Reflexão Por que tanto ódio aos Judeus?


         Poucos séculos depois da morte e da ressurreição de Jesus, muitos dos chamados pais da Igreja pareciam já ter-se esquecido de que o Salvador deles, a mãe, Maria, e o pai terreno, José, bem como todos os apóstolos, e todos os autores do Novo Testamento, com exceção possível de um só, bem como a esmagadora maioria dos membros da Igreja primitiva, eram judeus.
         Esses pais da Igreja começaram a dizer, em seus sermões, nos templos cristãos - quase todos com nomes de judeus - que Deus havia amaldiçoado para sempre os irmãos físicos de Jesus, que O haviam rejeitado totalmente como o Messias. E passaram a ensinar que a Igreja do Novo Testamento é o novo Israel, que tinha suplantado totalmente o antigo Israel. E a Igreja aceitou essa interpretação como verdadeira, a despeito das evidências contextuais espalhadas pelo Novo Testamento, que mostram os gentios como participantes das bênçãos do pacto de Deus, o termo ISRAEL continua referindo-se, exclusivamente ao povo judeu.
         Aqueles mesmos líderes eclesiásticos, ao que tudo indica, esqueceram-se do fato que muitos milhares de judeus aceitaram o seu compatriota judeu, YESHUA, como o Messias, antes mesmo dos gentios terem tido a oportunidade de ouvir o Evangelho. Todos nós sabemos, por meio do livro de Atos, no Novo Testamento, que, nos anos que se seguiram à ascensão do Senhor Jesus,
 
"crescia a palavra de Deus, e, em Jerusalém, se multiplicava o número dos discípulos; também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé" (Atos 6.7).
        E mesmo antes disso, logo após a crucificação de Jesus, muitos judeus simpatizavam com Ele, lamentando-se e pranteando profundamente em face de Sua morte. Lucas deixou registrado que, depois de ter sido Jesus crucificado, quando as trevas caíram por todo o país,
 
"todas as multidões, reunidas para este espetáculo, vendo o que havia acontecido, retiraram-se a lamentar, batendo nos peitos" (Lucas 23.48).
        E isso, como é lógico, também foi sinal de profundo remorso.  No entanto, nos escritos de muitos dos antigos pais da Igreja, as multidões judaicas foram retratadas como totalmente malignas, que insultavam ao Senhor, enquanto Ele era conduzido ao Calvário.
         Edward Flannery salientou que pais da Igreja como  ORÍGENES, JUSTINO MÁRTIR e CRISÓSTOMO parecem ter pensado que nenhum judeu jamais chegou a confiar em Jesus como seu Salvador. Os fariseus e os sacerdotes do judaísmo eram retratados somente como indivíduos coniventes e totalmente hostis ao Evangelho. Os pais da Igreja lançavam mão de declarações selecionadas, feitas pelo apóstolo Paulo, para atacar esses grupos, ignorando o próprio testemunho de Paulo de que ele se ufanava de sua herança judaica, incluindo o fato que fora criado como fariseu. Nicodemos, um dos líderes fariseus da época de Paulo, confessou a Jesus que muitos de seus contemporâneos se admiravam do rabino da Nazaré: 
 
"Rabi, sabemos que és Mestre vindo da parte de Deus; porque ninguém poder fazer esses sinais que tu fazes, se Deus não estiver com ele" (João 3.2).

         Muitos dos pais da Igreja parece que supunham que nenhum daqueles referidos por Nicodemos, e nenhum dos que contemplaram a crucificação de Jesus e voltaram batendo no peito, acabou seguindo ao longamente esperado Messias de Israel. Naturalmente, mesmo que nenhum desses tenha crido, ainda assim não há base, nas Escrituras cristãs, para ataques violentos contra o povo judeu.
         O afeto de Paulo por seus conterrâneos e pela religião deles, expresso em sua epístola aos Romanos, não foi emulado por aqueles antigos líderes da Igreja Romana. Ao invés disso, exibiram inimizade, hostilidade, e, finalmente, o ódio mais aberto contra os judeus. Paulo ensinou que a rejeição divina, àqueles dentre os judeus que não creram, deu motivo ao "enriquecimento dos gentios", que tinham sido enxertados, na boa oliveira de Israel, como "ramos de oliveira brava". Como a igreja gentílica poderia ter sido enxertada em uma árvore que, supostamente, fora arrancada pela raiz?
         Muitos dos falsos sucessores de Paulo, ao que parece, queriam destruir as raízes judaicas da árvore, juntamente com os ramos rejeitados, aparentemente ignorando o fato que uma árvore sem raízes está prestes a morrer.
         A destruição da nação judaica na Judéia, pelo romanos, no ano de 135 d.C., foi merecida, escreveu Justino a um rabino não identificado no seu "Diálogo com Trifo".
         Justino, em seu Diálogo, escreveu: "Isso porque vocês assassinaram o Justo". Esse tema, pois, haveria de reverberar com frequência através da história das perseguições cristãs contra os judeus. O próprio fato de Jesus ter ensinado que Ele precisava morrer a fim de redimir a humanidade, de alguma maneira escapou à atenção dos perseguidores gentios, juntamente com o fato que foram os soldados romanos que, na verdade, crucificaram ao Senhor Jesus.
         Orígenes concluiu que os judeus
 
"jamais serão restaurados à sua condição anterior. Pois eles cometeram um crime da categoria mais repelente, ao conspirarem contra o Salvador da raça humana". Sem dúvida, isso esquece o ensino de Paulo que os gentios cristãos não devem portar-se com arrogância contra os ramos judeus, retirados da oliveira, pois "Deus é poderoso para os enxertar de novo" (Romanos 11.23).

         Com relação ao conhecido "pai" da Igreja João Crisóstomo (344 - 407 D.C.), não houve quem se igualasse a ele quanto ao veneno de seus ataques contra o povo judeu.  Ele os chamou de "sensuais, gananciosos, cobiçosos, bandidos traiçoeiros, assassinos inveterados, destruidores, homens possessos pelo diabo", dotados das "maneiras dos porcos e dos bodes sensuais". Isso não é invenção nossa, está contido nos seus escritos. E mais, os judeus, segundo ele, "adoram ao diabo", e a religião deles é uma "doença".  E teriam caído em um estado tão aviltado por terem "assassinado odiosamente a Cristo". Por conseguinte, Deus odeia aos judeus, os quais permanecerão para sempre sem o templo, jamais voltando a tornar-se uma nação soberana. E se tudo isso não despertasse conclusões óbvias entre seus ouvintes cristãos, Crisóstomo mostrou-se ainda mais explícito ao exortar os cristãos a uma perpétua "guerra santa" contra os judeus:
 

"Aquele que nunca poderá amar bastante a Cristo, poderá compensar isso mediante a guerra contra aqueles que O odeiam".

        Fica aqui a pergunta:  Como podemos odiar os judeus, se a salvação vem dos judeus?
         Declarações dessa ordem seriam de um interesse histórico meramente marginal não fora o horrendo e trágico fato que muitos líderes e leigos cristãos usaram-nas como base para perseguirem e mesmo matarem a seus vizinhos judeus. E pouco atenua o fato que houve hostilidade da parte dos judeus contra os cristãos, anterior às perseguições dos cristãos contra os judeus, conforme Justino Mártir argumentou em seu livro "Diálogo com Trifo". Pois, afinal, os cristãos, e não os judeus incrédulos, é que seriam os portadores da revelação sobre o Messias.  Os cristãos é que dispunham dos elevados padrões morais e éticos do judeu Jesus para emular, e não os judeus incrédulos.
         Naturalmente, sempre houve cristãos, que, no decurso dos séculos, seguiram os ensinos e o exemplo do amor, compaixão e perdão do Messias, ao tratarem com seus vizinhos judeus. Mas, como sucedeu na Alemanha nazista, tais indivíduos foram sempre relativamente poucos. E quase todos eles foram forçados a agir contra os ensinos da Igreja oficial e contra as leis do estado, a fim de poderem cumprir o mandamento de Cristo, que diz: "Ama a teu próximo como a ti mesmo".
         Amigo, se você ainda é daqueles que foram ensinados pela tradição (tataravós, bisavós, avós ou pais), que os judeus "não valem nada", que eles são os culpados pela morte de Jesus, que eles são "raça ruim" ou coisa parecida, guarde bem no seu coração esta promessa eterna de Deus para todo ser humano que já pisou neste planeta:
 
"Abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem"  (Gênesis 12.3).

         Deus está falando aqui do povo judeu.
         Jamais se esqueça disso.

Autor: Adail Campelo


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