradição rabínica refere-se ao Rosh Hashanah como um dia de julgamento e, se de fato ele dá início ao Período da Tribulação, o julgamento de Deus sobre Israel definitivamente parece ser o tema do período entre ele e o Dia da Expiação. Embora a Bíblia apenas mencione um dia reservado para a celebração do Hosh Hashanah, o judaísmo moderno o estende por dois dias — o que deixa um período de sete dias entre ele e o Dia da Expiação. Pode ser que esses sete dias representam os sete anos do Período da Tribulação, a serem seguidos pelo Dia da Expiação — durante o qual os sobreviventes de Israel chorarão por Aquele a quem traspassaram, o Messias? [Leia Zacarias 12:10].

Em caso afirmativo, a próxima festa representa o Reino Milenar de Jesus Cristo e acredito que a Festa dos Tabernáculos faz exatamente isso! A mais alegre de todas as festas, ela é celebrada cinco dias após o Dia do Perdão (os dias intermediários talvez representam o intervalo de 45 dias entre a Batalha do Armagedom e o início do Milênio, encontrado em Daniel 12:11-12) e retrata Israel vivendo em cabanas — habitações provisórias para fazer a nação se lembrar de sua jornada no deserto e a subseqüente entrada na Terra Prometida. Embora Canaã tenha servido como um tipo da Terra Prometida no que se refere a Israel no Velho Testamento, a abrangência total dessa promessa não será cumprida até que um Israel redimido descanse sob a mão amorosa de seu pastor e rei, Jesus Cristo, durante o Milênio.

Autor: Pr. Ron Riffe