Esboço Tolerância ou Intolerância?

Romanos 15.1-6

 

Introdução:

       Muitas vezes nos esquecemos de que o cristianismo nos propõe seguir na contramão da religião institucional e da nossa própria vida pregressa.       Também nos esquecemos de que a propositura do cristianismo básico, verdadeiro e autêntico é a de que não podemos viver para nós mesmos.
       São essas propostas o que Paulo tenta ressaltar no texto lido, em especial nos versos 1 a 3.
       Paulo assevera que, no vs. 1, aqueles que são dotados de força, que no original se refere a poder espiritual e não a força física, devem suportar (tolerar) com paciência o não poder, ou seja, a espiritualidade insipiente e imatura, dos demais irmãos, os fracos.
       Isto por quê? Por que não podemos agradar, ser tolerantes, fazer esforço para alegrar, a nós mesmos, se somos dotados de poder espiritual, pois a alegria do Senhor é a nossa força, Neemias 8.10.
       Paulo nos exorta, no vs. 2, a tolerarmos, a envidarmos esforços para agradarmos aos outros, a fim de que todos sejamos edificados, solidificados na estrutura espiritual, em Cristo Jesus, que nos deu o exemplo maior e mais excelente neste aspecto também.
       O conceito bíblico é esse: o de sofrer ultrajes, engolir a seco, degustar o sapo cascudo, mas tolerar o outro que é fraco na fé, pelo menos aos nossos olhos, vs. 3.
       Paulo não afirma que os irmãos eram esvaziados de poder espiritual, mas questiona e exorta aos que se consideram, ou que são conscientes, mais fortalecidos e amadurecidos na fé a padecerem a tolerância para com os outros, abençoando assim toda a igreja.
       Lamentavelmente a igreja não se comporta assim e vemos cobranças, cerceamentos e questiúnculas que frustam o mais entusiasmado e motivado obreiro cristão.
       Porém, se por amor a Cristo sofremos esse tipo de igreja, cabe a pergunta que nos empresta o tema: tolerância ou intolerância?
       Para nos auxiliar, passo a considerar algo sobre o teste da tolerância, do livro "O impacto da liderança com integridade", de Fred Smith.

  • É o gosto pessoal ou é a verdade?
       Em termos espirituais, amados, devemos ser tolerantes quanto ao gosto, mas intolerantes quanto a verdade do Evangelho, não aceitando distorções, ajustes, meias verdades ou inverdades.
       Infelizmente, a igreja tolera as heresias, os modismos eclesiásticos, os teologismos, mas não tolera um gosto diferente. Não podemos ritualizar o nosso gosto. Se fosse possível, todos deveríamos ser bem ecléticos. O gosto pessoal e a tradição eclesiástica não podem ser elevados ao patamar de ortodoxia.
       Muitas vezes a adoração em uma atmosfera informal e contemporânea contém mais verdades bíblicas do que um culto formal e conservador, ritualista, que só admite os "santos sacros hinos".
       Antes de criticar o pastor, o culto, os irmãos que dançaram para louvar ao Senhor, devo me questionar: minha crítica é baseada na verdade bíblica ou no meu gosto pessoal?
       Amados, não devemos criticar os desiguais no gosto ou na metodologia, se esses primam pela verdade, que, talvez, eu tenha negligenciado em defesa da tradição ou do meu gosto pessoal, mesquinho e egocêntrico.

  • É uma questão de preferência ou de princípio?
       As preferências eclesiológicas, musicais, estruturais e ministeriais podem e devem variar, mas os princípios espirituais, biblicamente embasados, jamais podem variar, pois as verdades de Deus nas Escrituras não variam.
       Em temas ou em assuntos controvertidos, devemos buscar a certeza de que não estamos tentando impor as nossas preferências, em vez de o princípio bíblico imutável.
       Estilos de culto, hábitos culturais, metodologias estruturais são, por mais que os irmãos não admitam, preferências, não princípios bíblicos eternos. O Texto Sagrado, uma revelação progressiva, mostra o avanço e as alterações na expressão cúltica, nas metodologias e na estrutura eclesiástica, mas nunca nos princípios espirituais, que são imutáveis e eternos como Deus o é.
       Não se admite, em nosso século, divergências raciais ou eclesiásticas, embora tenhamos que tolerar e conviver com as diferenças culturais.
       Amados, a história da igreja é repleta de exemplos que comprovam que as preferências pessoais dividem, incitam porfias e maledicências, quebram a comunhão, arrefecem o amor e até mesmo, como vemos na história, matam. Não podemos cometer os mesmos erros e reeditar essa historieta medonha que envergonha o evangelho.
       Porém, os princípios espirituais eternos nos unem, nos fortalecem, fortalece a comunhão, superlativa o amor e salva vidas, transformando macabras historietas de vidas em verdadeiros poemas de louvor, adoração e glorificação a Deus e de exaltação a Cristo.
       Mas quando que a intolerância, não mencionada até agora, é boa? Pois bem, vejamos algo sobre este tópico.

  • A intolerância positiva é válida para o cristão.
       Fred Smith, no mesmo livro, ressalta que a intolerância deve ser admitida como válida se ela é canalizada para o pecado.
       Devemos ser tolerantes em tudo o que Deus é tolerante, mas não podemos ser tolerantes com aquilo que Deus não tolera.
       Em relação ao pecador, Deus é paciente, misericordioso, bom, amável e perdoador, mas não há registro bíblico que indique que Deus seja tolerante com o pecado.
        O julgamento de Deus é imparcial e não muda: Cristo morreu para manifestar a graça e o amor de Deus, mas também a sua justiça. Os que insistem em permanecer no pecado morrem na perdição e estão condenados ao inferno, à perdição eterna.
       Se tolerarmos o pecado em nossas vidas, famílias, igreja e sociedade todas as religiões se tornam iguais, ou seja, vazias de sentido e os mártires da fé foram grandes tolos, que morreram em vão, por uma causa inglória.
       Mas não é assim que nos ensina a Palavra de Deus. Jesus é o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, João 1.29, Deus abomina, detesta, não tolera o pecado, Deuteronômio 25.13-16, Salmo 5.5-6, Provérbios 3.31-32, 11-20 e 15.26, e ainda Apocalipse 21.27.
       A palavra de Deus nos exorta a abandonarmos o pecado, pois quem vive na prática do pecado ou quem tolera com parcimônia ou cumplicidade o pecado não experimentou ainda a salvação, 1 João 3.3-8 e 5.16-19 (Ezequiel 18.20-24 e 31).
       Portanto, amados, a intolerância por parte de um cristão verdadeiramente salvo só é admitida se for contra o pecado. Neste caso, a Palavra de Deus até admite que a intolerância seja positiva e válida.
       Infelizmente, com pesar diante de Deus, pois sou o Pastor de igreja e "pesa sobre mim o cuidado da igreja", 2 Coríntios 11.28, devo admitir que somos tolerantes para com o pecado, mas não toleramos as preferências dos outros ou o gosto pessoal de cada um.
     Invertemos, ou melhor, pervertemos os valores espirituais e os parâmetros eclesiológicos. Deus tenha misericórdia de nós!

Conclusão:

       Voltemos ao tema: Tolerância ou Intolerância? Faça essa pergunta a si mesmo. Por favor, abrace o irmão ao seu lado e peça que ele pergunte a você o seguinte: Você, irmão, é tolerante ou intolerante?
       Se somos tolerantes para com o pecado que tão de perto nos rodeia, Hebreus 12.1 e que jaz a nossa porta, Gênesis 4.7, devemos clamar por libertação e por um avivamento de santidade.
       Porém, se somos intolerantes com o gosto pessoal de cada um e com as preferências metodológicas ou culturais, que não relativizam os princípios eternos da fé cristã, devemos clamar por libertação deste espírito demoníaco que nos oprime, para vivenciarmos o que Paulo ensinou em Romanos 15.1-6, a exemplo de Jesus Cristo.
       Para que este milagre aconteça, oremos para Deus nos libertar do preconceito de estimação que o diabo encastelou em nossa alma, desarmando a nossa mente, para que experimentemos o novo, o gosto diferente, a preferência do outro, afim de que sejamos unidos e vivamos em unidade.
Amém!

Autor:  Pr Fernando Fernandes
Pastor da 1ª Igreja Batista em Penápolis/ SP e Prof. no Seminário Teológico Batista de São Paulo.


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