Esboço É Preciso Mais do Que Saber a História

Lucas 24.13-21


Introdução:

       Quem é Jesus? No contexto brasileiro, em que 99% da população crê em Deus e 83% crê na vida eterna no paraíso, esta pergunta pode suscitar uma infinidade de respostas. Perguntar quem é Jesus num país em que 89% da população admite ser cristão bíblico, divididos entre 73% de católicos e 16% de evangélicos chega a ser quase uma redundância religiosa, pois, com, certeza, as pessoas têm informações e conhecimentos históricos sobre Jesus.
    Se não bastasse, seria uma incoerência não termos, como um país cristão, conhecimentos históricos sobre Jesus, pois, o que então justificaria a construção de catedrais evangélicas para 20, 30, 50 mil pessoas ou a construção de uma catedral católica para 100 mil pessoas, como a edificada pela Canção Nova, em Cachoeira Paulista?
       Por certo o nosso povo conhece a história de Jesus e têm respostas, as mais diversas, para essa pergunta. Umas bem lógicas e biblicamente embasadas, outras um tanto folclóricas ou dogmáticas e algumas até inacreditáveis. Mas todos têm uma resposta sobre Jesus.
       Porém, será que conhecer a história e ter respostas é suficiente para a salvação? Não. A resposta é não e o texto que lemos, Lucas 24.13-21, que narra os fatos acontecidos logo após a crucificação de Jesus, mais propriamente no dia da ressurreição, apresenta provas objetivas de que é preciso muito mais do que saber a história de Jesus.
      Vejamos, então, no Texto Sagrado, as lições que nos esclarecerão quanto a esta realidade em relação a Jesus.

Em primeiro lugar...

  • Não basta ter ou falar de religião – vs. 13-15:
     No Brasil a expressão religiosa é livre. Somos um povo religioso, místico e extremamente supersticioso. As festas populares, quase todas ligadas a religião, deixam aflorar a característica estética dos nossos elementos religiosos, que, embora em muitas situações seja uma religiosidade abstrata, cultuante dos sentidos, heterogênea e até sincrética, expressando uma credulidade irracional e pragmática, buscando a religião de resultados imediatos, apresenta um elevado grau de concretude e de centralidade na sociedade e no imaginário brasileiro.
       Todo o brasileiro tem uma religião. Até aqueles que se declaram sem religião se valem do nome de Deus em seus apertos ou usam os jargões do evangeliquês, como aleluia, oh glória, Deus é fiel, etc, em seu vocabulário ou em adesivos. Isso é tudo? É o bastante para a salvação pessoal e para a redenção de nossa Pátria? Não. Dizer-se religioso ou conhecer toda a narrativa sobre a vida de Jesus, inclusive os evangelhos apócrifos, tão em moda depois da publicação do livro O Código Da Vinci, ainda é muito pouco para aqueles que reconhecem a necessidade de salvação e que a buscam com sinceridade.
       Quando olhamos para o Texto Sagrado, nos versos 13 a 15, temos a narrativa da experiência de dois discípulos que conviveram com Jesus, mas que quando tiveram um encontro mais próximo com o Jesus ressurreto, que entrou na conversa deles, observem que conversavam sobre Jesus e os fatos ocorridos em Jerusalém, que culminaram com a morte de Jesus, não o reconheceram. Falavam de religião, mas a presença real de Jesus não alterou o curso de suas vidas.
        Fica evidente, no Texto, que eram religiosos e que tinham muitas informações sobre a religião e sobre religiosidade, mas que não vivenciavam a religião que conheciam e de que falavam. Falavam de religião, mas não haviam ainda interiorizado a convicção de fé salvadora em Jesus Cristo, que é o que valida a religião.
       Lamentavelmente, muitos ainda hoje se encontram nesta situação. Conhecem quase tudo de religião, mas ainda não experimentaram a salvação em Jesus Cristo.
 

Em seguida, observando o Texto, vemos...

  • A necessidade de se ampliar a visão sobre Jesus – vs. 16-18:
       Sem uma visão ampliada sobre Jesus e sobre a fé não há como vivenciarmos a religião verdadeira e benfazeja.
       Embora tenhamos, como nação cristã, uma opinião religiosa formada e respostas sobre Jesus Cristo, não identificamos a pessoa de Jesus em sua inteireza. De modo geral, no Brasil, não há uma compreensão objetiva sobre o verdadeiro significado do nascimento do Messias e nem sobre a vida terrena e obra salvífica de Jesus.
       Quando olhamos o verso 16, podemos entender melhor este paradoxo. O verso indica que os discípulos tinham os seus olhos impedidos de reconhecer a Jesus. Outra versão diz que olhos deles estavam como que fechados. Esta afirmação quer dizer que havia algo que os impedia de reconhecer a Jesus.
        Parece estranho que homens que viveram e andaram com Jesus, seus discípulos, não o reconheçam depois da ressurreição, mas a intenção do autor bíblico é justamente a de mostrar que quando se tem uma visão superficial, rasa e insipiente sobre Jesus, não o reconhecemos quando ele se aproxima de nós para manifestar a sua graça, a não ser que ele mesmo se revele a nós.
       Ainda hoje esta condição é real. Muitas pessoas têm os seus olhos como que fechados para o significado messiânico do Natal, bem como para o sentido espiritual, salvífico, da vida e da pessoa de Jesus Cristo. São pessoas bem intencionadas, religiosos sinceros até, mas que ainda têm a sua perspectiva de fé distorcida pela religiosidade estética e pragmática que influencia negativamente o imaginário brasileiro, ou pelos dogmas religiosos tradicionalmente encastelados no coração.
       Porém, é preciso esclarecer que Jesus veio ao mundo para morrer pelos nossos pecados. O nome Jesus quer dizer isso; Deus é salvação. Jesus sofreu por nós e morreu na cruz para que tenhamos o perdão dos nossos pecados e para que pudéssemos viver de forma bem diferente deste padrão de vida egocêntrico, desregrado e hedonista que nos impõe a sociedade. Jesus não é apenas o menino do Natal; é a maior e a mais objetiva expressão do amor de Deus para conosco. Você e qualquer pessoa que deseja se aproximar de Jesus e ter com ele experiência de fé significativa e transformadora precisa entender isso, ampliando, assim, a sua visão sobre Jesus Cristo e passando a identifica-lo como o Cristo de Deus.
        Ampliar as perspectivas sobre Jesus e sobre a fé envolve, muitas vezes, a renúncia da tradição religiosa, para que não fiquemos na mesma condição de Cleopas, verso 18, que demonstra seu espanto quando Jesus transparece não ter conhecimento dos fatos ocorridos em Jerusalém, porém, deixando aflorar, com a sua frustração manifesta, que tinha uma visão superficial e distorcida sobre Jesus Cristo, deixando claro que é, realmente, preciso muito mais do que saber a história.

Em terceiro e último lugar, como decorrência do que consideramos até o momento, vemos que...

  • Não basta conhecer a história; é necessário aceitar a Jesus como Senhor e Salvador de nossas vidas – vs. 19-21:
          Talvez você que está conosco aqui, esta noite, conheça toda a história de Jesus e seja um religioso praticante ou nominal, mas você, bem como todos aqui, precisa aceitar a Jesus como o seu Salvador e Senhor.
       Depois de tomar conhecimento sobre as verdades em relação a Jesus, ou seja, de receber informações bíblicas e objetivas sobre a pessoa, a vida e a obra salvífica de Jesus, podemos sentir os efeitos reais e benfazejos da verdadeira religião.
       Dizer-se religioso ou manifestar atributos da religiosidade não é suficiente para que tenhamos paz de espírito, paz interior, sentindo uma inexplicável exultação espiritual e psicológica, bem como a sensação de liberdade que jamais sentíramos antes, mesmo sabendo que somos livres. Religião e conhecimento histórico sobre os fatos da fé não têm sentido objetivo se não temos certeza de salvação.
       No próprio texto, nos versos 19 a 21, temos a comprovação dessas assertivas. Os discípulos de Jesus conversavam sobre os fatos religiosos enquanto caminhavam, mas quando Jesus mesmo se aproxima não o reconheceram. E quando Jesus pergunta sobre o assunto em questão, expressam na resposta o que pensavam sobre ele, sobre sua obra e sobre a sua morte, externando uma frustração jamais experimentada antes. Esperavam uma ação política da parte de Jesus. Aguardavam uma atuação pirotécnica, talvez, com muito fogo caindo do céu, muito trovão e abalos sísmicos diante das autoridades que o prenderam e o condenaram a morte, mas nada disso aconteceu. Estavam decepcionados! Declaram isso quando dizem que aguardavam soluções humanas para os problemas políticos e materiais. Se mostram bem pragmáticos, existencialistas, egocêntricos e frustrados. Mas que Jesus é esse em quem nós depositamos a nossa esperança? Morreu há três dias e nos deixou na pior, não cumprindo as suas promessas de um mundo melhor, de paz, de amor e de mutualidade entre os homens.
       Esta é a sensação de muitas pessoas. Talvez seja a sua. Pois sempre que não se tem certeza e salvação e que nos aproximamos de Jesus com intenções puramente pragmáticas, existencialistas e sobrecarregadas de egoísmo não experimentamos o seu amor e, por isso, não recebemos a salvação que só ele nos outorga.
      Aceitar a Jesus como nosso Salvador e Senhor vai muito além das informações históricas, das lendas, das representações religiosas e das festividades natalinas. Aceitar a Jesus como Salvador e Senhor é fazer renúncias. É abandonar crendices e dogmas. É subjugar a mente e o coração na direção da cruz. É entregar a Jesus muito mais do que o coração. É mergulhar de cabeça, com os olhos fechados, na direção dos braços de Jesus, abertos na cruz, entregando a ele a nossa vida por inteiro, sem restrições de qualquer natureza.

Conclusão:

       Como vimos, é preciso muito mais do que saber a história. É necessário conhecer a Jesus pessoalmente, no íntimo do ser, na alma e no espírito humano, para que entendamos o real significado do seu nascimento e a sua missão aqui na terra.
       Jesus é o único Salvador. Morreu na cruz e derramou o seu sangue para nos purificar de todo o pecado. Entregou a sua vida para nos conceder uma nova vida. Sofreu a ignomínia da cruz para nos outorgar paz, nos livrando do sofrimento e da tormenta causados pelo pecado.
       Aqueles dois discípulos viam a Jesus como um libertador, mas não compreendiam o verdadeiro sentido da libertação oferecida por Jesus para a humanidade. Ainda hoje, muitas pessoas vivem cativas e oprimidas pelos vícios, pela promiscuidade, pelo existencialismo, pelas tradições religiosas e pelas amarguras do seu próprio coração, carecendo de libertação, de amor verdadeiro, de perdão e, acima de tudo, de salvação.
       Só Jesus Cristo pode oferecer e outorgar a salvação tão ansiada pela humanidade, por você. De nada adianta as comemorações natalinas. É vão todo o brilho dos enfeites, todo o viço das mesas de ceia e todo o sorriso forçosamente estampado na troca de presentes, pois a velha tristeza permanece, o vazio da alma atordoa, o clamor lancinante do coração amargurado faz contorcer a alma e a incerteza quanto ao futuro e ao pós-morte persiste e atormenta, visto não se ter certeza absoluta da salvação em Jesus Cristo.
       Porém, tudo isso pode acabar e a sua vida pode mudar radicalmente neste aspecto. Para isso, para você obter paz, certeza de salvação e novos rumos para a sua existência, é preciso aceitar a Jesus como o seu único Salvador e Senhor.
       Não basta conhecer a história. Nada representa festejar o Natal. É preciso crer em Jesus e aceita-lo como seu Salvador e Senhor. Faça isso nesta noite e, muito mais do que saber a história, mude a sua própria história.

Amém.


Autor:  Pr Fernando Fernandes
Pastor da 1ª Igreja Batista em Penápolis/ SP e Prof. no Seminário Teológico Batista de São Paulo.


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