Cristão verdadeiro não pode ter memória curta


“O povo tem memória curta”, diz um adágio popular. Quanto a nós, salvos em Cristo Jesus, devemos nos exortar uns aos outros (Hb 3.12-14), a fim de não nos esquecermos de coisas muito importantes, como a purificação dos nossos antigos pecados (2 Pe 1.9).

Não é por acaso que encontramos na Palavra de Deus mandamentos para nos lembrarmos da essência do autêntico cristianismo, centrado na Palavra de Deus. Quantos já não têm se esquecido da simplicidade que há em Cristo (2 Co 11.3) e abraçado a falsos evangelhos, como a teologia da prosperidade?

Em Hebreus 13, vemos, pelo menos, seis coisas das quais não devemos esquecer: da hospitalidade, dos presos, dos maltratados, dos pastores, da beneficência e da comunicação.

“Não vos esqueçais da hospitalidade” (v.2) — o autor de Hebreus menciona uma razão para fazermos isso: “alguns, praticando-a, sem o saber acolheram anjos” (ARA). Pense no que significa ser hospitaleiro. Tratar bem os amigos é fácil. E, quando temos de ser hospitaleiros com quem não conhecemos ou com os inimigos? Sofremos, ao fazer isso.

Entretanto, Deus muitas vezes usa esse tipo de circunstância para nos abençoar. Não foi isso que aconteceu com a viúva que ajudou Elias? E o que dizer de Zaqueu? Já imaginou se ele dissesse a Jesus: “Na minha casa, não! Minha mulher não vai gostar de receber uma visita inesperada”?

“Lembrai-vos dos presos” (v.3) — sejamos sinceros: Qual cristão, incluindo você e eu, caro leitor, costuma se lembrar dos presos, dos encarcerados? Mas o texto bíblico em apreço diz: “Lembrai-vos dos encarcerados, como se presos com eles” (ARA). Meu Deus, que difícil recomendação da tua Palavra! Como eu preciso melhorar!

“Lembrai-vos dos [...] maltratados” (v.3) — a versão de Almeida Revista e Atualizada (ARA) assevera: “Lembrai-vos... dos que sofrem maus tratos”. E acrescenta: “como se, com efeito, vós mesmos em pessoa fôsseis os maltratados”. Gostamos de lembrar apenas de coisas boas, que nos trazem satisfação...

Ninguém gosta de lembrar, por exemplo, de um morador de rua, maltratado pela vida ou pelas más escolhas que fez. Os espíritas dizem: “Ele está sofrendo, mas é o seu karma, até que alcance a iluminação, depois de várias reencarnações”. Mas alguns evangélicos, conquanto iluminados pelo Espírito, se dão ao luxo de afirmar, sem nenhuma compaixão: “Deus sabe por que esse homem está sofrendo; trata-se de um miserável pecador, um vaso da ira”. Ah, como o nosso cristianismo seria realmente cristão se aprendêssemos a ser “bons samaritanos”!

“Lembrai-vos dos vossos pastores” (v.7) — nunca os pastores foram tão desrespeitados. Hoje, ser pastor não significa muita coisa. É claro que há falsos obreiros, aos quais convém mesmo “tapar a boca” ou refutar segundo a Bíblia (Tt 1.10,11). Mas não são muitos os cristãos que atentam para a seguinte recomendação: “Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver” (ARC).

O respeito aos pastores (“guias”, ARA) não é por causa do título que eles possuem, e sim porque foram chamados e ungidos pelo Senhor. É o Senhor quem os põe na igreja (Ef 4.11; Jr 3.15). E quem se levanta contra eles — no caso dos verdadeiros, é evidente —, a fim de prejudicá-los, está se levantando contra quem, mesmo?

“E não vos esqueçais da beneficência” (v.16) — beneficência é o amor em ação; é a prática do bem. Afinal, o amor só é amor quando em ação. Se alguém diz “Eu amo a Palavra”, mas nunca medita nela, que tipo de amor é esse? Por isso, o salmista, ao falar do seu amor para com a Lei do Senhor, afirmou que ela era a sua meditação em todo o dia (Sl 119.97). E o que dizer do amor a Deus e ao próximo? E o que dizer do amor aos inimigos?

A Bíblia não diz que devemos fazer bem a todos? Essa última pergunta é retórica; traz em si mesma a resposta de que devemos amar e fazer o bem (amor em ação) até aos nossos inimigos (Rm 12.20). Estamos dispostos a isso? Ou queremos vê-los arrasados, prostrados, enquanto cantamos: “Tem sabor de mel, tem sabor de mel, a minha vitória hoje tem sabor de mel”?

“E não vos esqueçais da [...] comunicação” (v.16) — ou “Não negligencieis igualmente [...] a mútua cooperação” (ARA). O autor de Hebreus acrescenta que Deus se compraz com esse tipo de sacrifício. Ser um cooperador, um ajudador, alguém que comunica alguma coisa a alguém, seja um dom espiritual, seja uma ajuda material, significa se sacrificar pelo próximo!

Quem hoje está disposto a sofrer, a se sacrificar, por alguém que não seja um parente, como filhos, netos, esposa, pais? Enfim, correr atrás de trio elétrico dizendo que está evangelizando os foliões é fácil. Escrever belos textos, pelos quais expomos o nosso pensamento e refutamos isso e aquilo, também não é tão difícil. Priorizar o evangelho ecumênico em programas da Rede Globo é ainda mais fácil e prazeroso.

Mas, e viver o cristianismo verdadeiro, o cristianismo realmente cristão, que não se esquece da hospitalidade, dos encarcerados, dos maltratados, dos pastores, da beneficência e da mútua cooperação? O cristianismo verdadeiramente cristão é para quem deseja ter a Bíblia como a sua regra de fé, de prática e de vida. E é isso que eu desejo, embora reconheça, humildemente, que ainda não o tenha alcançado plenamente...

Em Cristo,
|  Autor: Ciro Sanches Zibordi  |  Divulgação: estudosgospel.com.br |


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