Reflexão O Brasil é uma grande Sodoma?


         Violência se alastra por todas as metrópoles. Semanalmente presídios se convulsionam em rebeliões. Multiplicam-se favelas com a falta de políticas habitacionais. Idosos gastam seus últimos e valiosos dias em filas da previdência. A prostituição infantil no Ceará virou notícia internacional. O Rio de Janeiro ganha campeonatos mundiais de assassinatos de adolescentes. Políticos se comportam com uma desfaçatez revoltante. Entidades e assessores de políticos evangélicos foram presos por envolvimento em um esquema que fraudava o Ministério da Saúde com ambulâncias super-faturadas - quem deveria promover o bem é agora chamado de sanguessuga. Navegamos à deriva.
         O que falta para nos tornarmos iguais a Sodoma? A Bíblia deixa claro que a maldade que provocou a ira de Deus sobre essas duas cidades não se resumia à depravação sexual. Em Sodoma havia descaso com a injustiça disseminada. A denúncia do profeta Ezequiel (16.49) é contundente:
 
“Este foi o pecado de sua irmã Sodoma: ela e suas filhas eram arrogantes, tinham fartura de comida e viviam despreocupadas; não ajudavam os pobres e os necessitados”.   Ezequiel  16.49

         Devemos nos preocupar. O Brasil ostenta um dos índices mais iníquos de distribuição de renda do planeta.
         Deus não fez chover fogo e enxofre nas cidades gêmeas por causa da generalização do mal, mas pela ausência do bem. Abraão não contabilizou dez justos ali. Se mostrasse um punhado de gente íntegra, Deus evitaria seu juízo. Portanto, Jeová não considerou a presença do mal tão danosa quanto a ausência do bem.
         Nossa preocupação devia aumentar. O Brasil se transforma rapidamente numa Sodoma? Sim! Algumas instituições que deveriam defender a justiça fracassam. Restam poucos na promoção da virtude. Alguns malogram porque perderam sua credibilidade. Podem até tentar se expressar, mas já não são ouvidos. Os evangélicos, por exemplo, perdem seu crédito em passo acelerado.
         O desprestígio dos evangélicos começa pelo conteúdo das pregações. A grande maioria dos sermões que se ouve, principalmente na mídia, se resume a técnicas de sucesso. Muitos pastores ensinam uma auto-ajuda bem rala e acabam atirando no pé. Lotam suas igrejas com pessoas ávidas por atalhos para o sucesso, enquanto a longo prazo, geram desdém por si mesmos. Hoje, a classe ministerial é encarada com suspeita. Cada vez menos pastores participam, junto com os formadores de opinião, de fóruns onde se tentam resolver os problemas nacionais.
          A programação de novas igrejas não contempla a vida com realismo. Há uma tendência de se arremeteram para o mundo espiritual, o que deveria ser tratado como ações humanas. Contudo, não se pode permitir que novos modismos insistam em lidar com a história como se fosse o desdobramento de maldições ou da sina divina. Ela é resultado de escolhas que se fazem e dos conflitos de interesses de grupos e classes sociais. Para reverter estruturas malignas, não bastam exorcismos, precisa-se de cidadania, educação cívica, virtude moral e, acima de tudo, coragem.
          O Brasil regride. Chega perigosamente perto do ponto sem retorno (chamado de juízo final). Esse ponto chegará quando as pessoas de bem passarem a optar pelo conforto. A maldade aumenta e se torna irreversível quando os filhos de Deus não sabem, ou não querem, escolher veredas transformadoras da história. A igreja contribui com a desintegração quando prioriza programações irrelevantes, usa uma agenda em que a mágica passa a ser um recurso para a felicidade; tudo desconectado dos reais problemas da vida.
          Em sua profecia, Isaías chamou Israel de Sodoma porque seus líderes haviam se corrompido. Como não se lembrar da denúncia do profeta, quando um bispo evangélico engatinha no camburão da Polícia Federal? Naqueles dias, a classe sacerdotal também havia se mancomunado com ladrões, aceitava subornos, não defendia o direito dos órfãos e nem tomava conhecimento da viúva (Isaías 1.23). Pior, camuflava seus comportamentos com orações e jejuns. Isaías, porém, alertou:
 
“O jejum que desejo não é este? Soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo” Isaías 58.6-7.

         O Brasil corre para uma desagregação social amedrontadora. Estou certo que Deus cobrará da igreja porque não cumpriu seu mandado:
 
“Assim, brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus” (Mateus 5.16)”.
        Se Jesus ordenou que os seus fossem sal da terra devemos orar e trabalhar para que nosso testemunho pelo menos freie um pouco a degradação da vida antes que seja tarde demais.

Autor: Pastor Ricardo Gondim


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